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Câncer: afaste a depressão e lute contra a doença

Sete conselhos ajudam a afastar o pensamento negativo e o desânimo

A tristeza em excesso pode ser um perigo e tanto à eficiência do tratamento do câncer. Segundo uma pesquisa do Departamento de Psiquiatria da Unifesp, que revisou diversos estudos sobre o assunto, quase 50% dos pacientes com a doença desenvolvem algum transtorno psiquiátrico, principalmente depressivo. Infelizmente, somente 2% dessas pessoas recebem atendimento especializado.

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É possível, entretanto, contornar as emoções negativas - e há histórias de vida que comprovam. "Quando recebi o diagnóstico de câncer de mama, o primeiro pensamento que veio à cabeça é que eu ia morrer", conta a representante comercial Joseane Dias, que teve de retirar as mamas. A costureira Ivanilde Rocha, de Uberlândia, teve o mesmo câncer de Joseane. "É uma fase da vida que deixa qualquer um triste, quase perdi os ânimos após ser aposentada por invalidez", comenta. Apesar das dificuldades, ambas adotaram atitudes para combater os sentimentos negativos. Hoje, reconhecem que o câncer não é uma sentença de morte: estão curadas e compartilham a alegria de ter enfrentado a doença. Siga o exemplo delas e veja o que psicólogos e psiquiatras recomendam para não se deixar abater com o diagnóstico.

De olho nos sintomas

Mulher com câncer, sem cabelo e olhar triste - Foto: Getty Images
Mulher com câncer, sem cabelo e olhar triste - Foto: Getty Images

Diminuição do apetite, perda de peso, tristeza e melancolia, desânimo, sensação de incapacidade, falta de esperança, perda da autoestima, sentimento de culpa e até ideias de suicídio podem ser sinais de depressão - uma doença que também precisa de acompanhamento médico.

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É certo que nem sempre essas características significam que a pessoa está deprimida, mas podem ser perigosas do mesmo jeito. "A falta de perspectivas podem fazer com que os pacientes desistam do tratamento, faltem à consulta ou não sigam as recomendações médicas", comenta a psiquiatra e psicoterapeuta Sara Bottino, de São Paulo. A psicóloga Mariana Lima, da Oncomed, de Belo Horizonte, também conta que a tristeza excessiva pode interferir na imunidade da pessoa, prejudicando a resposta ao tratamento.

Ajuda profissional

Mulher conversando com um médico - Foto: Getty Images
Mulher conversando com um médico - Foto: Getty Images

O psicólogo pode ajudar o paciente a elaborar melhor a presença do câncer e a lidar com o cotidiano. "Fazemos uma trabalho individualizado para levantar quais questões relacionadas à doença são mais difíceis de encarar, como os efeitos colaterais do tratamento, a incerteza da cura, o medo da morte, entre outros medos", explica a psicóloga Mariana.

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Já o psiquiatra pode diagnosticar e tratar os quadros depressivos, a insônia e a fadiga - frequentes em pessoas com a doença. "É muito importante, no entanto, que o psiquiatra tenha conhecimento dos tratamentos oncológicos, pois existem alguns medicamentos para depressão que não devem ser utilizados em pessoas que passam pela quimioterapia ou radioterapia", alerta a psiquiatra Sara.

Técnicas de relaxamento

Homem deitado na grama relaxando - Foto: Getty Images
Homem deitado na grama relaxando - Foto: Getty Images

Relaxar a mente e o corpo ajuda a amenizar os sentimentos ruins. Sara Bottino indica técnicas de visualização de imagens, que consistem tanto em relembrar momentos prazerosos da vida quanto em imaginar-se livre da doença, realizando atividades divertidas. "Outra técnica é a de 'corrigir' os pensamentos negativos distorcidos e evitar que eles interferiram nas emoções, com a ajuda de um psicólogo ou psicoterapeuta", conta.

Também vale procurar práticas de meditação e ioga (desde que autorizadas pelo médico responsável), que ajudam na respiração e no relaxamento. Há um exercício, por exemplo, que pode ser feito em casa: de olhos fechados, inspire fundo pelo nariz, até encher os pulmões, e solte devagar todo o ar pela boca. Repita diversas vezes, sem concentrar os pensamentos na doença ou em algo ruim.

Terapia em grupo

Pessoas realizando terapia em grupo - Foto: Getty Images
Pessoas realizando terapia em grupo - Foto: Getty Images

O dia em que Ivanilde deu entrevista para o Minha Vida não era uma data qualquer: ela estava completando 65 anos e comemorando com amigos da Associação do Câncer de Uberlândia. Apesar de estar curada de um câncer de mama há dois anos e meio, frequenta o local até hoje, tamanha a gratidão que tem pelas pessoas de lá. "Eu não teria conseguido sem eles, compartilhar as dificuldades e receber ajuda faz muita diferença", conta.

Segundo a psicóloga Viviane Totina, do Hospital Amaral Carvalho, as conversas em grupo permitem aos pacientes trocar as suas experiências, facilitando a percepção de que não estão sozinhos. "Isso pode ajudar a encontrar novas possibilidades de vida mesmo após a descoberta do câncer", afirma. Sara Bottino já conduziu grupos de apoio e ressalta a importância de um profissional para ajudar a direcionar o rumo dessas conversas. "Sempre há os marinheiros de primeira viagem, ou seja, pessoas que estão com medo por terem acabado de descobrir o câncer, e aqueles que já terminaram o tratamento e podem servir de exemplo de que é possível atravessar o período difícil com força de vontade", conta.

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Boas companhias

Mulher com câncer junto ao marido e ao filho - Foto: Getty Images
Mulher com câncer junto ao marido e ao filho - Foto: Getty Images

"Toda ajuda faz a diferença, já que ninguém está preparado para o câncer e o furacão que ele provoca na vida", declara a psicóloga Viviane. Família e amigos podem ajudar a identificar sintomas de depressão e verificar a necessidade de ajuda profissional. A psicoterapeuta Sara lembra que é importante encorajar o paciente, mas não deixar de reconhecer que, apesar de todos os esforços, ele pode ficar deprimido. É preciso avaliar como essa pessoa reage quando recebe visitas e faz as atividades do dia a dia - se ela se mostrar indiferente e alheia, sem conseguir desfrutar dos momentos prazerosos, é preciso relatar ao médico.

Manter um diálogo e mostrar-se solícito também mostra ao paciente que ele não está enfrentando essa fase sozinho. "Lembro-me de uma experiência que me marcou muito na minha formação médica: quando atendi uma senhora idosa com câncer que morava sozinha e que foi levada pelas vizinhas para fazer o tratamento no hospital", conta Sara Bottino. "Esse simples gesto deu àquela senhora a sensação de que ela não era mais uma entre os milhões de habitantes de São Paulo, mas sim alguém que tem pessoas realmente próximas e que se preocupam com o bem dela."

Rotina sempre ativa

Grupo de pessoas viajando e tirando fotos - Foto: Getty Images
Grupo de pessoas viajando e tirando fotos - Foto: Getty Images

Nada de se enterrar na cama e deixar de fazer atividades prazerosas. Não é preciso se sobrecarregar de tarefas, até porque a quimioterapia e a radioterapia podem exigir repousos maiores, mas vale achar um meio termo entre a rotina anterior à descoberta do câncer e a atual. "Em toda e qualquer circunstância, precisamos de direção e sentido para conseguir continuar a vida, mesmo que isso implique em reorganizar as prioridades", comenta Sara Bottino. Ivanilde teve que se aposentar por conta do câncer, mas conta que procurou fazer novas atividades para ocupar o tempo: sair de casa com o marido, aprender novas atividades, sempre evitando os momentos sem companhia.

Encarar a realidade

Homem na cama do hospital segurando a mão da namorada - Foto: Getty Images
Homem na cama do hospital segurando a mão da namorada - Foto: Getty Images

Aceitar e enfrentar o câncer é um desafio possível que ajuda a vencer a doença. A psiquiatra Sara conta que a maioria das pessoas relaciona o câncer à morte - algo que nem sempre é verdade. Muitos já tiveram tumores, passaram por tratamento e viveram ainda muitos anos, às vezes até mais do que quem sequer teve a doença.

Segundo a psicóloga Viviane Totina, ao encarar a doença, a pessoa pode aceitar aos poucos as suas limitações e dificuldades, lembrando que algumas são efeitos do próprio tratamento. "Ao mesmo tempo, é possível descobrir as suas potencialidades e verificar novas formas de recomeçar funções importantes na sua vida, que vão facilitar esse processo de enfrentamento do câncer", diz. Fazer um diário ou um blog para relatar o dia a dia dessa fase pode ser uma boa ideia. Muitos pacientes mantêm esse hábito para identificar e comemorar as pequenas conquistas que, no final, podem representar grandes resultados.

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