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Bullying: o que é, como identificar e consequências

Especialistas explicam como saber se o seu filho está sofrendo ou praticando bullying

O bullying é definido como uma violência ocorrida comumente entre crianças e adolescentes, de forma intencional, repetitiva, sem motivação aparente e demarcada pelo desequilíbrio de poder entre agressor e vítima. Essa definição da psicóloga Elaine Di Sarno, especialista em Terapia Cognitivo Comportamental, ilustra o cenário atual das escolas brasileiras.

Segundo os resultados do Pisa 2018, Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, divulgados neste mês pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 29% dos estudantes brasileiros relataram ter sofrido bullying em sala de aula. A média da OCDE é de 23%.

Além disso, o relatório deste ano da Unicef sobre os 30 anos da Convenção dos Direitos da Criança mostram que problemas como bullying e cyberbullying precisam urgentemente ser olhados com atenção. Segundo o estudo, o suicídio de crianças e adolescentes passou de 714, em 2007, para 1.047, em 2017.

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Foto: Rawpixel.com/Shutterstock
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O que é o bullying na prática?

Para entender como essa violência funciona, a educadora e psicopedagoga Sueli Bravi separou os principais tipos de bullying:

Mesmo com tantas formas de agressão, muitas crianças acabam se sentindo acuadas e não contam para seus pais. Por isso, é necessário se atentar aos sinais do seu filho.

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Como saber se seu filho está sofrendo bullying?

Alguns sinais de que a criança está sofrendo bullying são quando ela está:

No entanto, outros sinais podem surgir. O educador e fundador do Programa Semente, projeto de aprendizagem socioemocional, Eduardo Calbucci alerta que o comportamento pode variar de acordo com cada vítima. Algumas podem ir para o espectro da tristeza, medo ou raiva.

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"Uma criança triste, desanimada e desestimulada pode se isolar; uma criança preocupada, com receio, ansiosa vai ter muito mais dificuldade de concentração; uma criança irritada e indignada vai ter manifestações de agressividade. Então, isso pode variar de vítima para vítima", afirma Eduardo.

Consequências do bullying

Segundo a psicóloga Elaine de Sarno, as primeiras consequências são o isolamento social da vítima, que não se vê como alguém pertencente àquele grupo.

Depois isso, pode ocorrer:

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Quando esses transtornos não são tratados, o quadro pode se agravar ainda mais e levar o jovem a tentar suicídio. De fato, um estudo realizado no Reino Unido apontou que 1 a cada 5 crianças pensa em suicídio como forma de fugir da perseguição do bullying.

Para entender a gravidade desses números, conheça alguns casos de suicídio por bullying que tiveram grande repercussão na mídia.

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Casos de suicídio por bullying

1-Gabriel Tye, 8 anos

Gabriel estudava na Escola de Ensino Fundamental Carson e sofria bullying desde os 5 anos. No dia 26 de janeiro de 2017, dois dias depois de ser atacado por um estudante no banheiro masculino, ser ridicularizado e chutado por outros estudantes enquanto estava desacordado, o menino se suicidou.

2-James Myles, 9 anos

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O menino estudava na escola fundamental Joe Shoemaker, em Denver, EUA. Nas férias, contou para sua mãe que era homossexual e que queria se apresentar assim para seus colegas, pois estava orgulhoso de si. Poucos dias após o início das aulas, James foi alvo de bullying constante e se enforcou no próprio quarto em agosto de 2018.

3- João*, 14 anos

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Um estudante, o qual o nome foi preservado, de 14 anos, se jogou de cima de uma caixa d'água, uma altura de 50 metros, em agosto deste ano, na zona leste de São Paulo. O outro aluno, que estava com ele no momento da queda, contou que os dois se jogariam juntos pois sofriam bullying na escola. Segundo o menino de 12 anos, eles sempre eram xingados e recebiam apelidos pejorativos.

4- Massacre de Columbine

No dia 20 de abril de 1999, ocorreu um grande massacre na Columbine High School, no estado norte-americano do Colorado. Os estudantes Eric Harris, de 18 anos, e Dylan Klebold, de 17 anos, sofriam bullying na escola e mataram 12 colegas e um professor. Em seguida, cometeram suicídio.

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Como ajudar o seu filho que está sofrendo bullying?

Foto: Shutterstock
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"É importante incentivar seu filho a falar sobre o assunto, sobre como se sente, quem são estas pessoas que estão fazendo isto com ele. É essencial elevar a autoestima destas crianças. Os pais devem tratar o assunto com seriedade, sem pressionar os filhos a reagir e sem fazer com que ele se sinta pior lhe dizendo que deveria deixar para lá", afirma Sueli.

Além disso, a psicóloga Elaine enfatiza a importância do acompanhamento psicológico. Segundo ela, a terapia pode ajudar a criança a melhorar sua autoestima e ensiná-la a lidar melhor com suas emoções. Ela ainda alerta que, em alguns casos, é recomendável até mesmo a mudança de escola para que a criança não adquira aversão ao ambiente escolar.

Porém, não é só com a criança que sofre bullying que os pais devem se preocupar. Para evitar que o bullying continue acontecendo, é necessário se atentar se o seu filho está praticando a agressão.

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Como saber se o seu filho está praticando bullying?

Nesse caso, a neuropsicóloga Deborah Moss, especialista em psicologia do desenvolvimento, afirma que a criança pode ficar muito agressiva em outras situações, começar a ter um baixo rendimento escolar e sofrer mudanças bruscas no comportamento.

Além disso, é mais fácil que chegue ao ouvido dos pais questões sobre a vítima, não sobre o agressor, já que, muitas vezes, a criança ou adolescente sabe que está fazendo algo de errado e tenta esconder a situação. Por isso, é importante que os pais estejam sempre atentos e presentes na vida de seus filhos.

Porém, o educador socioemocional Eduardo Calbucci alerta que não se deve estereotipar o perfil da criança que pratica a violência. "Muitas vezes, o bullying é praticado em grupo. Então, mesmo pessoas que eventualmente as crianças sejam empáticas e compassivas, elas podem acabar, por pressão do grupo, adotando uma postura que não adotariam individualmente", acrescenta ele.

O que leva uma criança a praticar bullying?

Segundo a psicopedagoga Sueli, a pessoa que pratica bullying precisa "colocar para fora" uma frustração, violência vivida ou ainda demonstrar poder sobre os outros.

"Muitas vezes, o próprio agressor está em uma situação de conflito, inseguranças, aflições e acaba projetando no outro aquilo que frustra em si mesmo. Mesmo que seja de forma negativa, essa é a maneira da criança expressar que precisa de ajuda", acrescenta Deborah Moss.

Consequências de praticar bullying

Sueli afirma que quem pratica o bullying e não recebe ajuda pode desenvolver problemas psicológicos, ansiedade, estresse e, principalmente, tornar-se mais violenta.

Além disso, de acordo com Deborah, uma vez que é descoberto, a criança pode sofrer consequências sociais, como isolamento, mas também individuais como a vergonha, culpa e, por fim, o arrependimento.

Como ajudar o seu filho que está praticando bullying?

"É necessário cuidar também do agressor. Por mais que ele tenha consciência e seja responsável pelos seus atos, é preciso ir a fundo e buscar uma ajuda psicológica para entender a raiz do problema. Descobrir e resolver o conflito que o mobilizou a ter essa prática violenta", explica a neuropsicóloga Deborah.

Além de enfatizar a importância da criança entender a gravidade da situação e ter alguma punição, o educador Eduardo Calbucci sugere programas estruturados de aprendizagem socioemocional para que a criança lide melhor com a situação e supere isso: "Se esse comportamento continuar na fase adulta, as consequências podem ser desastrosas, inclusive do ponto de vista penal e criminal".

Bullying entre adultos

Foto: Shutterstock
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Mesmo que seja mais comum na infância e adolescência, o bullying também pode acontecer na fase adulta e a motivação será sempre a mesma: alguém que não sabe externalizar uma frustração em forma de diálogo e acaba fazendo isso ao atacar o outro.

"Em situações de trabalho por exemplo, o bullying também pode acontecer, mas é mais velado em tom de brincadeira. Quando tiram sarro de um adulto que é gordo, careca, baixo, muitas vezes se leva em tom de brincadeira, mas a pessoa pode se sentir humilhada e agredida", explica a neuropsicóloga Deborah.

Lei do Bullying

Como forma de combate a essa agressão no Brasil, em 2015 foi aprovada no Senado a ?Lei do Bullying? (lei 13.185/15). A norma obriga a publicação de relatórios bimestrais das ocorrências de bullying nos estados e municípios para planejamento de ações.

Já em 2018, foi criada a lei 13.663/2018 que exige que as escolas promovam medidas de conscientização e combate de todos os tipos de violência, inclusive a prática do bullying.

Além disso, foi promulgada pelo governo federal no final de 2019 a lei 13.935/2019, que determina que as redes públicas de educação básica deverão contar com atendimento psicológico.

Os sistemas de educação terão um ano a partir da data que a lei foi promulgada para desenvolver ações para a melhoria de qualidade do processo de ensino-aprendizagem, atuando na mediação das relações sociais do ambiente escolar.

Como evitar o bullying?

A psicopedagoga Sueli afirma que é importante que tanto a comunidade escolar (professores, coordenadores, diretores, inspetores e outros profissionais), quanto os pais estejam abertos a conversar com as crianças e adolescentes e escutar atentamente suas queixas e reclamações.

Além disso, é interessante estimular que eles relatem sempre que algo acontecer, seja consigo ou com colegas. Nesse sentido, é válido reconhecer e valorizar as atitudes das crianças quando elas atuam no combate ao bullying, protegendo um colega que está sofrendo com o problema, por exemplo.

"Outra ação interessante é criar, junto com as crianças, regras de disciplina, estimular lideranças positivas entre eles, prevenindo novos casos e interferir diretamente, o quanto antes, para quebrar a dinâmica de bullying sempre que for identificado", acrescenta Sueli.

Referências

Elaine Di Sarno, psicóloga especialista em Terapia Cognitivo Comportamental. CRP: 06/89286

Deborah Moss, neuropsicóloga especialista em psicologia do desenvolvimento. CRP:59350-4/SP

Eduardo Calbucci, educador e fundador do Programa Semente

Sueli Bravi Conte, psicopedagoga, educadora, doutoranda em Neurociência e mantenedora do Colégio Renovação.