Prisão de ventre: tire 10 dúvidas sobre prevenção e tratamento

Descubra quais alimentos são proibidos, conheça os tipos de laxantes e saiba mais sobre o tratamento

Passam-se os dias e a vontade de ir ao banheiro não vem. Fica apenas a dúvida: será que estou com prisão de ventre? Causada geralmente pela má alimentação, a constipação intestinal não tratada pode levar a uma série de complicações, como hemorroidas, problemas estomacais e até câncer. Há várias formas de tratar o problema, bem com identificá-lo. Caso você ainda não saiba se o seu fluxo intestinal indica prisão de ventre, como combatê-la ou mesmo preveni-la corretamente, tire suas dúvidas com os especialistas:

Não fui ao banheiro hoje. Estou com prisão de ventre?

Nem sempre. A constipação não é definida necessariamente pelo número de vezes que você vai ao banheiro. "A prisão de ventre acontece quando você tem fezes muito ressecadas, que exigem um esforço muito grande na hora de evacuar, comumente associado a uma sensação de cólica e desconforto", explica o nutrólogo Roberto Navarro, da Associação Brasileira de Nutrologia. Segundo o especialista, você pode ir ao banheiro sempre a cada dois ou três dias, por exemplo, mas se a evacuação não é desconfortável, você não está com prisão de ventre. "Algumas pessoas podem inclusive ir ao banheiro todos os dias, mas sofrerem de constipação justamente pela dificuldade ao evacuar ou pela sensação de não ter evacuado o suficiente."

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Má alimentação é a única causa de prisão de ventre?

Não. Embora a alimentação pobre em fibras e com poucos líquidos seja a principal causa de constipação, o problema pode acontecer em decorrência de doenças e outros maus hábitos. "Há a constipação comum em idosos, que acontece por diminuição do movimento do intestino, e também a prisão de ventre que é efeito colateral de medicamentos, consequência do sedentarismo ou então de problemas na tireoide", afirma o nutrólogo Roberto. Pacientes com hemorroidas podem ter medo de evacuar, levando à prisão de ventre. Existe também uma doença rara, segundo o nutrólogo, que se define pela falta de nervos na parede do intestino, responsáveis por contraí-lo. Pessoas com essa doença tem prisão de ventre desde o nascimento, justamente porque são incapazes de fazer o intestino funcionar corretamente. "Nesse caso, o tratamento é feito colocando uma espécie de marca-passo com eletrodos na parede do órgão, que funcionam como estímulo."

Os produtos probióticos resolvem o problema?

Existe uma série de alimentos com propriedades probióticas, no geral o leite e seus derivados, como iogurte ou fermentados. São chamados de probióticos alimentos que contém bactérias que são benéficas para a flora intestinal. De acordo com o nutrólogo Roberto, todo alimento probiótico é bem-vindo para o nosso organismo, pois uma flora intestinal regular traz uma série de benefícios. "Mas eles não garantem que o intestino irá funcionar corretamente", diz. Outros hábitos como uma boa hidratação e ingestão de fibras são fundamentais para o funcionamento da flora intestinal, independente do consumo dos probióticos. "Não tem qualquer problema em ingerir os produtos probióticos todos os dias, mas se você vai ao banheiro apenas se faz uso destes produtos, é importante rever a alimentação e procurar a ajuda de um médico, para que ele avalie as reais causas da prisão de ventre", afirma Roberto.

A constipação pode causar outras doenças?

Uma prisão de ventre crônica aumenta a incidência de hemorroida, fissura anal e diverticulite (formação de bolsas e quistos no intestino). "Outra complicação são obstruções por fezes ressecadas e endurecidas, que entopem o intestino, gerando necessidade de lavagens intestinais", explica a gastroenterologista Carolina Pimentel, do Núcleo de Gastroenterologia do Hospital Samaritano, em São Paulo. Além disso, alguns estudos relacionam constipação crônica com câncer de intestino, pois a falta de evacuação faria com que as fezes se acumulassem no órgão, levando a uma concentração de substâncias cancerígenas.

Mulheres sofrem mais com prisão de ventre do que homens?

Sim, a frequência de constipação entre mulheres é muito maior que entre os homens. "Uma das explicações está relacionada ao comportamento na sociedade do sexo feminino, que muitas vezes não se permite utilizar banheiros públicos ou locais diferentes de sua casa", conta a gastroenterologista Cátia Rejania Ribeiro de Melo, também do Núcleo de Gastroenterologia do Hospital Samaritano. Em alguns momentos da vida da mulher, como na gravidez, há diminuição dos movimentos do intestino, aumentando a tendência de prisão de ventre. Cirurgias ginecológicas podem dificultar a liberação das fezes na porção pélvica, também gerando constipação.

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Posso tomar laxantes quando estiver constipado?

Depende da situação. A indicação do uso de laxantes é feita para episódios isolados, quando o paciente está há cerca de sete dias constipado, mas sempre vai necessitar de prescrição médica. "Muitas vezes, o quadro clínico pode ser mais grave do que o previsto e o uso de laxantes por conta própria pode mascarar esses problemas", explica o nutrólogo Roberto Navarro. Em alguns casos, o paciente pode precisar fazer procedimentos como uma lavagem intestinal, que até pode ser precedida do uso de laxantes. Há também casos em que o paciente está com uma constipação intensa, e o médico irá receitar o laxante como medida paliativa para aliviar o intestino do constipado. Isto porque, o medicamento é recomendado quando a prisão de ventre já está instalada, mas não faz parte do tratamento para educar o intestino.

Os laxantes são medicamentos que agem causando uma irritação na parede do intestino, forçando a evacuação. É como se o intestino identificasse um corpo estranho e precisasse expeli-lo do corpo, o fazendo por meio das fezes. "O uso excessivo pode causar uma inflamação intestinal, além de serem necessárias cada vez doses maiores para que o laxante funcione", afirma Roberto Navarro. "O laxante em excesso pode levar à diminuição de absorção de vitaminas, distúrbios hidroeletrolíticos e diminuição da absorção de água pelo corpo", explica a gastroenterologista Cátia.

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Existem alimentos que prendem o intestino?

Sim, existem alimentos que fazem o bolo fecal não crescer ou então o deixam mais ressecado. "Alguns deles são farinhas refinadas e brancas (pães, massas biscoitos e bolachas), banana maçã, arroz branco, goiaba, chá preto, chá mate, batata e mandioca", diz o nutrólogo Roberto.

O que devo comer para regrar as idas ao banheiro?

Para manter o intestino funcionando corretamente, devemos manter o equilíbrio entre a ingestão de fibras e líquidos. "A indicação é de pelo menos 35 a 30g de fibras por dia, incluindo alimentos integrais, cereais, frutas e verduras com casca", diz a gastroenterologista Carolina. Além disso, é preciso ingerir pelo menos dois litros de água por dia, pois é esse líquido que irá ajudar a deixar o bolo fecal com a consistência ideal, evitando a secura. "Pessoas que tem dificuldades para ir ao banheiro mesmo com a ingestão correta de fibras podem recorrer aos medicamentos à base de fibras, como plantas e flores", ressalta o nutrólogo Roberto. "Essas cápsulas aumentam o volume do bolo fecal, que faz pressão na parede do intestino e incita a evacuação."

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Praticar exercícios ajuda a evitar a prisão de ventre?

Sim, pois na atividade física acontece um movimento das válvulas intestinais. "Elas sofrem contrações involuntárias por conta do esforço dos exercícios, e isso interfere na vontade de evacuação", explica Roberto Navarro. A gastroenterologista Carolina afirma que os melhores exercícios para constipação são os que trabalham a região do abdômen e relaxam a musculatura pélvica, como abdominais, natação e ioga.

Nossas emoções interferem na digestão?

Sim. Assim como diversos órgãos, o sistema digestivo pode sofrer influência do nosso estado de humor e tensão. "As pressões do trabalho, o estresse cotidiano, a necessidade de não perdermos tempo pode transformar o intestino em um alvo fácil dos efeitos danosos dessas situações", diz a gastroenterologista Cátia. O organismo de cada pessoa pode reagir de formas diferentes, alguns com diarreia, outros com prisão de ventre. "Isso acontece porque o sistema digestivo é regido por um sistema nervoso próprio, que é influenciado pelos mesmos hormônios que interferem nas emoções, como serotonina e adrenalina", diz a especialista. Dessa forma, a associação de estados emocionais e desregulação intestinal são frequentes.