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Oito hábitos para tratar os sintomas do Parkinson

Atividades facilitam a realização de movimentos e diminuem a tremedeira

Movimentos mais lentos, tremedeira, dificuldades para caminhar, se alimentar e se vestir. Tudo isso é resultado da Doença de Parkinson, uma disfunção na área do cérebro responsável pelos movimentos, principalmente os chamados automáticos, que são aqueles que fazemos sem pensar - como respirar, andar ou levantar de uma cadeira. A fisioterapeuta, especializada em reabilitação neurológica Mariana Vulcano Siqueira, da Associação Brasil Parkinson, explica que essas tarefas são as mais difíceis para o portador da doença. "Entretanto, com a realização de alguns exercícios e atividades simples é possível melhorar o convívio do paciente com a doena", diz.

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No Dia Mundial do Parkinson (11 de Abril), uma série de especialistas indicam os hábitos que podem ajudar o paciente a executar tarefas diárias com mais independência e até mesmo prevenir outras complicações da doença. Vale ressaltar que as recomendações são mais eficientes se forem seguidas quando o diagnóstico ainda é recente.

Exercícios diários

idosa usando um andador - Foto Getty Images
idosa usando um andador - Foto Getty Images

Para que o paciente com Parkinson possa executar movimentos automáticos, é necessária a prática de diversos exercícios diários. O objetivo desse treino é fazer com que o movimento passe a ser feito de maneira consciente, e não mais automática. A fisioterapeuta da Associação Brasil Parkinson explica que o portador da doença deve passar a fracionar os movimentos, prestando atenção em cada gesto. "Para ele não é mais simplesmente andar, é levantar uma perna, colocá-la para frente, depois levantar a outra perna e assim por diante", diz.

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Mariana explica que podem ser usadas pequenas pistas tanto visuais quanto auditivas na hora de executar uma tarefa. "É possível riscar várias linhas no chão, de forma que o paciente pule cada uma delas quando for andar, assim como podemos fazer uma contagem para cada movimento", diz. Ela afirma que essas pistas são uma forma de substituir a função automática por uma função consciente. "Pular a faixinha ou contar o passo faz com que o paciente se conscientize da tarefa, executando-a com mais rapidez e facilidade."

Tai Chi Chuan

casal de idosos praticando o tai chi chuan - Foto Getty Images
casal de idosos praticando o tai chi chuan - Foto Getty Images

Um estudo desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa de Oregon (EUA), feito com 195 pessoas, mostrou que os movimentos do tai chi chuan podem ajudar a reverter alguns dos sintomas físicos da doença de Parkinson. A prática do exercício duas vezes por semana durante 60 minutos ajudou os pacientes a manter o equilíbrio e fazer movimentos com mais precisão.

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O fisioterapeuta Frederico Brant, da Academia Rio Sport Center, afirma que o tai chi chuan promove mobilidade, equilíbrio e estabilidade aos portadores de Parkinson. Esse conjunto de habilidades acaba gerando mais autonomia para execução das atividades diárias e diminuindo o risco de quedas. "O tai chi tem exercícios que envolvem grandes amplitudes de movimento e estabilidade postural, servindo como ferramenta de combate aos sintomas da doença", diz Frederico.

Musculação

idosa levantando halteres - Foto Getty Images
idosa levantando halteres - Foto Getty Images

Um estudo realizado pela Universidade de Illinois, na cidade de Chicago, afirma que fazer musculação durante uma hora, duas vezes por semana, pode melhorar a coordenação motora de pessoas com Parkinson. De acordo com o personal trainer Juliano Farah, gerente de musculação da Cia. Athletica de Brasília, as consequências geradas pela doença incluem perda e redução da força muscular, além da rigidez dos músculos. "A musculação consegue reverter esses problemas e melhorar a estabilidade da caminhada. A postura também ganha alinhamento", afirma.

Para Juliano, a frequência e intensidade do exercício dependem do grau da doença e o trabalho físico de pacientes com Parkinson deve ser realizado em parceria com o neurologista que acompanha o caso. "Se o programa incluir exercícios com aparelho, o ideal é buscar aqueles com mais conforto e apoio para o corpo, como bicicletas ergométricas máquinas de musculação, em vez de pesos livres."

Origami

pássaro de origami - Foto Getty Images
pássaro de origami - Foto Getty Images

Em fases mais avançadas da doença, o paciente pode ter dificuldades em desenvolver a motricidade fina, que são os movimentos precisos, como abotoar uma camisa, escrever ou pegar coisas usando apenas dois dedos. De acordo com a fisioterapeuta Mariana, a prática do origami estimula a motricidade e dá mais precisão aos movimentos, tornando essas atividades mais fáceis. "Também podem ser feitos outros exercícios específicos para a motricidade fina, como apertar um pregador ou envolver as mãos em um elástico e fazer movimentos de abrir e fechar", afirma.

Trabalhar a fala

casal de idosos cantando - Foto Getty Images
casal de idosos cantando - Foto Getty Images

O paciente com Parkinson pode apresentar dificuldade para engolir e alterações na fala, como a gagueira. A fonoaudióloga Arminda Sarpa, coordenadora do setor de Fonoaudiologia da Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação, explica que podem ser feitos exercícios para coordenar a respiração e a fala do paciente a fim de que ele supere essas dificuldades. Aulas de canto e leitura em voz alta, com a orientação de um fonoaudiólogo, também são úteis para superar dificuldades orais.

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Existe também um aplicativo para iPhone e Android chamado DAF Assistant, que funciona como uma espécie de eco - você fala no dispositivo e ele te retorna o mesmo áudio atrasado em uma fração de segundo. Isso dá a impressão de que o paciente está falando junto de outra pessoa e ajuda na fluência. O aplicativo custa 12,99 dólares para os dois sistemas e pode ser comprado nos links:

http://itunes.apple.com/app/daf-assistant/id309496166?mt=8 (iPhone)

https://play.google.com/store/apps/details?id=com.artefactsoft.daf (Android)

Ginástica facial

idoso fazendo uma careta - Foto Getty Images
idoso fazendo uma careta - Foto Getty Images

Outro fenômeno comum da doença de Parkinson é a perda de expressão facial, resultado da rigidez muscular. De acordo com Arminda Sarpa Nesses, exercícios como os da ginástica facial podem ajudar o paciente na recuperação dos movimentos das sobrancelhas ou boca.

Exercitar a mente

casal de idosos lendo e usando o computador - Foto Getty Images
casal de idosos lendo e usando o computador - Foto Getty Images

O paciente com Parkinson pode apresentar problemas de memória e raciocínio. Segundo o neurologista André Lima, da Academia Brasileira de Neurologia, existe até um distúrbio chamado demência parkinsoniana, que é resultado de uma mente com Parkinson pouco estimulada. "Por isso é importante trabalhar a mente do paciente com Parkinson com jogos, aulas de música e leitura, por exemplo", diz André. Nesses casos, a atividades podem ser diárias e de acordo com a preferência ou aptidão do paciente.

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Convívio social

idosos jogando baralho - Foto Getty Images
idosos jogando baralho - Foto Getty Images

Em decorrência das limitações físicas que se desenvolvem progressivamente, o portador de Parkinson pode sofrer um abalo psicológico e até apresentar um quadro de depressão. "Para evitar a apatia no paciente, é recomendado que ele continue a fazer todas as atividades de antes, mesmo demorando um pouco mais de tempo", afirma o neuropsicólogo, especialista em idosos, Alexandre Monteiro, do Rio de Janeiro. "Manter a autoestima também é um fator positivo para evitar ou combater a depressão, e é importante que ninguém force o paciente a fazer atividades que não o agradem ou exigir velocidade na execução das tarefas", diz.

Atividades manuais como pintura, cerâmica e artesanato podem ser benéficas e minimizar o desgaste emocional. "Isso porque a área cerebral responsável pela concentração para realizar estas tarefas é a mesma área que provoca os tremores, se esses neurônios são desafiados, o sintoma que caracteriza o Parkinson pode diminuir", afirma Alexandre. Além disso, conversar com familiares, amigos ou mesmo um grupo terapêutico podem ajudar pacientes que têm vergonha de sua condição. "Grupos de apoio e palavras de carinho podem não alterar a progressão de perdas funcionais, evitam o desenvolvimento de doenças oportunistas, como a depressão."