Cicatriz de cesárea: como cuidar bem e evitar estes 3 problemas

Veja a melhor maneira de cuidar do corte de cesárea para que a cicatrização ocorra da melhor forma

A cesariana é uma cirurgia durante a qual se corta sete camadas de tecido em uma extensão de 10 a 12 centímetros. Hoje em dia, esse corte é feito abaixo da barriga, em uma região que a calcinha e o biquíni podem cobrir. As mulheres que passam por este tipo de cirurgia recebem orientação ainda na maternidade, mas é comum restarem algumas dúvidas sobre esta cicatriz.

Após uma cesárea, mãe e bebê permanecem na maternidade por 2 a 3 dias. Neste período, os cuidados com a cicatriz são feitos com auxílio da equipe de enfermagem do local, e a região pode estar coberta por curativos. Observá-los para ver qual o tipo de secreção está saindo do corte é essencial para conferir se não há nenhum problema.

Quando a mulher recebe alta, ainda antes da retirada dos pontos, os cuidados são simples: higienizar com água e sabão durante o banho, manter limpo e seco. "Logo depois do segundo dia, orientamos que a mulher não mantenha aquele curativo que tampa totalmente o ferimento, porque abafa o local e impede que ela veja se está saindo secreção. Colocar a gaze por cima e a calcinha já é suficiente", orienta Renato Souza, obstetra do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher da Unicamp.

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Os sinais de que a cicatrização não está indo bem são sangramento, secreção amarelada, inchaço com calor local e vermelhidão excessiva. Se você notar algum deles, já pode ir ao médico para que ele avalie.

Retirada dos pontos

Depois de 10 a 15 dias que o bebê nasceu, a mulher volta ao médico para uma avaliação da cicatriz e retirada dos pontos da pele, mais externos. Mas nem sempre isso acontece, pois há casos em que o tipo do fio e a técnica utilizada dispensa a retirada.

"Os pontos que precisam ser retirados cada vez são menos utilizados. Isso porque cada furinho por onde passa o ponto cria um buraco que permite que bactérias entrem ali. Mesmo que os pontos estejam cobertos, com o passar dos dias, a flora da pele acaba contaminando o furinho e pode provocar inflamação", explica Alexandre Pupo, ginecologista e obstetra membro do corpo clínico do Hospital Albert Einstein.

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Retirar os pontos não significa que o processo de cicatrização acabou. "Toda cicatriz de pele no corpo atinge a capacidade máxima de resistência dela com 3 semanas", completa Alexandre.

Mesmo quando a pele parece estar totalmente cicatrizada, a atenção precisa continuar. É importante observar se há secreção de pus, vermelhidão, inchaço excessivo, calor no local ou abertura da pele.

Além disso, o momento ainda é crítico para as complicações que não vemos: os pontos dados nas camadas internas, como o próprio tecido do útero. "Esses pontos demoram muito mais para cicatrizar do que os da pele. Então, os cuidados como não fazer atividade vigorosa ou esforço vigoroso se mantém", recomenda o obstetra Renato.

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O tempo de cicatrização de todos esses pontos pode girar em torno de 40 dias, apesar de variar de mulher para mulher. Por isso, é importante que haja uma primeira avaliação médica da mulher entre 10 a 15 dias após o parto e, depois, aos 40 dias. Lembre-se que não é só o bebê que precisa de cuidados nesse período.

Problemas que podem surgir com a cicatriz de cesárea

Durante esse período, alguns problemas e complicações podem surgir na região da cicatriz de cesárea. Veja quais medidas você pode tomar para evitar que eles apareçam:

1 - Infecção na cicatriz de cesárea

O corte da cesárea é como qualquer outra ferida no corpo: uma porta aberta para a entrada de microorganismos que podem causar infecção. Para evitá-la, basta seguir as recomendações de higiene, lavando com água e sabão cuidadosamente, mantendo sempre seco. Além disso, alguns médicos podem indicar pomadas antibactericidas para passar na região.

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2 - Queloides na cicatriz de cesárea

Queloides ocorrem quando há crescimento em excesso do tecido de cicatrização no local de um ferimento já curado. Eles são constituídos por lesões salientes, avermelhadas, rosadas ou escuras e podem ocorrer em qualquer área de traumatismo na pele.

Há pessoas que têm uma tendência a formá-los, já que há um forte componente genético envolvido entre os principais fatores de risco para seu surgimento. São bastante comuns em pessoas jovens, entre os 10 e 20 anos e em afro-americanos, asiáticos e hispânicos.

Portanto, o tratamento preventivo só é usado se há esta predisposição, com queloides formados em ferimentos anteriores, por exemplo.

De acordo com Alexandre Pupo, para prevenir queloides, os cirurgiões podem usar fio cirúrgico de baixa reação inflamatória, mais modernos, e evitar fazer um tipo de ponto chamado de sutura transfixante. Além disso, também podem receitar cremes, géis e fita de silicone, com o intuito de diminuir a reação inflamatória.

3 - Dor na cicatriz de cesárea

Por se tratar de um corte, é comum que a mulher sinta um pouco de dor na região da cirurgia, principalmente de 2 a 5 dias após o parto. No entanto, um fator que pode intensificá-la é a falta de movimento de quem foi operada. Isso porque, quando os gases intestinais se acumulam, podem esticar mais a pele da cicatriz causando dor. "A mulher que se movimenta solta mais gás e diminui a distensão intestinal, o que ajuda a minimizar a distensão da cicatriz e a dor", explica o obstetra Alexandre.

O obstetra Renato alerta: Se for uma dor contínua, uma dor que só piora, ou que está associada com outros problemas como febre, secreção ou com alteração do funcionamento do intestino ou do hábito urinário, a mulher deve procurar atendimento médico.

Cinta pós-parto: é necessária?

A cinta pós-parto prende os tecidos na direção do abdômen, porém, o corte de cesárea precisa ser unido de outra forma, com a junção de um lado da pele contra o outro. Por isso que o uso da cinta divide os médicos.

O adereço pode ser usado para dar segurança no momento de reconfiguração do corpo. "Depois que o bebê nasce, as mães sentem como se o intestino tivesse solto na barriga. Colocar a cinta tira essa sensação", explica Alexandre, que recomenda seu uso.

No entanto, Renato acredita que esta "segurança" pode trazer alguns ônus. "A mulher que se sente mais segura usando a cinta pode acabar avançando nas atividades mais vigorosas. A cinta não melhora a cicatrização, a recuperação, e nem diminui a barriguinha que fica depois", defende.