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Macacos são um alerta para a febre amarela: matá-los não é a solução

Entenda a relação dos macacos com a doença e o que fazer se encontrar algum na sua região

Entre tantas informações que surgem diariamente sobre a febre amarela, somado ao medo e a insegurança da população, é quase inevitável que muitos boatos ganhem destaque. Um deles, que estava circulando pelas redes sociais, é o de que algumas pessoas estavam tentando matar os macacos que viviam nas áreas com maior incidência da doença.

Não existem dados oficiais sobre esses atos, mas nós, do Minha Vida, acreditamos que a informação é a melhor forma de esclarecer esses mitos e evitar que eles continuem se propagando. Entenda abaixo a relação entre a febre amarela, os macacos e o surto da doença que preocupa o país.

Macacos não são transmissores

Você sabia que os macacos são vítimas, assim como nós, da febre amarela? "Os macacos adoecem por febre amarela tanto quanto o ser humano, são mais suscetíveis, mas não são vetores da doença", explica a infectologista Carolina Lázari, do Fleury Medicina e Saúde. Ou seja, eles não transmitem febre amarela.

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O processo de contágio é muito mais complexo do que o simples contato com o animal, algo que não faz com que se contraia a doença. "É preciso haver o mosquito, uma população suscetível, um sistema ecológico completo que gera o ciclo do vírus. O macaco não pode ser responsabilizado, porque nesse sentido o papel dele é como o do ser humano", completa a especialista.

Entenda como é feita a transmissão da febre amarela

Os macacos atuam como reservatórios do vírus da febre amarela, o que significa que eles já têm o vírus em seu organismo normalmente. Nesse contexto entram os mosquitos Haemagogus e Sabethe, comuns em áreas silvestres, e que são contaminados ao picarem os macacos. Esses mosquitos passam a ser vetores da febre amarela silvestre, transmitindo a doença para humanos ao picá-los.

Existe também a febre amarela urbana, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, mais comum nas grandes cidades e áreas metropolitanas. Tanto a febre amarela urbana, quanto a silvestre, contém o mesmo vírus, o que muda é o agente transmissor, no caso, a espécie do mosquito. A febre amarela silvestre é considerada endêmica, ou seja, recorrente na região norte do Brasil e de maior incidência em zonas rurais. Já a febre amarela urbana não é registrada no Brasil desde 1942. Entenda mais aqui sobre os dois tipos de ciclo da febre amarela.

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Mas se o macaco já tem o vírus e vive bem, porque tantos estão morrendo? "Um mosquito já contaminado pode picar um macaco e aumentar a carga viral desse primata. Esse tipo situação contribui para que aumente o número de óbitos de macacos por febre amarela, fazendo que com consequentemente os mosquitos que picarem esses macacos também tenham uma carga viral maior e também contaminem os humanos com mais vírus", explica a epidemiologista Helena Brígido, especialista em arboviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Macacos ajudam a mapear a doença

Além dos macacos não terem culpa sobre a situação da febre amarela, eles ainda são grandes aliados dos agentes públicos que acompanham o ciclo da doença e alertam as autoridades públicas para uma possível disseminação da doença. "O macaco, como é mais sensível que o ser humano, acaba morrendo pela doença e, por isso, conseguimos antecipar o momento de circulação do vírus quando percebemos a mortandade de macacos. Eles nos alertam que a quantidade de vírus está alta, funcionam como sentinelas", explica a infectologista Carolina.

"Durante todo o ano e em períodos entre surtos, a vigilância toma conta dos macacos, porque se aparecem espécies suscetíveis mortas, eles são recolhidos para análise. Além disso, de tempos em tempos macacos saudáveis são capturados para observar a circulação e a carga do vírus em áreas silvestres", completa Carolina.

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O Sistema Ambiental Paulista, responsável pela gestão ambiental no território do estado de São Paulo, destaca que agredir ou matar macacos é crime ambiental (Lei Federal nº 9.605/1998, artigo 29) e prejudica o trabalho de prevenção dos surtos de febre amarela.

Se encontrar um macaco doente ou morto, não mexa e não transporte o animal, porque há risco de contaminação por outras doenças (não pelo vírus da febre amarela); entre em contato imediatamente com a Vigilância Epidemiológica Municipal (consulte o site da Prefeitura do seu município) ou o Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE). Caso você encontre um macaco vivo e sadio, não capture e não transporte o animal, não o alimente, não maltrate e não mate.

Melhores formas de prevenção

A imunização da população em áreas de risco é a melhor forma de evitar a doença. "É preciso ficar de olho nas campanhas de vacinação, se vacinar, sem pânico e respeitando os momentos de convocação pelas agências de saúde e seguir as orientações públicas. Fique atento às áreas interditadas, às recomendações e também às contraindicações da vacina", ressalta Carolina. Alguns grupos não podem tomar a vacina da febre amarela e essa recomendação é muito importante ser seguida. "Busque orientação e, se souber que não pode ser vacinado, se proteja de outras formas, use repelentes e fique longe de áreas perigosas", finaliza.

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