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Diabetes gestacional afeta vida da mãe e do bebê

O acompanhamento médico deve começar a ser feito logo no início da gravidez

Por Especialista - publicado em 10/12/2010


O diabetes gestacional é aquele diagnosticado durante a gestação. Segundo um estudo americano publicado em 2008 no The New England Journal of Medicine, 18% das mulheres grávidas são diagnosticadas com diabetes durante a gestação.

A doença se caracteriza pelo aumento do teor de açúcar no sangue, com consequências que podem ser graves tanto para a mãe quanto para o feto. E traz a necessidade de investigação sobre os possíveis fatores de risco.

O diabetes ocorre quando o pâncreas - órgão responsável pela produção de insulina - não é capaz de cumprir sua tarefa de metabolizar quantidade suficiente de açúcar circulante no sangue.

Por conta da atuação dos hormônios da gestação, há uma chance maior do desenvolvimento de diabetes durante a gravidez. Além disso, na gravidez, é comum a mulher diminuir a prática de atividade física e, muitas vezes, ocorre um considerável aumento de ingestão calórica. 

Como é feito o diagnóstico
O índice glicêmico é determinado por um número de corte, que mede a quantidade de açúcar no sangue em mg/dL (miligramas por decilitro). O Consenso Brasileiro de Diabetes Gestacional lançou esse ano que um índice glicêmico maior que 85 mg/dL já é indicativo de diabetes.

Entre os exames de rotina do pré-natal, são solicitados alguns especificamente para rastrear a doença. Logo na primeira consulta de pré-natal, por exemplo, é pedido à mulher o primeiro teste, que vai medir a quantidade de açúcar no sangue em jejum.

Se o resultado do exame for normal (menos de 85 mg/dL) e a mulher não tiver fatores de risco, a médica só deverá solicitar uma nova avaliação quando a gestante estiver entre o quinto e sétimo mês (da 24ª à 32ª semana).

Se nesse primeiro teste o índice for de 85 a 125 mg/dL, a paciente terá que fazer o teste de tolerância à glicose com ingestão de 75 g da substância precocemente. Para este teste, são realizadas duas ou três coletas de sangue (uma em jejum, e as duas outras após 1 e 2 horas da ingestão de 75 g de glicose). Se o exame inicial em jejum der 126 mg/dL ou mais, é constatado o diabetes gestacional, e o tratamento deve ser iniciado. 

Fatores de risco
Na primeira consulta, antes mesmo dos exames iniciais, a obstetra avaliará se a futura mamãe apresenta fatores de risco para diabetes gestacional, tais como:

- Histórico de diabetes na família, principalmente em parentes de primeiro grau (pais, avós e irmãos);
- IMC (índice de massa corpórea) pré-gestacional maior que 30;
- Idade superior a 25 anos;
- Se, em uma gravidez anterior, o bebê nasceu com 4 kg ou mais;
-Histórico pessoal de intolerância à glicose;
- Perdas anteriores de bebês durante a gestação, sem causa aparente, ou nascimento de crianças com má formação também sem causa aparente;
- Açúcar na urina na primeira consulta de pré-natal;
- Ser portadora da síndrome dos ovários policísticos;
- Uso atual de medicações à base de corticóides;
- Ser hipertensa ou estar com hipertensão durante a gravidez;
- Diabetes gestacional em gravidez anterior. 

O diabetes é de alto risco para o bebê no período gestacional e neonatal.

Quem já é diabética e engravida
Quem é portadora de diabetes antes da gestação, tanto do tipo 1 quanto do tipo 2, precisará de um acompanhamento pré-natal mais rigoroso desde o início, pois se trata de uma gravidez de alto risco.

A mulher deverá realizar controles regulares da glicemia, o chamado perfil glicêmico, para ajustar as doses de insulina, se já fizer uso dessa medicação, ou averiguar a necessidade de começar a usá-la, caso ainda não o faça. Nesse caso, o ideal é que, além do acompanhamento da obstetra, a gestante passe também por consultas periódicas com o endocrinologista, para um trabalho em conjunto.

Tratamento foca controle do açúcar no sangue
Se o médico fizer o diagnóstico de diabetes gestacional, serão necessárias algumas medidas. Faz parte do tratamento uma dieta fracionada, que deve ser orientada pela obstetra juntamente com uma nutricionista, atividades físicas comandadas por um profissional sob supervisão da obstetra, e, eventualmente, o uso de medicação.

Mas tudo isso vai depender do resultado do perfil glicêmico. O objetivo é saber se dá para controlar o diabetes por meio de alimentação balanceada e exercícios físicos apenas, ou, então, se será preciso administrar insulina. O perfil glicêmico será realizado tantas vezes quanto a obstetra achar necessário para o controle do nível de açúcar no sangue da paciente, sendo, muitas vezes, necessária a internação hospitalar. 

Riscos para o bebê
O diabetes é de alto risco para o bebê no período gestacional e neonatal. Condições que ocorrem com maior frequência nas diabéticas e seus bebês incluem malformações congênitas, prematuridade, problemas respiratórios e complicações metabólicas como hipoglicemia (baixo nível de açúcar no sangue do bebê).

Os riscos para o bebê estão relacionados ao início e à duração da doença, assim como à sua gravidade durante toda a gestação. Esses riscos sofrem influência também de outras complicações da gravidez, como, por exemplo, pré-eclâmpsia (hipertensão arterial específíca da gravidez), que é duas vezes mais comum em pacientes diabéticas em comparação a gestações normais, e cuja ocorrência aumenta com a gravidade da doença. A pré-eclâmpsia é frequentemente associada ao parto prematuro, o que contribui também para complicações no recém-nascido.

Vale destacar, ainda, que o aumento do açúcar no sangue materno no início da gravidez conduz à elevação das taxas de abortos espontâneos e malformações fetais. Por outro lado, o desenvolvimento neurológico de bebês de mães diabéticas bem controladas é semelhante ao das crianças normais. No entanto, diabetes mal controlado pode resultar em anormalidades no desenvolvimento da criança. 

O parto pode ocorrer normalmente
Se os níveis do açúcar estiverem perto do normal e não houver outras complicações, o bebê poderá nascer naturalmente, com 9 meses, através de parto normal, inclusive.

Depois de dar à luz, a maioria das mulheres com diabetes gestacional voltará ao seu nível normal de açúcar no sangue. Porém, quem teve a doença durante a gravidez tem maior risco de desenvolver diabetes. Portanto, é necessário dar continuidade ao acompanhamento médico.

Prevenção
Um programa de cuidados antes mesmo de ficar grávida, com controle rigoroso da glicemia e do peso materno antes e durante toda a gravidez, pode diminuir os riscos de aborto e malformações fetais, entre outras complicações decorrentes do diabetes.

Então, ressalto a importância do pré-natal de consulta médica durante o planejamento da gestação. O controle glicêmico rigoroso durante a gravidez está associado a menores taxas de mortalidade perinatal. O risco pode ser reduzido drasticamente pelo controle da glicemia durante a gravidez. 



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 Barbara Murayama

Escrito por:

Barbara Murayama

Ginecologia e obstetrícia

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