BLW: o que é, como fazer e dicas para evitar o engasgo

Abordagem propõe que o bebê coma os alimentos com as mãos

Método BLW é uma sigla para o termo Baby Led Weaning, que em tradução livre significa desmame guiado pelo bebê. Esse tipo de abordagem consiste em introduzir alimentos sólidos em pedaços grandes para que a criança segure-os com as mãos e leve-os até a boca sozinho.

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A abordagem BLW foi criada pela agente de saúde e parteira Gill Rapley e vem ganhando grande popularidade em âmbito mundial. Ele tem como objetivo ser uma forma de alimentação que permita incluir o bebê na rotina alimentar da família, fazendo assim as refeições junto com pais e cuidadores. Isso porque o método consiste em estimular a criança a comer sem que outra pessoa lhe dê o alimento na boca com a colher, mas sim explorando-os e comendo-os com as mãos.

De acordo com Gill, o método BLW propõe que os alimentos sejam oferecidos em pedaços, tiras ou bastões. Além disso, nessa abordagem, a forma de preparo do alimento consiste unicamente em cozinhá-lo, não há qualquer outra forma de preparo em relação à consistência, como amassar, triturar ou desfiar.

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Dar autonomia ao bebê para que ele faça suas escolhas alimentares pode parecer uma decisão arriscada. Afinal, como pode um ser tão pequeno saber a quantidade de alimentos que precisa ingerir em uma refeição para dar conta de suas necessidades nutricionais e de desenvolvimento?

Se formos analisar de forma racional, é fato que os bebês já nascem com a capacidade de fazer a autorregulação da sua alimentação desde o início da vida. São eles que ditam a intensidade e a quantidade de leite que ingerem na amamentação. Segundo o Guia Prático de Alimentação Complementar e Método BLW, do Departamento Científico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, a mãe não é capaz de fazer com o que bebê consuma mais leite após ter terminado de mamar.

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Por isso, de acordo com a instituição, é importante que os pais sejam encorajados a entenderem que os bebês nascem aptos para mostrarem quando estão saciados e quando estão com fome.

Vale dizer que o método BLW incentiva que o bebê se alimente de forma autônoma, mas acompanhado da família ou cuidadores. Supervisionar as ações de um bebê é uma forma de contribuir para sua segurança e integridade.

Como o método BLW é feito

De acordo com a pediatra Maria Fernanda Melo Motta, alergista especialista pela Sociedade Brasileira de Pediatria e médica do Instituto de Pediatria da UFRJ, quando o bebê chega aos seis meses é necessário que seja feita a introdução alimentar. Dessa forma, além de ser amamentado, o bebê também poderá começar a ingerir alguns alimentos.

No método convencional é comum que os alimentos sejam amassados, misturados e oferecidos ao bebê com uma colher. É o famoso aviãozinho. Já no método BLW essa oferta é uma pouco diferente. Nele, o bebê é acomodado à mesa junto com a família. Enquanto os integrantes consomem os alimentos da dieta da família, serão posicionados à frente do bebê pedaços grandes de alimentos cozidos.

De acordo com Maria Fernanda, no método BLW é importante que os alimentos sejam cozidos e cortados em grandes pedaços para que o bebê consiga pegar com a mão. "Os bebês não conseguem fazer o movimento de pinça com as mãos, por isso os alimentos oferecidos não podem ser pequenos - do contrário eles não serão capazes de agarrar", explica.

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Assim que o bebê estiver posicionado com os alimentos ao seu alcance, os pais podem estimulá-lo pegando a comida primeiro e levando à própria boca. Evite dar o alimento na boca do bebê. Para que o método BLW funcione é importante que o próprio bebê consiga segurar a comida com as mãos.

Entretanto, cada bebê tem o seu tempo para aprender a comer com as mãos. Além disso, pode ser que num primeiro momento o bebê apenas segure o alimento e solte, jogue no chão e até mesmo coloque na boca e cuspa depois. Lembre-se que ele está aprendendo uma atividade nova e esse aprendizado por ter alguns percalços e também muita sujeira.

Qual é a quantidade ideal de alimentos a serem consumidos

É fundamental que haja uma variedade de alimentos para a fim de garantir o consumo de nutrientes necessários para o bebê. Sendo assim, o recomendado é oferecer de 3 a 5 tipos de alimentos diferentes.

Para garantir uma variedade nutritiva, você pode dar um alimento rico em carboidratos, como uma batata, batata-doce, cará, abóbora ou abacate. Também é possível oferecer uma proteína para garantir uma oferta de ferro, como frango, carne ou peixe sem espinha. As frutas também são bem-vindas e podem complementar a alimentação com vitaminas e nutrientes, assim como os legumes. É importante que os alimentos oferecidos sejam indicados pelo pediatra.

Quais alimentos podem ser consumidos no método BLW

Tanto no método convencional, quanto no BLW, é importante que o bebê receba alimentos nutritivos. A seguir você encontra algumas opções saudáveis e que podem contribuir para o desenvolvimento do paladar do bebê:

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Também é possível oferecer algumas frutas:

É importante que as frutas não estejam muito maduras e sejam servidas com casca. Isso porque a casca ajuda o bebê a segurar o alimento. Também é importante ser uma fruta que o bebê já tenha idade para consumir, por isso é importante contar com orientação médica para saber quais alimentos são mais indicados naquela fase. E lembre-se sempre de ferver os alimentos oferecidos no método BLW para que o bebê consiga mastigar com a gengiva, caso os dentinhos ainda não tenham nascido.

Quais alimentos não podem ser consumidos no método BLW

Enquanto estiverem fazendo o método BLW é importante que os bebês não consumam alimentos pequenos e de formato arredondados. Esses alimentos requerem que se consiga fazer o movimento de pinça com os dedos indicador e polegar, e aos seis meses os bebês ainda não dominam essa habilidade. Da mesma forma, como esses alimentos são menores, pode ser que ao colocar na boca o bebê não consiga mastigá-los, o que pode facilitar o engasgo. Veja a seguir quais alimentos não podem ser usados no método BLW:

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Quando é possível iniciar o método BLW

A partir do seis meses é possível começar a introdução de alimentos, como forma de complementar a amamentação. Esse acréscimo precisa acontecer porque a partir dessa idade a produção de enzimas digestivas passa a ser suficiente para digerir outros alimentos fora o leite materno. Além disso, o organismo da criança está mais forte para combater eventuais infecções e alergias causadas pela alimentação.

Mesmo assim, é importante respeitar o tempo de vida e oferecer alimentos que sejam recomendados pelos médicos. Portanto, ter no mínimo seis meses de vida é um dos fatores necessários para introduzir o método BLW.

O método BLW busca incluir o bebê na rotina de refeições da família. Sendo assim, ele pode ser feito nos momentos em que os pais estiverem reunidos para comer. Caso o bebê ainda seja amamentado, pode-se tentar intercalar os períodos de refeição com as horas das mamadas. Dessa forma a oferta de nutrientes tantos das refeições quanto do leite materno é cumprida.

É preciso lembrar que a criança tem seu próprio tempo. Sendo assim, não se deve pressionar para que ela coma no mesmo tempo que a família ou que consiga logo de cara ingerir o alimento. Assim como o bebê aprende tudo, ele também vai aprender a comer e esse processo pode demorar um pouco. Pode acontecer de ele tocar o alimento, segurar e soltar. Colocar na boca e depois jogar fora ou simplesmente rejeitar. Portanto, tente não criar muitas expectativas diante da experiência.

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Benefícios do método BLW

Existem diferentes aspectos que levam profissionais de saúde a defenderem o uso do método BLW de introdução alimentar. Vale ressaltar que não há uma forma de introdução alimentar que seja melhor do que outra, o que existe é a maneira a qual o bebê e a família mais se adequam. Além disso, o mais importante é que o bebê seja alimentado e tenha sua curva de desenvolvimento sempre crescente.

A seguir é possível saber alguns benefícios do método BLW:

Estimula a autonomia

Quando o bebê é alimentado com a papinha na boca, ele é coadjuvante nesse processo. Com o método BLW é o próprio bebê que escolhe, segura e leva até a boca o alimento sem intervenção de outra pessoa.

Estimula a autorregulação

No momento em que o bebê se sente satisfeito, ele costuma interromper a amamentação. O método BLW defende que a autorregulação na qual o bebê para de comer no momento em que estiver satisfeito pode ser estimulada com o método.

Amplia a experiência alimentar do bebê

Ao ser alimentado com a papinha, os alimentos estão todos misturados. O método BLW possibilita que o bebê conheça o sabor e a textura de cada alimento, ampliando seu repertório e desenvolvendo seu paladar desde pequeno.

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Contribui para o desenvolvimento psicomotor

Como no método BLW o bebê pega a comida com as mãos, ele exercita e desenvolve suas habilidades psicomotoras. Além disso, a mastigação do alimento também contribui para o desenvolvimento e fortalecimento dos músculos faciais.

Incentiva a família a comer de forma mais saudável

A introdução alimentar precisa ser feita com alimentos saudáveis e ricos em nutrientes. Como os bebês aprendem a partir da imitação, eles começarão a experimentar os alimentos a partir do momento que verem os adultos consumindo esses itens. Portanto, é importante que a família também faça refeições saudáveis.

Riscos e dificuldades do método BLW

Por mais que o método BLW venha se popularizando e ganhando adeptos, algumas comunidades científicas ainda fazem ressalvas a essa maneira de conduzir a alimentação complementar aos bebês.

A seguir elencamos os possíveis riscos do método BLW:

Pode haver uma menor ingestão de nutrientes

Como no método BLW é o próprio bebê que pega os alimentos e leva-os à boca, pode acontecer de ele ingerir uma quantidade menor de nutrientes. Por isso, é indispensável que os pais ou responsáveis estejam presentes no momentos em que o bebê for fazer sua refeição. Também é fundamental haver acompanhamento da curva de crescimento junto a um especialista. Vale ressaltar que, se os pais perceberem que o bebê não está conseguindo se adaptar ao método BLW, eles podem voltar a alimentar a criança com papinha. O mais importante é que o bebê esteja nutrido e ganhando peso.

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Pode haver risco de engasgo?

Um dos principais receios em relação ao método BLW é o risco de o bebê engasgar com os alimentos, pois a abordagem propõe que os alimentos sejam servidos cozidos e cortados em pedaços para que os bebês consigam segurá-los. Como forma de evitar o engasgo e a asfixia, é fundamental que o bebê seja capaz de sentar-se e sustentar a cabeça sozinho. Da mesma forma, o corte dos alimentos deve ser feito em pedaços grandes para que os bebês consigam ir experimentando aos poucos. É por isso que alguns tipos de alimentos, principalmente os arredondados, não podem ser oferecidos aos bebês que se alimentam pelo método BLW.

Pode ser difícil para os pais executarem

Para que o método BLW dê certo é importante respeitar o tempo do bebê. Como eles ainda estão aprendendo a comer sozinhos, pode ser que ele tenha dificuldade em segurar o alimento, jogue fora, coloque na boca e cuspa ou simplesmente jogue tudo no chão. É preciso que os pais estejam preparados para lidar com a sujeira e com os imprevistos em relação ao tempo. Nem todas as famílias têm essa disponibilidade e até mesmo paciência. Por isso, é importante que os pais tenham em mente que podem haver percalços no momento de fazer o método BLW. Também é possível fazer o método nos momentos em que a família está com mais tempo e intercalar com a papinha quando não houver essa possibilidade. Uma alternativa é fazer o BLW nos finais de semana.

A alimentação da família pode ser diferente da do bebê

Para que os bebês consigam realizar o método BLW eles precisam imitar os hábitos dos adultos. Sendo assim, é importante que os pais também consumam alimentos semelhantes aos do bebê. Caso a família tenha um estilo de alimentação pouco saudável ou que não contemple diferentes grupos alimentares, pode ser mais difícil de o bebê conseguir realizar o BLW.

Método BLISS

A partir dos seis meses de idade as necessidades nutricionais de energia e proteína do bebê aumentam. Logo, é fundamental que esses nutrientes sejam priorizados na alimentação da criança. Como dissemos anteriormente, no método BLW pode acontecer de a criança não ingerir a quantidade adequada de alimentos, por isso um grupo de cientistas neozelandeses desenvolveu uma versão adaptada do BLW: o BLISS.

A sigla significa Baby-Led Introduction to Solids, traduzindo para o português quer dizer Introdução aos Sólidos Guiada pelo Bebê. Assim como no método BLW, o BLISS requer que os alimentos sejam cortados em grandes pedaços e oferecidos para que o bebê tenha a experiência tátil e tenha autonomia para escolher os alimentos. No entanto, o diferencial dessa abordagem é que a refeição precisa contar com alimentos ricos em energia e proteína, contendo ao menos uma porção de cada grupo.

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Nem todos os bebês podem fazer BLW

A realização do método BLW requer que o bebê tenha algumas habilidades cognitivas:

Por questões de segurança e desenvolvimento, não são todos os bebês que são capazes de fazer o método BLW. Bebês que nasceram prematuramente, por exemplo, requerem um amadurecimento maior para estarem aptos à realização desse tipo de introdução alimentar. Eles podem ter mais dificuldade devido à imaturidade dos movimentos da língua e pode acontecer também de aos 6 meses ainda não conseguirem fixar a coluna cervical. Por isso, é importante levar em consideração a idade gestacional corrigida, ou seja, a idade que o bebê teria se tivesse nascido com 40 semanas.

Crianças que tenham nascido com algum comprometimento cognitivo ou físico também podem ter dificuldade em comer os alimentos com as mãos. O melhor nesses casos é conversar com o médico que acompanha o desenvolvimento do bebê e checar as possibilidades de introdução à alimentação complementar.

Quando parar com o método BLW

De forma geral não existe uma data limite para encerrar o método BLW e iniciar a introdução ao uso da colher. O próprio bebê, observando os familiares, vai começar a manifestar interesse pela colher. Quando ele completar 1 ano é possível começar a ensinar a pegar os alimentos com a colher. Assim como o método BLW, esse aprendizado também pode ser feito de forma autônoma, permitindo que o bebê viva essa experiência no seu tempo.

Todos os métodos são válidos

É muito comum as mães perguntarem se o método BLW é melhor do que a papinha e se o BLISS é melhor que o BLW. Não existe uma pesquisa que comprove que um estilo de alimentação complementar é melhor que outro, o que existe é a forma de se alimentar que mais se adequa ao bebê e à família. Isso é o que deve ser priorizado. É importante não esquecer que o bebê precisa de acompanhamento pediátrico para checar se sua curva de desenvolvimento está adequada para a idade.

Os alimentos que ingerimos são o combustível para mantermos nosso organismo funcionando adequadamente. Bons hábitos e um paladar variado são costumes que podem ser incentivados desde os primeiros anos. Viver uma experiência prazerosa com a comida contribui para a diminuição de distúrbios psicológicos ligados a alimentação, trazendo satisfação e bem-estar, independentemente se aprendemos a comer com as mãos ou papinha.

Fontes:

Priscila Aires, pediatra neonatologista da Perinatal

Débora Marques, nutricionista funcional e saúde materno-infantil

Maria Fernanda Melo Motta, alergista - imunologista, especialista pela Sociedade

Brasileira de pediatria médica do Instituto de Pediatria da UFRJ

Sociedade Brasileira de Pediatria - A Alimentação Complementar e o Método BLW (Baby-Led Weaning)

Mayo Clinic

Webmd