8 jeitos de reduzir a dor do parto

Respiração correta na hora do parto e exercícios durante a gravidez podem ajudar

Dizem que uma das maiores dores que existem é a de parto. Porém, o conceito de dor muitas vezes é relativo. "A pior dor é sempre a que eu estou sentindo, mas a dor em si é algo muito difícil de mensurar", pondera a ginecologista e obstetra Telma Regina Mariotto Zakka, especialista em dor e coordenadora do Comitê de Dor Urogenital da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED).

Para a especialista, o mito vem desde a época em que a medicina ainda estava no início e as condições de nascimento ainda eram mais precárias e difíceis, com partos mais longos e mais riscos de morte para mãe e bebê.

"É um trabalho árduo do corpo da mulher e dificilmente vai acontecer sem que ela sinta absolutamente nada. A dor não é algo ruim, vejo como a mais verdadeira demonstração de que estamos vivas e do quanto somos fortes", enfatiza Samara Barth, doula e consultora perinatal.

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No entanto, o obstetra Claudio Basbaum explica que o corpo da mulher é preparado para lidar com estas dores. "O parto normal é uma condição fisiológica durante o qual vão sendo liberadas substâncias analgésicas que criam um estado especial de consciência na mulher para que ela tolere este processo natural", detalha.

A dor ocorre principalmente devido às contrações para empurrar o bebê. "Uma cólica menstrual provoca dor, pois o útero precisa se contrair para expelir o sangue, imagine então a força de um útero com mais volume, para expulsar um bebê inteiro?", explica o obstetra Marcelo Burlá.

Existe um fator que até hoje pode piorar a dor de parto: o medo do que vai acontecer. "Se a mulher chegar assustada para o momento de dar a luz e não souber como vai ser, ela vai ter mais dor, por estar tensa diante do desconhecido", considera a obstetra Barbara Murayama. Além disso, a dilatação do colo também pode ser dolorosa, por ser grande. "Em geral no primeiro nascimento ele primeiro diminui, ficando com a circunferência de um dedo, e dilata até cerca de 10 centímetros de diâmetro", considera o especialista.

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Mas não se preocupe! Existem técnicas para reduzir a dor e algumas delas são bem diferentes. Confira as mais comuns a seguir:

1 - Ter um acompanhante

A melhor forma de enfrentar o desconhecido é ter alguém amado ao seu lado, seja o parceiro, os pais ou alguma pessoa querida de quem está dando à luz. "Imagine chegar a um ambiente desconhecido e ficar ali sozinha? Existe até legislação dizendo que a mulher tem direito a um acompanhante na hora do parto", frisa a ginecologista e obstetra Telma Regina Mariotto Zakka, especialista em dor e coordenadora do Comitê de Dor Urogenital da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED). Ela ressalta, inclusive, que em muitos lugares a equipe médica pode ser hostil ou mal educada com a gestante, e ter alguém junto intimida esse tipo de ação.

Para o obstetra Marcelo Burlá, por mais que a paciente crie um vínculo com seu médico, o foco do profissional será o resultado do parto, e o acompanhante portanto tem um papel maior no conforto da paciente. Mas é importante que essa pessoa esteja preparada para ajudar, e acompanhe o pré-natal de perto pelos nove meses. "Para que entenda as fases do trabalho de parto, qual a interação com médico, quais os exames que serão feitos antes...", lista a especialista Telma. Na hora do desespero também é mais fácil ela ouvir a voz familiar do que atender algum comando do médico.

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2 - Respiração correta

Respirar é de suma importância para a vida, e também na hora de dar a luz. "Além de ser uma fonte de oxigênio, a respiração reduz a liberação de substâncias que pioram a dor e dá a mulher um controle emocional melhor", ressalta a obstetra Rossana Pulcineli, membro da SOGESP (Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo) e professora associada de obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

Mas o tipo de respiração muda conforme o momento do parto: na das contrações é melhor respirar lenta e profundamente, para oxigenar melhor o corpo da mãe e o bebê. Já no momento de expulsão, quando o bebê está saindo, indica-se a respiração cachorrinho, rápida e arfante.

3 - Massagens relaxantes

Uma das funções do acompanhante pode ser justamente relaxar a gestante, e uma das formas de fazer isso é por meio de massagens, que colaboram com a hora do parto. "As contrações são esforços musculares e deixam a mulher inteiramente tensionada, por isso realizar massagens entre as contrações aumenta o conforto e o relaxamento", relaciona a obstetra Bárbara. Não precisa ser nada muito elaborado, podem ser apenas movimentos circulares com as mãos abertas pelas costas, nuca e ombros.

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4 - Movimento durante o trabalho de parto

Muita gente nem desconfia, mas a mulher não precisa ficar na cama durante o trabalho de parto. Algumas maternidades são equipadas com bolas de pilates e cavalinhos, instrumentos que estimulam a movimentação da mulher durante o trabalho de parto.

De acordo com um estudo realizado na Escola de Enfermagem Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), essa movimentação reduz o tempo de parto, e com isso diminui também as dores. "De pé, a ação da gravidade ajuda a puxar o bebê, e a parturiente não fica apenas deitada na cama pensando na dor, mudando o foco", considera Telma Zakka. Além disso, os movimentos com a bacia podem ajudar. "Acredita-se que eles melhoram a posição do bebê na bacia", expõe o obstetra Burlá.

5 - Posição de parto

Aliás, ficar deitada durante o parto não é a posição mais interessante para mãe e para o bebê. De acordo com a especialista em dor Telma Zakka, são os médicos que mais se beneficiam com esse esquema, pois fica mais fácil puxar a criança, mas a parturiente sofre mais: "Estar deitada é uma posição antianatômica, pois obriga a mulher a fazer uma maior força abdominal do que ela faria sentada, por exemplo, aumentando a dor", considera a obstetra. Tanto que é assim que as mulheres davam à luz antigamente, de cócoras.

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6 - Exercício durante a gravidez

Fazer atividade física durante a gravidez ajuda a mulher a lidar com a dor. "O preparo físico ajuda em tudo, desde a respiração correta até o desenvolvimento de uma musculatura mais firme no abdômen, que dá a mulher mais controle do que está fazendo na hora do parto e também da dor", explica Bárbara. E não são apenas exercícios comuns que ajudam, existem treinamentos para a musculatura do períneo e pélvica que reduzem a dor e as chances de lesões na hora da saída do bebê. "Eles são feitos com orientação do fisioterapeutas especializados em assoalho pélvico, fortalecem a região dos músculos da vagina, para torná-los mas flexíveis e fortes", descreve a especialista.

7 - Água morna

Muitas maternidades que buscam a humanização do parto disponibilizam chuveiros ou banheiras para que as mulheres possam usar durante o trabalho de parto. ?Água morna ajuda no relaxamento muscular, por isso bolsa de água quente, banho e banheira são tão bem vindos para a maioria das mulheres?, explica a doula Samara.

8 - Anestesias

A forma mais óbvia de reduzir a dor é usando anestesias, e pode ficar tranquila, pois elas podem ser usadas também no parto normal. O tipo de anestésico varia de acordo com o momento do parto em que será aplicado. "Podemos fazer na hora em que o bebê está saindo, no caso raquidiana no períneo e nas pernas; ou, a partir de uma certa dilatação no começo do trabalho de parto, pode ser dada a peridural, que tira a dor mas permite a movimentação", enumera a obstetra Barbara.

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Elas também podem ser misturadas no chamado duplo bloqueio. E caso seja preciso abrir um pequeno corte na vulva para que o bebê saia, a chamada episiotomia, é feita também uma anestesia local.

"Com um bom preparo para o parto, uma mulher consegue parir sem episiotomia e sem anestesia. No entanto, uma mulher que está com um sofrimento ou desconforto grandes pode pedir que dêem anestesia", explica Claudio Basbaum.

Cesariana evita a dor?

Há quem pense que optar por cesarianas seria um modo de evitar a dor. Hoje em dia essa via de nascimento tem sido usada diversas vezes, mas o ideal é que ela seja executada apenas em algumas situações especiais ou em partos de risco.

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"As cesáreas são uma intervenção maravilhosa de salvamento do bebê ou de mãe, mas que não pode ser transformada em rotina", explica Basbaum. Por ser uma cirurgia, o procedimento oferece muito mais riscos como infecções e lesões de órgãos. Além disso, pode não ser dolorida no momento em que é feita, por conta da anestesia, mas sua recuperação envolve dor e incômodos.