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Até 15% das vítimas de mini-AVC sofrem AVC completo dentro de três meses

Especialistas recomendam buscar médico ao menor sinal do problema

De acordo com a Organização Mundial do AVC (WSO), 15 milhões de pessoas sofrem um AVC todos os anos e, dessas, quase seis milhões não sobrevivem. Grande parte delas, entretanto, sofre um AVC incompleto, chamado de ataque isquêmico transitório (AIT) meses antes, e não procura ajuda. Isso é o que mostra um artigo de neurologistas da Loyola University Medical Center publicado ontem (6) no Expert Review of Neurotherapeutics.

Diferente de um derrame completo, o AIT ocorre quando o fluxo sanguíneo para alguma parte do cérebro é interrompido durante um período de uma ou duas horas. Nos primeiros minutos, os sintomas mais comuns são perda temporária da visão, dificuldade para falar, fraqueza de um lado do corpo e formigamento. Paralisia temporária da língua e de uma parte da face também pode acontecer. No AVC completo, por outro lado, o entupimento ou rompimento de vasos que levam sangue ao cérebro provoca paralisia da área cerebral que ficou sem circulação adequada e, se nada for feito, o paciente pode morrer.

Os pesquisadores descobriram que, embora os sintomas do AIT sejam passageiros, de 10 a 15% das vítimas sofrem um AVC completo dentro de três meses e 40% desses derrames começam nas próximas 24 horas. Entretanto, buscar um médico aos primeiros sintomas do AIT pode reduzir o risco de acidentes vasculares cerebrais. Estudos apontam uma diminuição de até 80% na probabilidade de se ter um AVC completo. Embora esses estudos não sejam conclusivos, mostram qual é a atitude mais recomendada diante do problema: procurar ajuda médica.

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Um dos principais gatilhos para os AITs é a aterosclerose, acúmulo de placas nas paredes das artérias coronárias. Confira a seguir como evitar esta e outras causas do derrame:

Pressão alta

Pressão alta - Foto: Getty Images
Pressão alta - Foto: Getty Images

A pressão alta ocupa o topo do ranking de maiores causas de acidente vascular cerebral. O neurologista André Lima explica que as paredes internas das artérias sofrem traumas por causa do fluxo do sangue mais forte. "Esses traumas formam pequenos ferimentos nas paredes, que podem obstruir a passagem do sangue (AVC isquêmico) ou romper a parede da artéria (AVC hemorrágico)", explica. É possível, entretanto, controlar a hipertensão com medicação e hábitos saudáveis, como reduzir o consumo de sal da alimentação e praticar exercícios.

Tabagismo

Tabagismo - Foto: Getty Images
Tabagismo - Foto: Getty Images

Substâncias do cigarro fazem com que a coagulação do sangue aumente. Com isso, o sangue fica mais grosso e fluxo nas artérias, por sua vez, fica prejudicado, aumentando as chances de um derrame. "Pessoas que fumam e usam contraceptivos orais têm riscos maiores ainda, pois os hormônios dos anticoncepcionais também interferem na coagulação sanguínea", explica André Lima.

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Excesso de açúcar no sangue

Diabetes - Foto: Getty Images
Diabetes - Foto: Getty Images

O excesso de glicose no sangue - característica do diabetes - aumenta a coagulação do sangue e o deixa mais viscoso. "Isso diminui o fluxo de sangue das artérias e pode levar a um AVC", conta André Lima. Além disso, é comum que pessoas com diabetes também apresentem sobrepeso, colesterol alto e pressão alta - todos fatores de risco de derrame cerebral. Mas vale lembrar que esses problemas - inclusive diabetes - podem ser controlados com tratamento médico regular e hábitos de vida saudáveis.

Doenças do coração

Doenças do coração - Foto: Getty Images
Doenças do coração - Foto: Getty Images

De acordo com o neurologista André Lima, arritmias cardíacas podem formar pequenos coágulos dentro das artérias e veias do coração. "Esses coágulos podem ser enviados às artérias cerebrais, provocando um AVC isquêmico", explica.

O neurologista Maurício Hoshino, do Hospital das Clínicas, de São Paulo, também lembra que há uma série de problemas do coração que podem atrapalhar o fluxo sanguíneo e aumentar as chances de derrame. "Um deles é o Forame Oval Patente (FOP), uma má formação do coração que atinge 15% da população e faz com que coágulos que deveriam ser filtrados pelo pulmão permaneçam na circulação, aumentando o risco de AVC, inclusive, em jovens", explica.

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Colesterol alto

Colesterol e coração - Foto: Getty Images
Colesterol e coração - Foto: Getty Images

O excesso de colesterol no sangue aumenta o espessamento e endurecimento das artérias. "Placas de colesterol e conteúdos gordurosos se depositam lentamente na artéria, fazendo com que ela se feche aos poucos e impeça a passagem de fluxo sanguíneo", explica Maurício Hoshino. Esse processo provoca arteriosclerose - endurecimento das artérias - e prejudica a oxigenação do cérebro, aumentando o risco de AVC.

Má alimentação

Má alimentação - Foto: Getty Images
Má alimentação - Foto: Getty Images

Uma vez que diabetes, colesterol, obesidade e hipertensão aumentam as chances de AVC, todos os cuidados para controlar essas doenças servem de prevenção - e a alimentação ganha destaque. Fazer uma dieta balanceada, moderar o consumo de sódio (para pressão alta), evitar alimentos ricos em colesterol e gorduras saturadas (frituras), controlar o consumo de açúcar (para diabetes) são alguns dos hábitos que devem fazer parte da rotina.

Sintomas do AVC

AVC - Foto: Getty Images
AVC - Foto: Getty Images

Quem sofrer um AVC do tipo isquêmico (com incidência três vezes maior que o tipo hemorrágico) tem até quatro horas e meia para ser socorrido e reduzir o risco de sequelas ou risco de morte, como explica o neurologista Maurício Hoshino. "É possível perceber os sintomas através da sigla SAMU, que significa dar um Sorriso, para verificar desvios na boca; tentar dar um Abraço, para ver se há dificuldade de levantar os braços e tentar cantar uma Música, para ver se há dificuldade de fala e processamento do cérebro", conta.

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Infelizmente, Hoshino conta que menos de 5% dos pacientes que frequentam o Hospital Santa Catarina e Hospital das Clínicas, onde ele trabalha, chegam antes do período de quatro horas.

Sedentarismo e obesidade

Sedentarismo e obesidade - Foto: Getty Images
Sedentarismo e obesidade - Foto: Getty Images

A prática de exercícios físicos é fundamental para controlar praticamente todos os fatores de risco de AVC. Por outro lado, a falta desse hábito e a obesidade só aumentam as chances. "Pressão alta, colesterol elevado, diabetes e doenças cardíacas são complicações decorrentes do excesso de peso e precisam ser prevenidas e controladas com bons hábitos, o que inclui atividade física regular", alerta Maurício Hoshino.