Método BLW: como fazer e dicas para evitar o engasgo

Abordagem propõe que o bebê coma os alimentos com as mãos

Método BLW é uma sigla para o termo Baby Led Weaning, que em tradução livre significa desmame guiado pelo bebê. Esse tipo de abordagem consiste em introduzir alimentos sólidos em pedaços grandes para que a criança segure-os com as mãos e leve-os até a boca sozinho.

A abordagem BLW foi criada pela agente de saúde e parteira Gill Rapley e vem ganhando grande popularidade em âmbito mundial. Ele tem como objetivo ser uma forma de alimentação que permita incluir o bebê na rotina alimentar da família, fazendo assim as refeições junto com pais e cuidadores.

Isso porque o método consiste em estimular a criança a comer sem que outra pessoa lhe dê o alimento na boca com a colher, mas sim explorando-os e comendo-os com as mãos.

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De acordo com Gill, o método BLW propõe que os alimentos sejam oferecidos em pedaços, tiras ou bastões. Além disso, nessa abordagem, a forma de preparo do alimento consiste unicamente em cozinhá-lo, não há qualquer outra forma de preparo em relação à consistência, como amassar, triturar ou desfiar.

Foto: shutterstock/DigitalMammoth
Foto: shutterstock/DigitalMammoth

Dar autonomia ao bebê para que ele faça suas escolhas alimentares pode parecer uma decisão arriscada. Afinal, como pode um ser tão pequeno saber a quantidade de alimentos que precisa ingerir em uma refeição para dar conta de suas necessidades nutricionais e de desenvolvimento?

Se formos analisar de forma racional, é fato que os bebês já nascem com a capacidade de fazer a autorregulação da sua alimentação desde o início da vida. São eles que ditam a intensidade e a quantidade de leite que ingerem na amamentação.

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Vale dizer que o método BLW incentiva que o bebê se alimente de forma autônoma, mas acompanhado da família ou cuidadores. Supervisionar as ações de um bebê é uma forma de contribuir para sua segurança e integridade.

Como o método BLW é feito

De acordo com a pediatra Maria Fernanda Melo Motta, alergista especialista pela Sociedade Brasileira de Pediatria e médica do Instituto de Pediatria da UFRJ, quando o bebê chega aos seis meses é necessário que seja feita a introdução alimentar. Dessa forma, além de ser amamentado, o bebê também poderá começar a ingerir alguns alimentos.

No método convencional é comum que os alimentos sejam amassados, misturados e oferecidos ao bebê com uma colher. É o famoso aviãozinho. Já no método BLW essa oferta é uma pouco diferente. Nele, o bebê é acomodado à mesa junto com a família. Enquanto os integrantes consomem os alimentos da dieta da família, serão posicionados à frente do bebê pedaços grandes de alimentos cozidos.

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De acordo com Maria Fernanda, no método BLW é importante que os alimentos sejam cozidos e cortados em grandes pedaços para que o bebê consiga pegar com a mão. "Os bebês não conseguem fazer o movimento de pinça com as mãos, por isso os alimentos oferecidos não podem ser pequenos - do contrário eles não serão capazes de agarrar", explica.

BLW- Baby Led Weaning Parte 4: Como oferecer os alimentos

Assim que o bebê estiver posicionado com os alimentos ao seu alcance, os pais podem estimulá-lo pegando a comida primeiro e levando à própria boca. Evite dar o alimento na boca do bebê. Para que o método BLW funcione é importante que o próprio bebê consiga segurar a comida com as mãos.

Entretanto, cada bebê tem o seu tempo para aprender a comer com as mãos. Além disso, pode ser que num primeiro momento o bebê apenas segure o alimento e solte, jogue no chão e até mesmo coloque na boca e cuspa depois. Lembre-se que ele está aprendendo uma atividade nova e esse aprendizado por ter alguns percalços e também muita sujeira.

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Qual é a quantidade ideal de alimentos a serem consumidos

É fundamental que haja uma variedade de alimentos para a fim de garantir o consumo de nutrientes necessários para o bebê. Sendo assim, o recomendado é oferecer de 3 a 5 tipos de alimentos diferentes.

Para garantir uma variedade nutritiva, você pode dar um alimento rico em carboidratos, como uma batata, batata-doce, cará, abóbora ou abacate. Também é possível oferecer uma proteína para garantir uma oferta de ferro, como frango, carne ou peixe sem espinha.

As frutas também são bem-vindas e podem complementar a alimentação com vitaminas e nutrientes, assim como os legumes. É importante que os alimentos oferecidos sejam indicados pelo pediatra.

Quais alimentos podem ser consumidos no método BLW

Tanto no método convencional, quanto no BLW, é importante que o bebê receba alimentos nutritivos. A seguir você encontra algumas opções saudáveis e que podem contribuir para o desenvolvimento do paladar do bebê:

Também é possível oferecer algumas frutas:

Foto: shutterstock/Africa Studio
Foto: shutterstock/Africa Studio

É importante que as frutas não estejam muito maduras e sejam servidas com casca. Isso porque a casca ajuda o bebê a segurar o alimento. Também é importante ser uma fruta que o bebê já tenha idade para consumir, por isso é importante contar com orientação médica para saber quais alimentos são mais indicados naquela fase.

E lembre-se sempre de ferver os alimentos oferecidos no método BLW para que o bebê consiga mastigar com a gengiva, caso os dentinhos ainda não tenham nascido.

Quais alimentos não podem ser consumidos no método BLW

Enquanto estiverem fazendo o método BLW é importante que os bebês não consumam alimentos pequenos e de formato arredondados. Esses alimentos requerem que se consiga fazer o movimento de pinça com os dedos indicador e polegar, e aos seis meses os bebês ainda não dominam essa habilidade.

Da mesma forma, como esses alimentos são menores, pode ser que ao colocar na boca o bebê não consiga mastigá-los, o que pode facilitar o engasgo. Veja a seguir quais alimentos não podem ser usados no método BLW:

Quando começar o BLW?

A partir do seis meses é possível começar a introdução de alimentos, como forma de complementar a amamentação. Esse acréscimo precisa acontecer porque a partir dessa idade a produção de enzimas digestivas passa a ser suficiente para digerir outros alimentos fora o leite materno.

Além disso, o organismo da criança está mais forte para combater eventuais infecções e alergias causadas pela alimentação.

Mesmo assim, é importante respeitar o tempo de vida e oferecer alimentos que sejam recomendados pelos médicos. Portanto, ter no mínimo seis meses de vida é um dos fatores necessários para introduzir o método BLW.

O método BLW busca incluir o bebê na rotina de refeições da família. Sendo assim, ele pode ser feito nos momentos em que os pais estiverem reunidos para comer. Caso o bebê ainda seja amamentado, pode-se tentar intercalar os períodos de refeição com as horas das mamadas. Dessa forma a oferta de nutrientes tantos das refeições quanto do leite materno é cumprida.

Benefícios do método BLW

Existem diferentes aspectos que levam profissionais de saúde a defenderem o uso do método BLW de introdução alimentar. Vale ressaltar que não há uma forma de introdução alimentar que seja melhor do que outra, o que existe é a maneira a qual o bebê e a família mais se adequam. Além disso, o mais importante é que o bebê seja alimentado e tenha sua curva de desenvolvimento sempre crescente.

A seguir é possível saber alguns benefícios do método BLW:

Riscos e dificuldades do método BLW

Por mais que o método BLW venha se popularizando e ganhando adeptos, algumas comunidades científicas ainda fazem ressalvas a essa maneira de conduzir a alimentação complementar aos bebês.

A seguir elencamos os possíveis riscos do método BLW:

Pode haver risco de engasgo?

Um dos principais receios em relação ao método BLW é o risco de o bebê engasgar com os alimentos, pois a abordagem propõe que os alimentos sejam servidos cozidos e cortados em pedaços para que os bebês consigam segurá-los. Como forma de evitar o engasgo e a asfixia, é fundamental que o bebê seja capaz de sentar-se e sustentar a cabeça sozinho.

Da mesma forma, o corte dos alimentos deve ser feito em pedaços grandes para que os bebês consigam ir experimentando aos poucos. É por isso que alguns tipos de alimentos, principalmente os arredondados, não podem ser oferecidos aos bebês que se alimentam pelo método BLW.

Nem todos os bebês podem fazer BLW

A realização do método BLW requer que o bebê tenha algumas habilidades cognitivas:

Por questões de segurança e desenvolvimento, não são todos os bebês que são capazes de fazer o método BLW. Bebês que nasceram prematuramente, por exemplo, requerem um amadurecimento maior para estarem aptos à realização desse tipo de introdução alimentar.

Eles podem ter mais dificuldade devido à imaturidade dos movimentos da língua e pode acontecer também de aos 6 meses ainda não conseguirem fixar a coluna cervical. Por isso, é importante levar em consideração a idade gestacional corrigida, ou seja, a idade que o bebê teria se tivesse nascido com 40 semanas.

Crianças que tenham nascido com algum comprometimento cognitivo ou físico também podem ter dificuldade em comer os alimentos com as mãos. O melhor nesses casos é conversar com o médico que acompanha o desenvolvimento do bebê e checar as possibilidades de introdução à alimentação complementar.

Quando parar com o método BLW

De forma geral não existe uma data limite para encerrar o método BLW e iniciar a introdução ao uso da colher. O próprio bebê, observando os familiares, vai começar a manifestar interesse pela colher. Quando ele completar 1 ano é possível começar a ensinar a pegar os alimentos com a colher.

Assim como o método BLW, esse aprendizado também pode ser feito de forma autônoma, permitindo que o bebê viva essa experiência no seu tempo.

Todos os métodos são válidos

É muito comum as mães perguntarem se o método BLW é melhor do que a papinha e se o BLISS é melhor que o BLW. Não existe uma pesquisa que comprove que um estilo de alimentação complementar é melhor que outro, o que existe é a forma de se alimentar que mais se adequa ao bebê e à família.

Isso é o que deve ser priorizado. É importante não esquecer que o bebê precisa de acompanhamento pediátrico para checar se sua curva de desenvolvimento está adequada para a idade.

Os alimentos que ingerimos são o combustível para mantermos nosso organismo funcionando adequadamente. Bons hábitos e um paladar variado são costumes que podem ser incentivados desde os primeiros anos.

Viver uma experiência prazerosa com a comida contribui para a diminuição de distúrbios psicológicos ligados a alimentação, trazendo satisfação e bem-estar, independentemente se aprendemos a comer com as mãos ou papinha.

Fontes:

Priscila Aires, médica pediatra neonatologista da Perinatal

Débora Marques, nutricionista funcional e saúde materno-infantil

Maria Fernanda Melo Motta (CRM 5275804-3/RJ), alergista - imunologista, especialista pela Sociedade Brasileira de pediatria médica do Instituto de Pediatria da UFRJ

Mayo Clinic

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