Transtorno obsessivo-compulsivo

Visão Geral

O que é Transtorno obsessivo-compulsivo?

O transtorno obsessivo-compulsivo, conhecido popularmente pela sigla TOC, é um distúrbio psiquiátrico de ansiedade descrito na quinta edição do Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais, o DSM-V (no termo em inglês). Sua principal característica é a presença de crises recorrentes de obsessão e compulsão.

Analogicamente falando, uma pessoa com TOC é como um disco riscado, que repete sempre o mesmo ponto daquilo que está gravado. Pacientes deste distúrbio sofrem com imagens e pensamentos que os invadem insistentemente e, muitas vezes, sem que a pessoa possa controlá-los. Para essas pessoas, a única forma de controlar esses pensamentos e a própria ansiedade é por meio de um ritual, que pode ser repetido muitas vezes ao longo do dia. Esse ritual é chamado de compulsão, um tipo de comportamento irracional e repetitivo que segue um padrão de regras e etapas extremamente rígido, geralmente pré-estabelecido pela própria pessoa.

É muito comum que pacientes com TOC acreditem que, se deixarem de cumprir o ritual, algo terrível poderá acontecer. Esse comportamento tende a agravar-se à medida em que a doença evolui. Por isso, o diagnóstico e o tratamento precoces são muito importantes e essenciais para a recuperação.

Estudos epidemiológicos coordenados pela Organização Mundial da Saúde mostram que aproximadamente 1 a 2% da população mundial tenha TOC. No Brasil, são cerca de quatro milhões de pessoas sofrendo com este distúrbio psiquiátrico.

Tipos

Existem dois tipos de TOC: o transtorno obsessivo-compulsivo subclínico, caracterizado pelas obsessões e rituais que se repetem com frequência - mas que não interferem na qualidade de vida da pessoa e de quem está ao seu redor -, e o transtorno obsessivo-compulsivo propriamente dito, cuja ansiedade só pode ser aliviada e controlada por meio dos rituais, que são repetidos compulsivamente e que chegam a atrapalhar diretamente na vida de quem sofre com a doença e de pessoas próximas.

Causas

Os médicos ainda não são capazes de entender completamente o que está por trás do transtorno obsessivo-compulsivo, mas as principais teorias que cercam as causas da doença dizem respeito a três fatores: a biologia, a genética e o meio ambiente.

Alguns pesquisadores acreditam que o TOC pode ser resultado de alterações ocorridas no corpo ou no cérebro da pessoa. Outros estudos apontam o distúrbio para uma pré-disposição genética – muito embora os genes que estariam eventualmente envolvidos não tenham sido identificados até agora.

Fatores ambientais, como infecções, também parecem estar envolvidos. Pesquisas adicionais, no entanto, ainda precisam ser realizadas para corroborar essa hipótese.

Fatores de risco

Os principais fatores capazes de aumentar o risco de uma pessoa desenvolver o transtorno obsessivo-compulsiva incluem histórico familiar, como ter algum membro próximo da família com diagnóstico positivo de TOC, e acontecimentos traumáticos e estressantes que tenham ocorrido na vida da pessoa, como a morte de um ente querido ou um acidente grave.

TOC atinge a mulheres e homens na mesma proporção e, na maioria dos casos, a doença surge durante a infância ou nos primeiros anos da adolescência e vida adulta.

Sintomas

Sintomas de Transtorno obsessivo-compulsivo

Os principais sinais e sintomas do transtorno obsessivo-compulsivo consistem basicamente em duas partes, que dão nome à doença: obsessão e compulsão. No entanto, é comum encontrar pessoas que desenvolvam apenas um dos tipos de sintomas.

Sintomas de obsessão

Uma obsessão, dentro do transtorno obsessivo-compulsivo, consiste em uma série de imagens, pensamentos e ideias que vêm à cabeça da pessoa insistente e repetidamente, sem que ela possa controlar. Geralmente, a obsessão vem seguida da compulsão, que nada mais é do que uma forma de se livrar da própria ansiedade por meio de rituais e comportamentos repetitivos. No entanto, a obsessão em uma pessoa com TOC também pode manifestar-se isoladamente. Os casos obsessivos mais comuns na doença são:

  • Obsessão por limpeza, que são, geralmente, resultado de um medo irracional de contaminação ou sujeira.
  • Fixação por uma organização rígida, que segue obrigatoriamente uma determinada ordem e simetria.
  • Pensamentos agressivos, de autoagressão ou outros pensamentos de carga negativa.
  • Pensamentos indesejados, incluindo de temas sexuais ou religiosos.

Sintomas de compulsão

Em pessoas com TOC, compulsões são comportamentos repetitivos que o paciente se sente compelido a executar para controlar, prevenir ou reduzir a ansiedade causada pelas obsessões ou, ainda, para impedir que algo terrível aconteça. O cumprimento dos rituais característicos do TOC, no entanto, não trazem prazer para a pessoa, sendo capaz de reduzir a ansiedade apenas temporariamente.

Os sintomas de TOC geralmente começam gradualmente e oscilam em intensidade e gravidade durante toda a vida do paciente – dependendo, também, da eficácia do tratamento. Os picos geralmente acontecem quando a pessoa está vivenciando um período de estresse intenso.

Alguns pacientes são capazes de compreender que suas obsessões e compulsões não fazem sentido, mas nem sempre é o caso. Sobretudo crianças têm dificuldade em reconhecer o que está errado.

Diagnóstico e Exames

Buscando ajuda médica

Os sintomas relacionados ao TOC não são simples preocupações com organização, limpeza ou ordem. Muitas pessoas tendem a confundir práticas comuns e cotidianas, como levantar sempre do lado direito da cama, manter a casa limpa e os copos dispostos sempre numa mesma ordem com sinais e sintomas típicos do transtorno obsessivo-compulsivo. Isso é um engano.

Pessoas com TOC desenvolvem essas características de forma muito mais incisiva, deixando, muitas vezes, que essas práticas possam interferir na qualidade de vida. E é estritamente a isso que você deve se basear quando decidir buscar a ajuda de um especialista.

Se for pai ou mãe de uma criança que esteja apresentando esses sinais, procure um médico também. Quanto mais cedo o tratamento começar, melhor para o paciente.

Na consulta médica

Entre os especialistas que podem diagnosticar o transtorno obsessivo-compulsivo estão:

  • Clínico geral
  • Psiquiatra
  • Psicólogo
  • Neurologista
  • Pediatra

Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

  • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
  • Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade

O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

  • Quando os sinais e sintomas começaram?
  • Qual a intensidade destes sinais?
  • Com que frequência você apresenta essas crises de obsessão e compulsão?
  • Você se considera uma pessoa perfeccionista?
  • Quais são os seus rituais mais comuns?
  • Você mantém hábitos diários? Quais?
  • Esses rituais já interferiram diretamente em sua vida? De que forma?
  • Você já foi prejudicado em qualquer aspecto por esses pensamentos ou comportamentos? De que forma?
  • Você já procurou assistência médica antes?
  • Você faz uso de algum tipo de medicamento?
  • Você foi diagnosticado com alguma condição de saúde física ou mental? Qual? Está fazendo tratamento?
  • Os sinais foram piorando com o passar do tempo ou mantiveram-se estáveis?
  • Outras pessoas já repararam nos sinais de compulsão que você apresentou?

Diagnóstico de Transtorno obsessivo-compulsivo

Para ajudar a diagnosticar uma pessoa com TOC, o médico ou especialista em saúde mental pode solicitar a realização de determinados exames e testes, incluindo:

Exame físico

O exame físico é feito no próprio consultório médico e serve, principalmente, para excluir possíveis outras causas dos sinais e sintomas que a pessoa manifestou – além, é claro, de complicações de saúde de um modo geral.

Testes de laboratório

Estes exames podem incluir, por exemplo, um hemograma completo, triagem para detectar a presença de álcool e outras drogas no organismo, além de um check-up geral, principalmente para medir a função da tireoide.

Avaliação psicológica

Um médico ou profissional de saúde mental poderá lhe fazer perguntas específicas sobre seus pensamentos, sentimentos, sintomas e padrões de comportamento. O especialista pode, também, querer falar com familiares e amigos próximos, a fim de entender melhor o que se passa.

Critérios de diagnóstico

Para ser diagnosticada com TOC, a pessoa deve atender a determinados critérios estabelecidos no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), publicado pela Associação Americana de Psiquiatria. Este manual é usado por profissionais de saúde mental de todo o mundo para diagnosticar doenças mentais e também por companhias de seguros para reembolsar pacientes e familiares pelos gastos com tratamentos.

Critérios gerais necessários para o diagnóstico de TOC incluem:

  • Apresentar obsessões, compulsões ou ambos
  • Perceber ou não que as obsessões e compulsões são excessivas e irracionais
  • Crises de obsessões e compulsões são longas e persistentes e interferem no funcionamento geral da rotina e na qualidade de vida, assim como nos desempenhos no trabalho e na vida social

Tratamento e Cuidados

Tratamento de Transtorno obsessivo-compulsivo

TOC não tem cura, mas o tratamento disponível para o transtorno pode ajudar a controlar os sintomas e evitar que eles interfiram ainda mais na qualidade de vida do paciente. Algumas pessoas precisam de tratamento para o resto da vida.

As duas principais abordagens de tratamento para TOC são a psicoterapia e o uso de medicamentos. No entanto, o tratamento é mais eficaz quando há uma combinação das duas.

Psicoterapia

A psicoterapia é considerada pelos médicos como uma das formas mais eficientes de tratamento para TOC. As técnicas psicoterápicas consistem em expor a pessoa gradualmente a situações em que, normalmente, ela lançaria mão de obsessões e compulsões para lidar. Esse processo continua até que o paciente consiga aprender maneiras saudáveis de lidar com a própria ansiedade, sem recorrer a essas características.

Medicamentos

Certos medicamentos psiquiátricos podem ajudar a controlar as obsessões e compulsões do TOC. Em geral, costuma-se optar primeiramente por antidepressivos. Outras medicações psiquiátricas podem ser usadas também para tratar TOC.

Convivendo (prognóstico)

Convivendo/ Prognóstico

O transtorno obsessivo-compulsivo é uma condição crônica que deve ser tratada pelo resto da vida. Por isso, é importante encontrar formas de tornar o tratamento e a convivência com esse transtorno o mais fácil possível. Seguir o tratamento à risca é a melhor maneira de lidar bem com a doença. Tome seus medicamentos conforme indicado pelo médico. Mesmo se você estiver se sentindo bem, siga as orientações e tome sua medicação regularmente. O uso ininterrupto dos medicamentos impedem que os sintomas de TOC sejam recorrentes.

Complicações possíveis

Indivíduos com transtorno obsessivo-compulsivo podem desenvolver complicações que não são necessariamente causadas pelo distúrbio. Veja:

Expectativas

O TOC é uma doença crônica para a qual não há cura. Os sinais e sintomas da doença oscilam entre períodos de melhora e piora. Não é comum, no entanto, que uma pessoa diagnosticada com este transtorno vivencie períodos sem absolutamente nenhum sintoma aparente. Por essa razão, é imprescindível que pacientes com TOC sigam à risca o tratamento recomendado. A qualidade de vida tende a melhorar muito com a psicoterapia aliada ao uso de medicamentos.

Prevenção

Prevenção

Não existem formas conhecidas de se prevenir o transtorno obsessivo-compulsivo.

Fontes e referências

  • Ministério da Saúde
  • Organização Mundial da Saúde
  • Instituto Nacional Americano de Saúde Mental
  • International OCD Foundation
  • OCD-UK
  • Anxiety and Depression Association of America
  • NHS Choices
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