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Moda sustentável inova o processo de criação e vira tendência

Preocupação com desperdício chama a atenção de designers e fabricantes

O mercado da moda sempre esteve relacionado ao consumo desenfreado e supérfluo, ou melhor, desnecessário, se pensarmos em trocas de coleções a cada estação. O fato é que todo mundo está mais consciente e buscando alternativas mais sustentáveis, desde a fabricação, distribuição até o aproveitamento das peças de roupa. O Brasil sempre foi um país de abundância em matérias primas orgânicas, como a palha, a ráfia e o algodão, tanto para compor acessórios, como bolsas, chapéus e bijuterias, quanto para tecer fios de texturas com a cara dos trópicos.

A boa notícia é que os tecidos naturais ganham a cada dia novas versões, a partir não só mais do algodão, mas da fibra do bambu, ou do curauá - extraído de uma bromélia da Amazônia. A grife brasileira Osklen, de forte ligação com a natureza, é um exemplo de quem privilegia esse diferencial. Apoiadora de outras iniciativas sustentáveis, a marca é também fundadora do Instituto-e, ONG que promove desenvolvimento através de ideias verdes. Peças de seda ecológica, acessórios de couro de peixe e malha de algodão com garrafa PET são alguns dos produtos encontrados nas prateleiras de suas lojas. A marca Billabong também apostou nos tecidos feitos com as embalagens de bebidas e lançou uma bermuda em parceria com a fabricante Schin. O modelo, com ar retrô, evita que seis garrafas tenham o lixo como destino.

Fique na moda sem prejudicar o meio ambiente - Foto: Getty Images
Fique na moda sem prejudicar o meio ambiente - Foto: Getty Images

Na maior semana de moda brasileira, o São Paulo Fashion Week, Alexandre Herchcovitch desfilou três peças feitas de tecido reciclado. Batizado de EcoSimple, ele reaproveita sobras das confecções que são desfiadas até virarem fibras de novo, e as junta a 20% de poliéster de garrafa PET para dar resistência. Uma pesquisa britânica revelou que se cada pessoa da Inglaterra (cerca de 50 milhões de habitantes, quase um quarto do Brasil) comprasse pelo menos uma peça de roupa feita com tecido reciclado por ano poderiam ser poupados 371 milhões de galões de água, 480 milhões de toneladas de corantes químicos e a quantidade de energia elétrica equivalente ao consumo médio de uma família por 12 anos.

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Reaproveitar peças que foram descartadas é uma forte tendência que tem tudo para virar realidade nos próximos anos. Alguns sugerem a onda dos empréstimos e os brechós acabam sendo ótima alternativa para aumentar os ciclos de vida útil de uma roupa de moda. Mas, no que depender dos designers da London Fashion Week, a reconstrução de peças deve se tornar o próximo sucesso das vitrines.

Brechó é ótima alternativa para aumentar os ciclos de vida útil de uma roupa

Processo de criação

O maior desafio para esses estilistas não é apenas reutilizar tecidos, mas conseguir se enquadrar às leis de consumo. Porque, nesse caso, o processo de criação é o inverso: não é mais o tecido que se adapta ao conceito, mas o conceito que precisa se adequar ao tipo de tecido disponível. "Também incentivo muito minhas clientes a pensarem em novas maneiras de usar uma peça mais antiga, que de repente saiu de moda ou a pessoa enjoou. Trocar botões, fazer reformas ou tingir são boas alternativas", sugere a consultora de moda e imagem Roberta Carlucci.

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A estilista Stella McCartney, famosa por seus recortes simples e modernos, sempre teve um viés ecológico. A linha que desenvolveu para Adidas, composta de tecidos orgânicos derivados do eucalipto, inclui calçados de lona natural, de borracha reciclada e com solas de polpa de madeira. Seu último desafio foi criar um modelo mais amigável para os chapéus da guarda da rainha, os bearskins. Tradicionalmente feitos de pele de urso, suas novas versões foram idealizadas em pelagem sintética.

Desenvolvida em laboratório
A chamada biocostura, método inovador na produção de tecidos, mistura genética e outras intervenções próprias de tubo de ensaio. A faculdade de moda mais famosa do mundo, a Central Saint Martins, em Londres, acaba de desenvolver fibras através da ideia básica de fermentar chá verde com açúcar usando bactérias que degradam a cafeína. Desse caldo, brotam pequenos fios que, aglomerados, formam placas de celulose tão finas quanto papiros.

Outra inovação, desenvolvida em um laboratório de Seul, na Coreia do Sul, foi a produção de fibras de teias de aranha por meio de bactérias. Como é difícil obter os fios das teias na natureza, já que as próprias aranhas acabam digerindo-as, os cientistas inserem os genes secretores da proteína da teia de aranha em bactérias comuns.

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