Vacina da COVID para crianças e adolescentes: o que sabemos?

Saiba quais são os imunizantes que já testam a segurança e a eficácia nos mais jovens

Com o avanço da vacinação de adultos contra a COVID-19 no mundo todo, muitos países já estão mirando na imunização de crianças e adolescentes. Embora corram menos riscos de contrair a forma grave da doença, esses grupos têm um papel importante na redução das taxas de transmissão do vírus.

Em meados de junho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) chegou a divulgar um vídeo explicando por que a vacinação de crianças não era prioridade naquele momento da pandemia, visto que nem todos os adultos haviam sido vacinados - especialmente com a segunda dose de certas vacinas.

Entretanto, diversas nações conseguiram dar início à imunização de menores de 18 anos ou já aprovaram a vacinação para crianças a partir dos 12 anos, como é o caso de Estados Unidos, Canadá, Chile, França, Alemanha, Itália, Reino Unido, Israel, Japão e, mais recentemente, o Brasil.

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Vacinação de adolescentes no Brasil

Através de um comunicado divulgado no dia 27 de julho, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou que a vacinação contra o coronavírus em adolescentes será iniciada após toda a população adulta vacinável do país ter recebido, ao menos, a primeira dose do imunizante.

A princípio, foram priorizados os jovens entre 12 e 17 anos que apresentam comorbidades, como doenças cardíacas e diabetes, além de gestantes - consideradas parte do grupo de risco. Em seguida, a imunização foi aberta aos demais.

Cada cidade possui um calendário de vacinação próprio. Em Belo Horizonte, jovens entre 13 e 17 anos começaram a receber a primeira dose a partir do dia 4 de outubro. Em Manaus, a campanha de imunização para a segunda dose já atinge pessoas a partir dos 12 anos de idade.

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Até o momento, apenas a vacina ComiRNAty, desenvolvida pela Pfizer/BioNtech, foi autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para essa população. A decisão ocorreu após estudos demonstrarem que o imunizante é seguro e eficaz para jovens nessa faixa etária.

Originalmente, a Pfizer solicitou à Anvisa um pedido para ampliar a faixa etária de indicação da vacina contra a COVID-19 no dia 13 de maio deste ano. A empresa estadunidense pediu para incluir adolescentes de 12 anos ou mais na bula do imunizante registrado no Brasil - solicitação que foi autorizada no dia 11 de junho.

Apesar de não ser a prioridade máxima, a vacinação infantil contra a COVID-19 tem o papel de ampliar o número de vacinados a fim de reduzir a taxa de transmissão do vírus. Pensando nisso, vários países já iniciaram a imunização de crianças e adolescentes contra o coronavírus.

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Testes em crianças e adolescentes

Para averiguar a segurança e a eficácia das vacinas contra a COVID-19, vários fabricantes de imunizantes iniciaram testes em crianças e adolescentes. Seis destas vacinas já possuem ensaios clínicos planejados ou iniciados fora do Brasil.

A pesquisa e o registro de produtos para uso em crianças passa por um processo que é exigido por lei no país, mas é provável que demore menos que o de adultos. Veja como estão os testes de algumas vacinas em crianças e adolescentes:

Janssen

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Nos Estados Unidos e Bélgica, a Janssen, braço farmacêutico da Johnson & Johnson, vem testando a vacina em pessoas acima de 16 anos.

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No Brasil, a farmacêutica pretende realizar estudos clínicos em crianças e adolescentes para analisar a eficácia e a segurança da vacina de dose única contra Covid-19 neste grupo, mas os protocolos do estudo ainda estão em processo de avaliação junto aos órgãos reguladores competentes.

Segundo a Janssen, a vacina será testada inicialmente em um pequeno grupo de adolescentes e se os resultados iniciais mostrarem um perfil de segurança adequado, o número de participantes do teste será aumentado em um avanço progressivo.

Pfizer

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Na primeira semana de abril foi anunciada a primeira impressão sobre o comportamento da vacina Pfizer/BioNTech, que teve 100% de eficácia em adolescentes de 12 a 15 anos.

Vale lembrar que o imunizante da Pfizer/BioNTech foi autorizado por agências reguladoras dos Estados Unidos no final de dezembro para pessoas acima de 16 anos e, com isso, já vinha sendo aplicado.

É possível que a companhia inicie outro ensaio combinado de fase 1, 2 e 3 para testar seu imunizante em crianças de 5 a 11 anos e em bebês a partir de seis meses. No entanto, ainda não há dados de quantas crianças vão participar desse estudo.

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Agora, através de um anúncio feito no dia 7 de outubro de 2021, as farmacêuticas solicitaram ao FDA, o órgão regulatório americano, a autorização para que seja feito o uso emergencial da vacina para crianças entre cinco e 11 anos.

CoronaVac

No dia 22 de março, o laboratório chinês Sinovac divulgou que a vacina deles, a CoronaVac, é segura e apresenta resposta imune em crianças e adolescentes. O imunizante é produzido no Brasil em parceria com o Instituto Butantan.

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O estudo combinado das fases 1 e 2 foi feito com 552 crianças entre 3 e 17 anos. Os resultados preliminares apontaram uma boa segurança do imunizante em duas dosagens testadas, sendo uma dose maior e outra menor.

Segundo a companhia, os efeitos colaterais observados durante os testes foram leves e duas crianças que receberam as doses mais baixas tiveram febre alta. A empresa ainda afirmou que a dose menor aplicada em crianças de 3 a 11 anos induziu respostas imunes na forma de produção de anticorpos favoráveis. Já a dose alta funcionou melhor para os jovens de 12 a 17 anos.

Os dados preliminares ainda não foram publicados oficialmente como artigo científico, e também não foram analisados e revisados pela comunidade científica.

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Na América do Sul, o Chile é o único país que, até o momento, autorizou o uso da CoronaVac para a vacinação de crianças entre seis e 12 anos de idade a partir de setembro deste ano.

Moderna

No dia 25 de maio, a empresa americana Moderna comunicou que sua vacina contra COVID-19 é segura e eficaz para crianças e adolescentes com idade entre 12 e 17 anos.

Segundo a empresa de biotecnologia, os resultados do estudo fase 2 e 3 seguiram os critérios definidos pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês), indicando eficácia de 93% da vacina contra a doença após a primeira dose.

Já nos critérios definidos pela Moderna, a eficácia da vacina foi de 100% na prevenção de casos sintomáticos do vírus, avaliada 14 dias após a aplicação da segunda dose. Os dados foram baseados em um ensaio clínico que envolveu 3.732 crianças e adolescentes com idades entre 12 e 17 anos.

Oxford/AstraZeneca

A Universidade de Oxford iniciou o estudo de fase 2 em crianças e adolescentes no Reino Unido. Os testes estavam sendo realizados em quatro cidades, com 300 participantes saudáveis de 6 e 17 anos, mas foram pausados após relatos de coágulo sanguíneo em adultos que receberam a injeção.

Cientistas disseram que antes de prosseguir com a aplicação das doses do imunizante, é necessário aguardar uma nova revisão do regulador de medicamentos do Reino Unido. No entanto, acreditam que não há preocupações de segurança no ensaio clínico pediátrico.