Visão Geral
O que é Espondilite anquilosante?
Espondilite anquilosante é uma doença inflamatória crônica, que ainda não tem cura e que afeta as articulações do esqueleto axial, especialmente as da coluna, quadril, joelhos e ombros. A inflamação também pode atingir outras partes do corpo, como os olhos.
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Ela faz com que as vértebras na coluna se fundam, fazendo com que ela fique menos flexível podendo resultar numa postura curvada para a frente. Além disso, se as costelas são afetadas, pode ser difícil respirar profundamente.
A espondilite anquilosante afeta mais homens que mulheres. Os sinais e sintomas da doença normalmente começam logo no início da fase adulta. Apesar de ainda não existir cura para espondilite anquilosante, com o tratamento adequado é possível diminuir a dor e minimizar os demais sinais e sintomas da doença.
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Causas
A causa da espondilite anquilosante ainda é desconhecida, havendo um fator genético facilitador, denominado HLA-B27. O percentual de pessoas com espondilite anquilosante que possuem esse marcador genético chega a 90% nos países escandinavos. No Brasil, pela miscigenação étnica encontra-se em torno de 76%.
Nestes casos (em que a pessoa possui o HLA-B27), a teoria mais aceita é a de que a espondilite anquilosante pode ser desencadeada por uma infecção intestinal, justamente por elas já estarem geneticamente predispostas a desenvolver a doença.
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A espondilite anquilosante não é transmitida por transfusão de sangue ou contágio. A chance dos pais com a doença a passarem para os seus filhos não é maior do que 15%, contra os 85% de gerar crianças sem essa condição.
Fatores de risco
Os principais fatores predisponentes para o desenvolvimento da espondilite anquilosante são:
- Ser do sexo masculino, uma vez que a incidência da doença é maior entre os homens
- Ser adolescente ou adulto jovem
- Ter herdado o marcador genético HLA-B27. Mas, atenção, ter o marcador não quer dizer que a pessoa obrigatoriamente desenvolverá espondilite anquilosante
Sintomas
Sintomas de Espondilite anquilosante
Dentre os sinais e sintomas de espondilite anquilosante estão:
- Dor na lombar que vem e vai
- Dor na coluna (inteira ou parte dela)
- Dor e inchaço nas articulações dos ombros, joelhos e tornozelos
- Dor e rigidez no quadril
- Dor e rigidez que pioram com a falta de movimento
- Dor nas articulações sacrilíacas (entre a pelve e a coluna vertebral)
- Dor no calcanhar
- Rigidez matinal
- A dor costuma melhorar com atividades ou exercícios físicos
- Dificuldade para expandir completamente o tórax (respirando fundo, por exemplo)
- Fadiga
- Febre baixa
- Inflamação nos olhos ou uveíte (inflamação nas estruturas internas do globo ocular)
- Perda de movimentos ou mobilidade na parte inferior da coluna
- Perda não intencional de peso.
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Diagnóstico e Exames
Buscando ajuda médica
Você deve procurar ajuda médica se apresentar os sintomas de espondilite anquilosante, especialmente se tiver dor na lombar ou região glútea que piora após o período de repouso e melhora com atividades ou exercícios. Da mesma forma se você já foi diagnosticado com espondilite anquilosante e começar a desenvolver outros sintomas, como dor e vermelhidão ocular, sensibilidade severa a luz ou visão embaçada.
Na consulta médica
Especialistas que podem diagnosticar espondilite anquilosante são:
- Clínico geral
- Reumatologista
- Ortopedista.
Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar tempo. Desta forma, você já pode chegar ao consultório com algumas informações:
- Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
- Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade
- Informações sobre os problemas de saúde de seus pais ou irmãos
- Se possível, leve um acompanhante.
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O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:
- Quando seus sintomas começaram?
- Você sente dores? Em qual região? Com qual intensidade?
- Você tomou alguma medida para aliviar os sintomas?
- Você sente dores mais fortes em algum momento específico do dia?
- A sua dor melhora com alguma atividade ou exercício?
Também é importante levar suas dúvidas para o consultório por escrito, começando pela mais importante. Isso garante que você conseguirá respostas para todas as perguntas relevantes antes da consulta acabar.
Diagnóstico de Espondilite anquilosante
O diagnóstico de espondilite anquilosante é clinico, podendo ser auxiliado por provas laboratoriais e de imagem como os raios x - que permitem ao médico verificar mudanças nas articulações e ossos. Contudo, as alterações não costumam estar visíveis na fase precoce podendo ser necessária uma ressonância magnética da coluna vertebral para conseguir uma análise mais detalhada dos ossos e tecidos, a fim de revelar dados sugestivos ainda na fase inicial.
Tratamento e Cuidados
Tratamento de Espondilite anquilosante
O tratamento da espondilite anquilosante é clínico, com o objetivo de controlar a doença - reduzindo o risco de deformidades decorrentes de suas complicações - e aliviar as dores e outros sintomas do paciente.
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Cirurgias não são indicadas com a finalidade de tratar a espondilite anquilosante, apenas quando a pessoa tem alguma outra complicação ou problema na coluna cervical, mas são casos mais raros.
Além do tratamento medicamentoso, é indicado fisioterapia para que a pessoa com espondilite anquilosante mantenha um programa de exercícios posturais e respiratórios, com a finalidade de fortalecer os músculos e favorecer a mobilidade das juntas.
É importante ressaltar que os medicamentos expostos aqui são os mais comumente usados para tratar espondilite anquilosante, mas apenas o médico que está acompanhando o paciente poderá prescrever essas ou outras medicações, assim como combinações de remédios indicados para seu caso clínico. A automedicação atrapalha o tratamento, pode piorar os sintomas e interfere no diagnóstico correto.
Entre os medicamentos de primeira linha estão os anti-inflamatórios não hormonais. Na falha ou contra indicação destes, existe a necessidade de utilizarmos as medicações biológicas, que são proteínas que lutam contra algumas substâncias, como o fator de necrose tumoral, mantendo conjuntamente ou não os anti-inflamatórios não hormonais.
Convivendo (prognóstico)
Convivendo/ Prognóstico
Desde que a espondilite anquilosante seja tratada cedo, e se faça bastante fisioterapia, o prognóstico é muito bom, sendo possível controlar a sua progressão e manter o paciente apto no exercício das suas funções.
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Complicações possíveis
São várias as complicações que a espondilite anquilosante pode causar, especialmente caso não seja tratada ou o diagnóstico seja muito tardio. O curso natural da doença não tratada pode fazer com que a pessoa fique com a coluna completamente fundida, dura, perdendo toda a sua mobilidade, além de ficar com uma deformidade importante na região.
Algumas pessoas podem apresentar problemas na válvula aórtica (insuficiência aórtica) e problemas nos batimentos cardíacos. Outros pacientes podem desenvolver fibrose pulmonar ou doença pulmonar restritiva.
Espondilite anquilosante tem cura?
A evolução da espondilite anquilosante é variável conforme a sua apresentação em surto isolado, vários surtos ou um surto continuo atingindo diversos segmentos da coluna de forma progressiva.
O principal para um bom prognóstico é o diagnóstico correto precoce e a aderência ao tratamento medicamentoso e fisioterápico, podendo ocorrer controle total ou parcial da progressão da doença e ou remissão clínica - ou seja, que a doença volte - evitando sequelas e limitação funcional. Porém o retardo no diagnostico ou falha no tratamento, seja por má resposta terapêutica e ou aderência, poderá levar um jovem à incapacidade física precoce.
Prevenção
Prevenção
Não há formas conhecidas de prevenção de espondilite anquilosante. A conscientização sobre os fatores de risco pode possibilitar a detecção precoce e o tratamento adequado desde cedo, fazendo com que seja possível prevenir ou retardar as complicações mais graves da doença.
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Referências
Revisado por: Celio Roberto Gonçalves, presidente da Comissão de Espondiloartrites, da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), médico assistente doutor no HCFMUSP, na Disciplina de Reumatologia e Chefe da Unidade Ambulatorial de Espondiloartrite. É Mestre e Doutor em Reumatologia pela FMUSP - CRM: 20383/SP.
Lucien Henri, reumatologista do Hospital Samaritano de São Paulo - CRM: 62618/SP.
Daniel Feldman Pollak, reumatologista do Hospital Israelita Albert Einstein - CRM: 40770/SP.
Sieper J et al. Ann Rheum Dis 2009 68 suppl II ii1-ii44
Rudwaleit M, van der Heijde D, Landewé R,et al.Ann Rheum Dis. 2011;70:25-31.
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Rausch Osthoff AK, Niedermann K, Braun J,et al. Ann Rheum Dis. 2018;77:1251-1260.
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