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Anticoagulantes regulam a "espessura" do sangue?

Dieta pode sobrecarregar os efeitos do medicamento e causar problemas

Por Especialista - atualizado em 23/10/2013


Atualmente, muitas pessoas têm de utilizar medicações para "afinar" o sangue. Mas o que isso quer dizer?

O sangue circula livremente por todo o corpo e é um líquido viscoso. Entretanto, quando machucamos o dedo cortando uma salada o sangue sai fluido e endurece/coagula assim que toca o chão da cozinha. Se o corte for pequeno, depois de um tempo de pressão o dedo para de sangrar e o sangue na borda do corte também está coagulado. Como isso acontece?

Dentro do corpo o sangue se mantém fluido através de um delicado mecanismo chamado de hemostasia. Ele tem de ficar líquido o bastante para que as células circulem livremente e não haja interrupção no caminho das hemácias que levam oxigênio para o corpo. Isso é feito através de anticoagulantes naturais do sangue, secretados pelo próprio corpo, mas o sangue tem que estar pronto para ficar duro e tampar qualquer vazamento importante (como o corte no dedo do cozinheiro acima). Isso vem do contato do sangue com algumas células lesadas e da falta destes anticoagulantes naturais.  

A pessoa que usa anticoagulantes não está impedida de praticar exercícios aeróbicos. Na verdade, deve fazer isso.

Este delicado equilíbrio pode ser afetado causando sangramento excessivo (por exemplo: hemofilia) ou coagulação do sangue dentro dos vasos sanguíneos (por exemplo: infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral - o "derrame", trombose venosa profunda).

Quando já aconteceu uma trombose (quando coagula o sangue e ele fica parado, formando um trombo) ou embolia (quando o trombo se solta do seu lugar de origem e vai entupir algum lugar longe dali) ou a pessoa está em risco aumentado de ter trombose, inicia-se tratamento anticoagulante ou antiagregante.

Um tipo de prevenção é tratando as plaquetas. As plaquetas são a primeira linha de defesa do organismo, e a intervenção delas é chamada antiagregação (contra a agregação das plaquetas). A aspirina (AAS, ácido acetil-salicílico), a ticlopidina e o clopidogrel são remédios que agem nas plaquetas, evitando o início da formação do trombo. Têm efeito até 7 dias após a última dose (por isso importante avisar em caso de cirurgias). O AAS não raro provoca azia e queimação e pode ser substituído em algumas pessoas por AAS com proteção gástrica sem prejuízo do efeito. Alergia ao AAS é incomum, mas pode ocorrer. Geralmente, ele é substituído por outro antiagregante com eficácia semelhante. 

Os anticoagulantes mais utilizados no Brasil são a Varfarina e a femprocumona. Os dois agem no fígado, e evitam que a vitamina K, presente principalmente nas folhas verdes, abacate e outros alimentos, seja utilizada pelo corpo para produzir coagulantes. A diferença entre um e outro, principalmente, são o tempo que eles levam para perder o seu efeito: a femprocumona demora mais que a varfarina para sumir do corpo.

O maior problema destas medicações é que precisam de controle rigoroso de quanto o sangue está "coagulável". Se muito "fino", sangramentos graves podem ocorrer. Se muito "grosso", a medicação fica sem efeito. Isso pode variar de um dia para o outro.

Os dois fatores que mais causam variação do INR (o exame de sangue que usamos para ver se a coagulação está correta) são:


1- dieta:
folhas verdes são ricas em vitamina K. A ingestão aumentada de alimentos ricos nessa vitamina "sobrecarrega" o efeito do remédio, e esse não consegue mais conter a formação de coagulantes. O mais importante, no entanto, não é evitar completamente de comer folhas. É evitar variar a dieta dia a dia. Por exemplo: se você gosta de folhas, coma a mesma quantidade todos os dias. Se não come, não invente de comer uma tigela de salada uma vez por semana. Isso vai fazer com que seu sangue fique dia fino, dia grosso, e isso causa as complicações.

2- interação medicamentosa: muitos remédios usam o fígado como via de saída do corpo ou local de passagem. Alguns "cortam" o efeito do anticoagulante e outros aumentam. Sempre confira com seu médico quais os remédios que você pode tomar em caso de dor, gripe ou febre, por exemplo. Se for viajar, leve consigo uma opção de tratamento para os problemas mais comuns que não interfira com o anticoagulante.

Exercícios: eles são permitidos?

A pessoa que usa anticoagulantes não está impedida de praticar exercícios aeróbicos. Na verdade, deve fazer isso. É importante, no entanto, respeitar as limitações de qualquer outra doença co-existente. Os esportes de contato (lutas, futebol) devem ser observados com reservas. Isso porque uma pancada em uso de anticoagulante pode ter conseqüências graves, porque o sangue naquele lugar que faria um pequeno galo pode não coagular, e virar um AVC ou sangue dentro da articulação (hemartrose). Assim, eu recomendaria evitar estes esportes pelo risco de trauma corporal.

Qualquer sinal de alerta (fezes negras, vômitos tipo em borra de café, sangramento na urina) avise seu médico imediatamente. Converse com ele sobre alternativas em caso dele não estar disponível (vou para o pronto socorro? Telefono para algum colega?).Enfim, você deve viajar, praticar exercícios e, tomando seus cuidados, ter uma vida longa e cheia de realizações. 



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