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Depressão: uma doença sistêmica

O mal silencioso rouba os seus dias e a sua saúde

Por Especialista - publicado em 20/08/2007


A depressão é uma síndrome caracterizada por manifestações psíquicas (tristeza, perda do interesse, incapacidade de sentir prazer, baixa auto-estima, pessimismo, dificuldade de memória/concentração, ideação suicida, sentimentos de culpa) e físicas (fadiga, falta de energia, indisposição, alterações de peso - aumento ou perda -, alterações de apetite - aumento ou perda -, alterações de sono - insônia ou sonolência excessiva).

Tais sintomas devem ser persistentes (pelo menos duas semanas de duração) e causar uma interferência significativa no funcionamento do indivíduo, seja na esfera social, profissional ou familiar. Uma em cada cinco pessoas terá pelo menos um episódio depressivo ao longo da vida. Estima-se que, por volta do ano de 2020, a depressão será a segunda causa de
perda de produtividade, sendo superada apenas pelas doenças cardíacas. Deste modo, a depressão se apresenta como um dos mais graves problemas de saúde pública na atualidade e, dada a crescente exposição a fatores de estresse, supõe-se que haja um aumento progressivo na incidência e gravidade de tais casos em um futuro próximo.


Contrariando teorias que se estabeleceram por mais de um século, a depressão não se trata apenas de uma doença psíquica, uma tristeza persistente e reativa a situações adversas da vida atual ou pregressa. Evidência acumulada de estudos desenvolvidos por diversos centros de pesquisa têm demonstrado que a depressão é uma doença sistêmica, ou seja, uma doença que atinge o organismo como um todo. Além das já bem estabelecidas alterações cerebrais, tais como alterações de neurotransmissores (serotonina, noradrenalina e dopamina) e atrofia de algumas estruturas cerebrais, o indivíduo com depressão tem várias repercussões em diferentes órgãos. Estudos recentes têm demonstrado que a mortalidade por qualquer causa encontra-se significativamente aumentada entre pessoas que sofrem de depressão.

O risco de eventos cardíacos graves (por exemplo, infarto agudo do miocárdio) é o dobro para pessoas deprimidas em comparação a indivíduos sem história de depressão. Esta também aumenta o risco de morte após infarto agudo do miocárdio, de angina instável e risco pós-cirúrgico para tratamento de obstrução de artérias coronarianas. Outras doenças, incluindo diabetes, osteoporose, hipertensão arterial e Doença de Alzheimer também ocorrem mais freqüentemente em indivíduos que sofrem de depressão. Doenças gastrointestinais, como úlcera péptica e síndrome do cólon irritável, também têm sua incidência aumentada. Antigas teorias defendiam que o aumento da prevalência de doenças físicas em pacientes deprimidos estava relacionado às limitações impostas pelas doenças físicas em questão. Porém, estudos epidemiológicos recentes têm refutado tal hipótese, visto que a depressão precede tais doenças na maioria dos casos.

Outra importante fonte de problemas relacionados à saúde em pessoas com depressão está relacionada às diversas alterações metabólicas presentes durante o curso da doença. A obesidade é o principal fator de risco passível de modificação (o fator hereditário, por exemplo, não pode ser modificado) para a ocorrência de diversas doenças, incluindo as doenças coronarianas. Ainda, a obesidade tende a se agrupar com vários outros fatores de risco para doenças coronarianas, incluindo diabetes, hipertensão e aumento do colesterol sanguíneo. Juntos, estes fatores têm sido descritos como síndrome metabólica , a qual tem se mostrado importante, ao mesmo tempo, no desencadeamento e agravamento das doenças cardíacas. Além 
da síndrome metabólica, há importantes alterações hormonais na depressão, sendo a principal delas um aumento persistente dos níveis de cortisol, uma espécie de corticóide produzido pelo próprio organismo. A elevação persistente deste hormônio ou mesmo a administração prolongada de corticóides encontra-se associada a diversos



problemas de saúde.


Concluindo, a depressão é uma doença sistêmica cuja elevada taxa de mortalidade não está associada apenas à elevação no risco de suicídio, mas às diversas doenças clínicas associadas. A boa notícia é que existem tratamentos eficazes para a depressão e os investimentos em pesquisa para o desenvolvimento de novas moléculas com propriedades antidepressivas têm sido crescentes. Ainda, o tratamento adequado da depressão (o que é sinônimo de uma melhora completa de todos os sintomas supracitados) reverte os riscos de doenças físicas e os seus danos conseqüentes.




O que costuma fazer para superar os momentos de tristeza ou desânimo?

Dr. Acioly Lacerda é psiquiatra especialista em em Neuroimagem, ressonância magnética estrutural e neuropsicologia. Atua como professor da pós-graduação da Universidade Federal de São Paulo e realiza atendimentos em psiquiatria clínica no Instituto Sinapse

Para saber mais, acesse:  www.institutosinapse.org



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 Acioly Lacerda

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Acioly Lacerda

Psiquiatria

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