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Confira mitos e verdades sobre o uso de bombinhas de asma

Uso do medicamento deve ser feito sempre com acompanhamento médico

Usar bombinhas de asma faz mal à saúde? O uso frequente do aparelho pode criar dependência? A médica Lidia Torres, mestre e doutora em pediatria e chefe do serviço de pneumologia pediátrica da FMRP-USP, esclarece alguns dos principais mitos que giram em torno desse medicamento.

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Segundo Lidia, o preconceito contra as bombinhas de asma começa logo no nome. Ainda que no diminutivo, a palavra "bomba" é sempre associada a eventos negativos, como mortes e explosões. Entretanto, o aparelho nada mais é do que um spray ou um inalador dosimetrado, ou seja, que quando acionado, libera uma pequena dose da substância presente em seu interior.

Outro provável motivo é o alto índice de mortalidade registrado anos atrás pelo uso do medicamento. A causa das mortes se dava devido a uma droga chamada fenoterol, que agia como broncodilatador, aumentando a passagem de ar pelos brônquios. "Atualmente, ela é proibida na maioria dos países, porém, no Brasil, o uso continua liberado, mas somente sob supervisão médica", explica Lidia. Por fim, a morte de pessoas portadoras da asma está relacionada à prática de se utilizar apenas os broncodilatadores no tratamento.

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A doutora conta que, embora existam bombinhas que já incluem um antiinflamatório, a maioria dos médicos costuma receitar dois remédios a esse tipo de paciente: o spray dosimetrado e um medicamento com corticóide para combater as inflamações nos brônquios.

Entretanto, como o primeiro dá a sensação de alívio imediato e o outro parece não fazer qualquer efeito, as pessoas acabam dispensando seu uso. "Assim, com o tempo, você passa a ter uma piora no controle da asma, utilizando cada vez mais doses da bombinha para obter um mesmo efeito", alerta a pediatra. Com isso, surge a crença de que o aparelho cria dependência, quando, na verdade, isso é resultado de uma decisão aleatória do paciente.

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Asma - Foto Getty Images
Asma

Como surge a asma

"A asma é uma doença que começa quando você tem contato com alguma substância do ambiente que desencadeia um processo inflamatório no seu organismo", explica Lidia Torres. Isso significa que, se você é alérgico a ácaros, pêlos de animais, poluição, entre outros exemplos, já tem o pré-requisito para se tornar um portador da asma.

Mas calma, entenda bem: alergia é apenas uma reação exagerada do organismo a estímulos externos; a asma é essa mesma resposta, porém, em um estágio muito mais avançado, com sintomas de tosse constante, chiados no peito e falta de ar.

Para prevenir, vale evitar contato com aquilo que estimula negativamente o seu corpo e ir ao médico regularmente. "Quanto antes o problema for diagnosticado, mais fácil será o tratamento", esclarece a pediatra Lidia.

Espaçador - Foto Getty Images
Espaçador

Importância do espaçador

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A doutora Lidia recomenda que até adultos utilizem espaçadores - câmaras que se encaixam no spray para conter o medicamento em um espaço limitado - no momento de usar o broncodilatador. Segundo ela, o aproveitamento da droga com o uso do equipamento é muito melhor.

Por outro lado, não há opção em crianças. O espaçador é essencial. A pediatra sugere ainda que, se possível, no momento da compra, os pais optem pela de metal, que não cria energia estática. A plástica tem esse efeito, fazendo com que o medicamento seja atraído para as paredes do espaçador, ao invés de entrar no sistema respiratório da criança.

Efeitos colaterais

"Desde as pessoas mais simples até as mais instruídas têm a ideia consolidada de que usar a bombinha de asma é ruim e pode matar", conta a doutora. Mas, segundo o presidente da ABRA-SP, Clóvis Galvão, não há qualquer indício de que seu uso faça mal ou vicie.

Não fazer mal, entretanto, não significa que não cause efeitos colaterais. O uso de broncodilatadores, de fato, aumenta os batimentos cardíacos. Contudo, o acontecimento é não só inevitável como necessário para que haja a abertura dos brônquios.

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A pediatra brinca ainda que, na maioria dos casos, depois que se perde o preconceito contra a bombinha, as pessoas têm dificuldade em abandonar seu uso, quando permitido pelo médico. Isso porque o medicamento traz um conforto tão grande que elas ficam com medo de não tê-la por perto caso precisem.