Comportamento agressivo pode ser causado por cisto

Alterações no hemisfério esquerdo do cérebro trazem distúrbios de humor

Por Especialista - publicado em 09/09/2010


Andrew era um menino muito feliz e ativo, mas aos oito anos sua personalidade mudou drasticamente. Tornou-se agressivo, deprimido e passou a apresentar comportamentos suicidas e homicidas. Este menino foi um caso atendido e descrito por Daniel Amen, neurocientista e psiquiatra, em seu livro "Transforme seu Cérebro Transforme sua Vida".

É comum atribuir estados de humor e atitudes a personalidade de um sujeito. Contudo, o desenvolvimento da neurociência e da medicina nuclear permitem uma nova perspectiva através da visualização do cérebro com o MRI e o SPECT (imagem de ressonância magnética e tomografia computadorizada por emissão de fóton único respectivamente). Daniel Amen é um dos principais pesquisadores nesta área. 

"O cérebro é a sede do somos e fazemos. Compreendê-lo significa compreender a nós mesmos e nossas possibilidades de mudança"

Andrew não tinha histórico que justificasse sua características, como abuso e maus tratos. Daniel Amen decidiu conhecer o cérebro de Andrew através do SPECT e MRI e descobriu que faltava uma parte no cérebro do garoto.

Uma região do hemisfério esquerdo fora deslocada e ocupada por cisto (um saco cheio de fluido) do tamanho de uma bola de golfe. A região ocupada deveria apresentar o lobo temporal esquerdo. Esta região quando afetada traz alterações significativas do humor, problemas de memória e aprendizado.

Ao perceber a situação de Andrew, Daniel Amen procurou colegas da neurologia que pudessem remover o cisto. Para sua surpresa, a maioria dos colegas não via sentido em retirá-lo, pois Andrew não apresentava "sintomas reais", como convulsões e problemas de fala. Depois de muita procura, o psiquiatra encontrou um neurocirurgião que concordou em remover o cisto.  

Logo depois da cirurgia, Andrew sorriu para sua mãe. Algo que não fazia há mais de um ano. Sua agressividade, estados depressivos e tendências homicidas e suicidas desapareceram. Voltou a ter um comportamento típico de uma criança da sua idade.

Informações como estas precisam ser difundidas para melhorar a qualidade vida, dos atendimentos, recursos e principalmente mudar paradigmas relacionados à personalidade. Este e muitos outros casos mostram que o cérebro é a sede do somos e fazemos. Compreendê-lo significa compreender a nós mesmos e nossas possibilidades de mudança. Uma criança perigosa pode ser uma criança que não tem as menores condições físicas de controlar seu comportamento, apesar de todos os seus esforços nesse sentido. 


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Giovana

Escrito por:

Giovana Tessaro

Psicologia

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