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Vítimas de AVC podem sofrer de estresse pós-traumático

Um em cada quatro pacientes desenvolve sintomas do distúrbio, diz estudo

O AVC pode gerar sequelas debilitantes, como dificuldades na fala, dificuldade para se alimentar e até mesmo depressão. Agora, pesquisadores da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, descobriram que esse mal também pode gerar sintomas de estresse pós-traumático. Os resultados foram publicados online 19 de junho na revista PLoS ONE.

Os autores analisaram nove estudos clínicos, que incluíram 1.138 pessoas que sofreram um acidente vascular cerebral ou um ataque isquêmico transitório. Os investigadores consideraram todos os sintomas dos pacientes para determinar se os pacientes sofriam de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) ou formas graves de ansiedade e depressão.

O TEPT é um transtorno de ansiedade desencadeado pela exposição a um evento traumático, e seus sintomas são muito bem definidos e tratáveis. Os pacientes com estresse pós-traumático geralmente têm pesadelos persistentes, evitam lembranças do evento traumático e sofrem de frequência cardíaca e pressão arterial elevadas.

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Ao final da revisão, os estudiosos descobriram que quase um para cada quatro pacientes de AVC sofrem de estresse pós-traumático. O trabalho também mostrou que um em cada nove pacientes desenvolve TEPT crônico mais de um ano depois.

Ainda assim, mais pesquisas são necessárias para compreender a verdadeira prevalência de TEPT em sobreviventes de acidente vascular cerebral e as consequências potenciais desse transtorno psicológico. Estes resultados sugerem que prestadores de cuidados de saúde devem ficar atentos ao problema em pacientes de acidente vascular cerebral, disseram os pesquisadores.

Como prevenir o AVC?

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"Popularmente conhecido como derrame, o acidente vascular cerebral é uma alteração do fluxo de sangue no cérebro, que ocorre por falta ou extravasamento de sangue em alguma região do corpo", explica o neurologista André Lima, do Hospital Barra D'or, especialista em prevenção dessa doença. O AVC é responsável pela morte de cinco milhões de pessoas no mundo a cada ano, de acordo com a OMS. No Brasil, a doença mata mais que o infarto: são mais de 100 mil pessoas por ano, segundo o Ministério da Saúde. Outro dado alarmante é que um em cada seis brasileiros corre risco de sofrer um derrame. Mas é possível se prevenir de um AVC e suas complicações, já que a maioria dos fatores de risco para o quadro clínico pode ser evitada. "Quanto mais idade a pessoa tiver, maiores são as chances de derrame e, por isso, os cuidados devem ser redobrados", alerta o neurologista Maurício Hoshino. Saiba porque as mudanças no estilo de vida são importantes para prevenir esse mal:

Pressão alta

Pressão alta - Foto: Getty Images
Pressão alta - Foto: Getty Images

A pressão alta ocupa o topo do ranking de maiores causas de acidente vascular cerebral. O neurologista André Lima explica que as paredes internas das artérias sofrem traumas por causa do fluxo do sangue mais forte. "Esses traumas formam pequenos ferimentos nas paredes, que podem obstruir a passagem do sangue (AVC isquêmico) ou romper a parede da artéria (AVC hemorrágico)", explica. É possível, entretanto, controlar a hipertensão com medicação e hábitos saudáveis, como reduzir o consumo de sal da alimentação e praticar exercícios.

Tabagismo

Tabagismo - Foto: Getty Images
Tabagismo - Foto: Getty Images

Substâncias do cigarro fazem com que a coagulação do sangue aumente. Com isso, o sangue fica mais grosso e fluxo nas artérias, por sua vez, fica prejudicado, aumentando as chances de um derrame. "Pessoas que fumam e usam contraceptivos orais têm riscos maiores ainda, pois os hormônios dos anticoncepcionais também interferem na coagulação sanguínea", explica André Lima.

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Excesso de açúcar no sangue

Diabetes - Foto: Getty Images
Diabetes - Foto: Getty Images

O excesso de glicose no sangue - característica do diabetes - aumenta a coagulação do sangue e o deixa mais viscoso. "Isso diminui o fluxo de sangue das artérias e pode levar a um AVC", conta André Lima. Além disso, é comum que pessoas com diabetes também apresentem sobrepeso, colesterol alto e pressão alta - todos fatores de risco de derrame cerebral. Mas vale lembrar que esses problemas - inclusive diabetes - podem ser controlados com tratamento médico regular e hábitos de vida saudáveis.

Doenças do coração

Doenças do coração - Foto: Getty Images
Doenças do coração - Foto: Getty Images

De acordo com o neurologista André Lima, arritmias cardíacas podem formar pequenos coágulos dentro das artérias e veias do coração. "Esses coágulos podem ser enviados às artérias cerebrais, provocando um AVC isquêmico", explica.

O neurologista Maurício Hoshino, do Hospital das Clínicas, de São Paulo, também lembra que há uma série de problemas do coração que podem atrapalhar o fluxo sanguíneo e aumentar as chances de derrame. "Um deles é o Forame Oval Patente (FOP), uma má formação do coração que atinge 15% da população e faz com que coágulos que deveriam ser filtrados pelo pulmão permaneçam na circulação, aumentando o risco de AVC, inclusive, em jovens", explica.

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Colesterol alto

Colesterol e coração - Foto: Getty Images
Colesterol e coração - Foto: Getty Images

O excesso de colesterol no sangue aumenta o espessamento e endurecimento das artérias. "Placas de colesterol e conteúdos gordurosos se depositam lentamente na artéria, fazendo com que ela se feche aos poucos e impeça a passagem de fluxo sanguíneo", explica Maurício Hoshino. Esse processo provoca arteriosclerose - endurecimento das artérias - e prejudica a oxigenação do cérebro, aumentando o risco de AVC.

Má alimentação

Má alimentação - Foto: Getty Images
Má alimentação - Foto: Getty Images

Uma vez que diabetes, colesterol, obesidade e hipertensão aumentam as chances de AVC, todos os cuidados para controlar essas doenças servem de prevenção - e a alimentação ganha destaque. Fazer uma dieta balanceada, moderar o consumo de sódio (para pressão alta), evitar alimentos ricos em colesterol e gorduras saturadas (frituras), controlar o consumo de açúcar (para diabetes) são alguns dos hábitos que devem fazer parte da rotina.

Sintomas do AVC

AVC - Foto: Getty Images
AVC - Foto: Getty Images

Quem sofrer um AVC do tipo isquêmico (com incidência três vezes maior que o tipo hemorrágico) tem até quatro horas e meia para ser socorrido e reduzir o risco de sequelas ou risco de morte, como explica o neurologista Maurício Hoshino. "É possível perceber os sintomas através da sigla SAMU, que significa dar um Sorriso, para verificar desvios na boca; tentar dar um Abraço, para ver se há dificuldade de levantar os braços e tentar cantar uma Música, para ver se há dificuldade de fala e processamento do cérebro", conta.

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Infelizmente, Hoshino conta que menos de 5% dos pacientes que frequentam o Hospital Santa Catarina e Hospital das Clínicas, onde ele trabalha, chegam antes do período de quatro horas.

Sedentarismo e obesidade

Sedentarismo e obesidade - Foto: Getty Images
Sedentarismo e obesidade - Foto: Getty Images

A prática de exercícios físicos é fundamental para controlar praticamente todos os fatores de risco de AVC. Por outro lado, a falta desse hábito e a obesidade só aumentam as chances. "Pressão alta, colesterol elevado, diabetes e doenças cardíacas são complicações decorrentes do excesso de peso e precisam ser prevenidas e controladas com bons hábitos, o que inclui atividade física regular", alerta Maurício Hoshino.