Grávidas e as vacinas da COVID-19: quais as orientações?

Entenda quais as vacinas indicadas, calendário vacinal e o que sabemos até aqui sobre os anticorpos em recém-nascidos de mães imunizadas na gestação

Atualizado dia 08//07/2021

A pandemia do coronavírus ainda assusta brasileiros e traz algumas dúvidas, como por exemplo, a eficácia e os possíveis riscos das vacinas da COVID-19 em grávidas e puérperas. Por outro lado, exames já mostram bebês que nasceram com anticorpos após a mãe ter sido vacinada na gestação.

Para entender as orientações sobre a vacinação de grávidas e puérperas, reunimos as mais recentes diretrizes do Ministério da Saúde e conversamos com médicos para tirar suas dúvidas.

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Grávidas e puérperas e a vacina da Astrazeneca

A vacinação em gestantes e mulheres que deram à luz há até 45 dias com o imunizante da Astrazeneca/Oxford/Fiocruz foi suspensa em maio deste ano, após orientação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Uma semana depois, o Ministério da Saúde deu uma nova orientação sobre o uso do imunizante. Segundo o comunicado, mulheres que receberam a primeira dose da vacina da Astrazeneca deveriam aguardar o fim da gravidez e do puerpério para receberem a segunda dose.

Além disso, a pasta alertou para que as mulheres que já receberam a primeira dose da vacina fiquem atentas e procurem um médico se apresentarem um desses sintomas de 4 a 28 dias após a aplicação do imunizante da Astrazeneca:

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No final de junho, no Rio de Janeiro, por meio de um anúncio feito pelas redes sociais no final de junho, o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, afirmou que gestantes que receberam a primeira dose da vacina AstraZeneca contra a COVID-19 poderiam combinar vacinas e tomar a da Pfizer na segunda etapa de imunização. Pouco depois, Ceará também anunciou a combinação de imunizantes e estendeu a medida também para as puérperas.

Entretanto, em coletiva de imprensa no dia 8 de julho, o ministro da Saúde Marcelo Queiroga afirmou que a combinação de vacinas não deve ser feita e que a prática não está autorizada nem em gestantes ou em qualquer público.

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Segundo o ministro, as grávidas que já receberam a vacina da AstraZeneca devem completar a imunização com a mesma vacina após o final do puerpério (período de 45 dias após o parto). Queiroga também reforçou que gestantes seguem sendo imunizadas com vacinas da Pfizer ou com a CoronaVac. Enquanto isso, imunizantes da AstraZeneca e da Johnson, que contam com vetor virais, não devem ser aplicadas nesse grupo.

Vacina e o risco de trombose

A suspensão da vacina da Astrazeneca para esse grupo foi uma medida de precaução após a morte de uma gestante que havia sido imunizada. Ela teve um tipo de trombose. O caso segue sob investigação.

Já foram constatados quadros de trombose após a aplicação do imunizante, mas o número, entretanto, é bem baixo e considerado raro. De acordo com a Agência Europeia de Medicamentos (EMA), que equivale à Anvisa aqui no Brasil, foram 222 quadros de trombose entre 35 milhões de vacinados até o começo de março. Alguns casos também foram registrados após o uso da vacina da Janssen.

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Isso pode estar relacionado à produção dessas vacinas, que levam dois tipos de adenovírus, e como o corpo reage a isso. Porém, ainda é necessário mais estudos para esclarecer essa relação.

Como na gravidez a mulher já tem um risco maior para trombose, por isso o cuidado de não se aplicar uma vacina como a Astrazeneca que pode, mesmo em uma porcentagem baixa, também aumentar esse risco, como explica o ginecologista e obstetra Domingos Mantelli.

O médico também ressalta que o aumento do risco de trombose tem relação com diversos outros fatores, como predisposição da mulher à formação de coágulos. As autoridades de saúde também frisam que os riscos de trombose são muito menores que os benefícios das vacinas e até o risco da própria COVID-19 causar trombose em qualquer paciente.

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Outras vacinas da COVID-19 na gravidez

A vacinação de grávidas e puérperas começou atendendo primeiro o grupo com comorbidades, mas foi ampliado no começo de junho. O Ministério da Saúde recomenda que a imunização dessas mulheres, com e sem comorbidades, seja feita com as vacinas Coronavac e Pfizer/BioNTech.

Para receber a vacina, grávidas em qualquer período gestacional devem apresentar relatório ou laudo médico com indicação do profissional. Já as puérperas (aquelas que deram à luz nos últimos 45 dias) devem apresentar certidão de nascimento da criança.

Toda grávida pode se vacinar?

Larissa Cassiano, obstetra e ginecologista da Theia (clínica de saúde centrada na mulher gestante), explica melhor os pontos que devem ser levados em conta para a vacinação. "Se existe intensa exposição ao vírus, por exemplo, se a mãe trabalha na área de saúde ou em outras profissões de risco, e também as comorbidades das próprias gestante. É importante levar em consideração a opinião da gestante juntamente com o médico que a está acompanhando".

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Ela ressalta a importância da imunização desse grupo de mulheres. "A vacinação protege a gestante contra a infecção e as formas graves que na gestação colocam em risco tanto a mãe quanto o bebê", afirma a médica.

Além disso, as mulheres que estão amamentando e apresentam comorbidades também podem ser imunizadas na capital paulista a partir do dia 07/06. A estimativa é que sejam vacinadas 28 mil mulheres desse grupo em São Paulo.

É necessário apresentar o comprovante da comorbidade e de residência do município de São Paulo, além da certidão de nascimento do bebê, de até 12 meses de idade. Para o grupo de lactantes, não há restrição de vacinas a serem administradas.

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Anticorpos transmitidos para os bebês

Larissa ainda cita como ponto positivo da vacinação em grávidas o fato de que já há registros no Brasil e em outros países de bebês que nasceram com anticorpos contra o coronavírus após as mães terem sido imunizadas na gestação. Aqui no Brasil o caso foi após o uso da Coronavac. "Já existem relatos semelhantes com a vacina da Moderna e da Pfizer, mas faltam estudos para que possam alinhar melhor esse efeito", completa a especialista.

Saiba mais:

Bebê nasce com anticorpos contra COVID-19 após mãe receber vacina

Os casos animam, mas ainda são muito recentes e, como também alerta Larissa, ainda não é possível estabelecer o tempo que esses anticorpos vão durar nos bebês. Também ainda estão analisando o melhor momento para fazer a imunização na grávida. "Talvez no início [da gestação] seja melhor para a proteção da mãe, mas para o feto ainda não é possível estimar", diz a obstetra.

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E ainda há mais uma esperança: os anticorpos que podem ser levados ao bebê pelo leite materno. "Algumas pesquisas já estão sendo realizadas nesse sentido e dados preliminares mostram que anticorpos foram encontrados no leite materno, um alento para lactantes que se vacinaram", finaliza Larissa.