Papanicolau: quem deve e quando fazer, quais doença detecta

Procedimento ajuda a detectar câncer de colo de útero e alterações causadas pelo HPV

Mulher e médico durante consulta - Getty Images
Mulher e médico durante consulta - Getty Images

Atualizado em 19/03/2021

O que é papanicolau?

O papanicolau, também chamado de Citologia ou Colpocitologia Oncótica, é um exame que consiste na coleta de material do colo do útero com uma "colher de raspagem".

De acordo com um estudo publicado na edição online do British Medical Journal (BMJ), a taxa de sobrevivência de mulheres com câncer de colo do útero detectado pelo exame chega a 92%, enquanto aquelas que são diagnosticadas apenas pelos sintomas apresentam uma taxa de sobrevivência de 66%.

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Para que serve o papanicolau

Além do câncer de colo do útero e de suas lesões, o papanicolau ajuda a diagnosticar infecções vaginais como Gardnerella vaginalis, Tricomoníase e candidíase.

"Como a coleta do exame envolve exame genital, também é possível perceber doenças sexualmente transmissíveis, como sífilis, gonorreia, condilomatose, clamídia e cancroide", afirma o ginecologista Rodrigo Hurtado, da clínica Origen de Contagem (MG).

Com qual a idade é feito o papanicolau?

De acordo com as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, lançadas pelo Inca em 2011, devem-se submeter ao papanicolau mulheres na faixa etária de 25 a 64 anos e que já tiveram atividade sexual. No entanto a ginecologista afirma que não há uma idade certa. Assim que inicia a sua vida sexual, a mulher já deve começar a realizar a citologia. "O vírus HPV só pode ser transmitido ao colo uterino por relação sexual e é este o principal causador de câncer de colo do útero", explica.

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Quando não realizar o papanicolau

Segundo Rodrigo, o único período que impossibilita a realização do exame é nos dias em que a mulher está menstruada. Antes de marcar o exame, portanto, é preciso checar o calendário menstrual e calcular quando será a próxima menstruação.

Periodicidade do papanicolau

Mulher no dia do exame - Getty Images
Mulher no dia do exame - Getty Images

"O ideal é fazer uma vez por ano", conta o ginecologista. Em casos de alto risco, como quando a mulher tem HPV, o médico pode recomendar um exame mais frequente, de seis em seis meses por exemplo.

Riscos do papanicolau

Rodrigo Hurtado garante que não há qualquer risco. "Ao contrário, o exame permite o diagnóstico precoce com grandes chances de tratamento e cura", alega o médico.

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Papanicolau detecta HPV?

Na verdade, o papanicolau não é um exame específico para detectar HPV. "No entanto, o teste pode detectar a presença de anormalidades nas células do colo ou da vagina que são causadas pelo HPV", explica o ginecologista Achilles Cruz, de São Paulo, especialista em ginecologia e obstetrícia pelo Hospital das Clínicas da FMUSP.

Se isso acontecer, o médico irá indicar exames complementares, como a Colposcopia e a Captura Híbrida. O primeiro exame avalia o tecido de revestimento do colo da vagina através da ampliação da imagem e da aplicação de reagentes. "Na presença de alterações, será feita a biópsia do tecido que permite identificar a infecção pelo HPV", explica Achilles. Já a Captura Híbrida é um exame de tecnologia avançada que detecta se há um ou mais tipos do vírus HPV, que podem causar o câncer de colo do útero.

Papanicolau pode falhar?

Pode. "Estudos mostram que cerca de 50% das pessoas infectadas podem ter falha na detecção do vírus HPV por meio do teste de Papanicolau", conta Achilles Cruz. Por isso, é importante realizar exames complementares dependendo das condições da mulher - o ginecologista terá o cuidado de avaliar quais casos são necessários.

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Pode ter relações sexuais no dia anterior ao papanicolau?

Não é recomendado ter relações sexuais antes do papanicolau. Para ter uma maior eficácia no resultado, os médicos recomendam os seguintes cuidados a serem adotados 48 horas antes do exame:

Mulheres virgens podem fazer o papanicolau

Sim, as mulheres virgens podem realizar o papanicolau - mas são situações especiais indicadas pelo médico.

"A coleta do material, neste caso, é feita por meio da utilização de espéculo próprio para mulheres virgens, com o auxílio de uma espécie de cotonete", explica o ginecologista Achilles, que também garante que não há prejuízo para a paciente, nem risco de ruptura do hímen.