Ingestão dos ômegas 3 e 6 deve ser equilibrada

Quando desequilibrada, leva a maior incidência de doenças como câncer

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 05/10/2011

Simone Cardoso Freire
Nutrição - CRN 1111/SP

Existe uma grande distribuição de óleos e gorduras no reino animal e vegetal. No entanto, a preocupação atual vem sendo em relação à proporção do consumo entre as gorduras determinadas de ômega 6 e ômega 3, devido ao seu desequilíbrio na alimentação moderna. A alimentação antes da industrialização continha proporções de ômega 6 e ômega 3 de 1:1 chegando até 2:1 - sendo esses valores adequado à saúde humana, pois o equilíbrio entre esses dois tipos de "gorduras" confere um efeito metabólico protetor ao organismo. Entretanto com o grande aumento de alimentos industrializados - óleos refinados, baixo consumo de alimentos de origem vegetal e pescados e frutos do mar -, esta proporção passou a valores de 10:1 , 20: 1 chegando até 50:1 , sendo este fato extremamente prejudicial à saúde do homem, principalmente porque mantém relação com o surgimento de doenças cardíacas e câncer.

 

A preocupação atual vem sendo em relação à proporção do consumo entre as gorduras determinadas de ômega 6 e ômega 3, devido ao seu desequilíbrio na alimentação moderna.

Populações que apresentam consumo de frutas, vegetais, nozes, cereais, azeite de oliva, queijo, peixe e moderada quantidade de vinho, consequentemente, também apresentam quantidades adequadas de: selênio - um mineral considerado antioxidante -, glutationa - que está presente nos peixes e é extremamente importante para equilibrar a razão entre os ácidos graxos ômega 6 e ômega 3 -, altas quantidades de fibras, resveratrol - também com função antioxidante -, e polifenois - provindos do azeite de oliva e ainda vitaminas C e E. Todos esses compostos são importantes para proteger o organismo contra radicais livres, e consequentemente diminuir os riscos de doenças crônicas não transmissíveis. A presença desses alimentos na alimentação do homem pode ter relação com efeitos protetores, pois quando se compara populações que fazem o uso desses alimentos com populações que mantém um padrão de alimentação ocidental, o último grupo apresenta mais doenças, comparado ao primeiro. 

Os valores sugeridos para um bom equilíbrio entre as quantidades de ômega 6 e ômega 3 na alimentaçao, é descrito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) juntamente à Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), que recomendam a razão de (5:1) podendo chegar até (10:1). Para conseguir cumprir esses valores, os pesquisadores Simopoulos & Robinson (1)  publicaram em (1999) condutas que podem ser encontradas no Guia Dietético para Dieta do Ômega em Sete Etapas. Entretanto, devem estar associadas a uma alimentação bem planejada, pensando nos aspectos entre consumo e gasto de energia, exclusão de alimentos fabricados com gordura hidrogenada, boa variedade e proporcionalidade de todos os alimentos consumidos, para que juntamente com as Sete Etapas abaixo possam manter equilíbrio entre a produçao de radicais livres e a ação dos antioxidantes:

1 - Escolher alimentos ricos em acido graxo ômega 3, como peixes gordurosos (salmão, atum, truta arenque e cavala), nozes, óleo de canola, linhaça e vegetais verdes;
2 - Usar óleos monoinsaturados, como azeite de oliva e óleo de canola;
3 - Comer sete ou mais porções de frutas e vegetais por dia;
4 - Coma mais proteínas vegetais, inluindo ervilhas, feijões e nozes;
5 - Evitar carnes gordas e produtos lácteos com alto teor de gordura devido a presença de gordura saturada;
6 - Evitar óleos ricos em ômega 6, como: milho, cártamo, girassol, soja e óleos de algodão;
7 - Reduza a ingestão de gordura trans, "trocando" os seguintes produtos: margarina, gordura vegetal, preparações de pastelaria, frituras, snacks e alimentos processados.

(1) Simopoulos, A. P. & Robinson, J. (1999) The Omega Diet. The Lifesaving Nutritional Program Based on the Diet of the Island of Crete. HarperCollins, New York, NY

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