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DIU: o que é, vantagens, dúvidas e como é colocado

Veja como o DIU interfere na menstruação e qual é sua eficácia como método contraceptivo

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O que é DIU

DIU é a abreviação para dispositivo intrauterino, um método contraceptivo usado por mulheres que não desejam engravidar e tem um dos menores índices de falha - próximo à esterilização cirúrgica feminina, segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). É formado por uma pequena haste, normalmente no formato das letras T ou Y, que é colocada dentro do útero.

Como funciona o DIU

O DIU funciona como um método de bloqueio para o espermatozoide para que ele não fecunde o óvulo. Há, ainda, dispositivos que liberam sustâncias hormonais que dificultam a fecundação e impedem a gravidez.

Tipos de DIU

Tipos de DIU - Foto: Shutterstock
Tipos de DIU - Foto: Shutterstock

Atualmente, existem dois tipos de DIU: por bloqueio (de cobre e de prata) e o hormonal (Mirena). Assim como sua composição, cada um possui um funcionamento diferente, que se adapta ao perfil de cada mulher e podem ficar por um tempo dentro do corpo da mulher (de 5 a 10 anos). Confira as especificações abaixo:

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DIU de cobre

O DIU de cobre, como o nome sugere, consiste em uma haste maleável revestida com o metal.

Durante sua ação, libera pequenas quantidades de cobre no útero, causando algumas alterações no endométrio (tecido que recobre a parte interna do órgão), no muco e na motilidade das trompas.

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Desta forma, ocorre uma reação inflamatória que não faz mal ao organismo, mas que torna a região hostil ao espermatozoide o que evita que uma gravidez aconteça.

O uso do DIU de cobre tem alta eficácia, com chances bem pequenas de gravidez (varia de 0,6% a 0,8%, segundo a Febrasgo), e seu efeito colateral mais frequente é o aumento do fluxo menstrual. Além disso, ele pode permanecer no corpo da mulher por até 10 anos.

DIU de prata

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Menos conhecido e mais moderno, o DIU de prata é outra opção de método contraceptivo disponível no mercado. O dispositivo, que tem formato de "Y", une prata e cobre em sua composição e produz o mesmo efeito no útero impossibilitando a fecundação do óvulo pelos espermatozoides.

A diferença é que a prata faz com que a ocorrência de cólicas e o fluxo menstrual sejam menores em comparação com o DIU de cobre. Além disso, ela também diminui o risco de oxidação da estrutura de cobre dentro do organismo, aumentando a eficácia do método. Sua duração é de cinco anos.

DIU de Mirena (SIU ou DIU hormonal)

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O DIU hormonal, também conhecido como DIU de Mirena ou SIU, além de produzir reações inflamatórias no útero, possui em sua estrutura uma haste com o hormônio progesterona.

Essa substância é liberada aos poucos durante seu uso e uma pequena quantidade pode ser absorvida pela corrente sanguínea. Porém, em termos gerais, o dispositivo atua da mesma forma que o DIU de cobre, causando alterações no útero que impedem a gravidez.

Além disso, de acordo com a bula do DIU de Mirena, dois terços das mulheres que usam esse dispositivo apresentam um bloqueio da menstruação, considerado um efeito colateral do dispositivo.

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Em contrapartida, as chances de engravidar com este produto caem para 0,2% e ele é também indicado como tratamento em casos de mioma uterino, endometriose e adenomiose.

DIU Kyleena

Ainda considerado um método novo e pouco conhecido, o DIU kyleena, assim como o mirena, também é um contraceptivo hormonal. A principal diferença entre os dois está no formato: enquanto o mirena possui 32 mm de comprimento, por 32 mm de largura e 1,90 mm de espessura, o kyleena é menor, medindo 30 mm de comprimento, por 28 mm de largura e 1,55 mm de espessura.

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O nível de hormônio liberado pelo DIU kyleena também é mais baixo. Dessa forma, esse método é considerado vantajoso para pessoas com um ciclo menstrual menor ou que não tenham engravidado anteriormente. O índice de falha é de 0,2% ao ano.

Qual a diferença do DIU de cobre e do DIU de Mirena?

Veja abaixo um quadro comparativo entre o DIU de cobre e o DIU de Mirena:

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Comparativo Mirena Cobre
Carga Hormonal Possui 52 mg de Levonorgestrel, liberando cerca de 20 mcg por dia Não possui hormônios
Risco de engravidar 0,2% 0,7%
Efeitos colaterais Chance de suspensão da menstruação e leve aumento de peso Aumento do fluxo menstrual e das cólicas
Vantagens Ajuda mulheres que entrarão na menopausa, reduz o fluxo menstrual e beneficia mulheres com endometriose Método mais barato, pode ser usado por mais tempo e não é afetado pelo uso de medicamentos
Indicações Mais optado por mulheres com endometriose, menopausa ou com dismenorreia (ou seja, fluxo menstrual forte e/ou doloroso) Indicado para mulheres que tiveram câncer de mama, não tem problemas com fluxo menstrual
Contraindicações Quem teve câncer de mama nos últimos 5 ou ou possui doenças hepáticas devem evitá-lo deve optar por outro tipo Mulheres alérgicas à cobre
Tempo de validade 5 anos 5 a 10 anos

Engravidar com DIU: quais são as chances?

O dispositivo intra-uterino é um método que tem 99% de sucesso em contracepção (Índice de Pearl). Portanto, é muito raro acontecer uma gestação durante o uso correto do DIU.

Em termos gerais, as chances de engravidar usando o DIU são de: 0,2% para o DIU Mirena; 0,6% para o DIU de prata; e 0,7% para o DIU de cobre.

Normalmente, a mulher consegue identificar uma gravidez mais facilmente quando está usando o DIU de cobre. Isso porque, nestes casos, a menstruação, que continua descendo, fica atrasada.

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Já no caso do DIU Mirena, como muitas mulheres deixam de menstruar, pode demorar alguns dias (ou semanas) até os primeiros sintomas de gravidez aparecerem.

Como é colocado o DIU?

O DIU é um contraceptivo que só pode ser colocado na mulher por um médico ginecologista. Somente esse profissional é autorizado e habilitado para inserir o dispositivo no interior do útero de forma segura e efetiva.

Além disso, antes da implantação do DIU, ele deve fazer alguns exames ginecológicos para descartar a presença de alterações anatômicas e de infecções ou problemas na região.

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Normalmente, a colocação é feita no próprio consultório médico, seguindo alguns procedimentos simples e indolores. Como resultado, a haste principal do DIU fica implantada dentro do útero, enquanto uma fina cordinha ligada à extremidade inferior do dispositivo é deixada dentro da vagina, para servir de suporte no momento da extração do dispositivo.

Esse fio é bem fininho e fica muito próximo à saída do colo do útero, de modo que não é sentido pela paciente. Geralmente, corta-se em dois centímetros para fora do orifício externo para ser visualizado e ser fácil de ser retirado.

Quando é colocado o DIU?

Ilustração do DIU dentro do útero - Foto: Shutterstock
Ilustração do DIU dentro do útero - Foto: Shutterstock

O DIU pode ser inserido em qualquer momento do ciclo menstrual, contanto que se tenha certeza de que a paciente não esteja grávida.

No entanto, é comum que ele seja colocado na época da menstruação, já que nesse período o colo do útero fica um pouco mais dilatado, facilitando a inserção. A sua eficácia é imediata, independentemente do período do ciclo menstrual.

Adaptação ao uso do DIU

A adaptação do uso do DIU varia de mulher para mulher. Assim que o dispositivo é colocado, é normal que a paciente sinta um leve desconforto, que pode durar por mais ou menos um dia. Mas, de modo geral, qualquer incômodo costuma passar em poucos dias.

Indicações do DIU

Quem pode usar DIU?

O DIU é indicado para qualquer mulher maior de 14 anos e sexualmente ativa, que não tenha fatores de riscos para doenças inflamatórias pélvicas. Além disso, mulheres com endometriose ou em período pós-menopausa são mais indicadas para o uso do DIU de Mirena.

Vale ressaltar, no entanto, que o método não deve ser oferecido como a primeira opção de contraceptivo para a paciente e isso ocorre por algumas razões:

Visita ao ginecologista

Contraindicações do DIU

O DIU não pode ser colocado em mulheres que apresentem:

O DIU de cobre, especificamente, também é contraindicado a mulheres com alergia à cobre. Já o DIU de Mirena não deve ser utilizado por mulheres que tiveram câncer de mama nos últimos 5 anos ou doenças hepáticas, devido aos hormônios.

Por quanto tempo usar o DIU

O DIU de Mirena e o DIU de prata, normalmente, têm uma duração de 5 anos, enquanto o DIU de cobre pode ser usado por até 10 anos, dependendo do produto.

Em qualquer um dos casos, usar mais tempo do que o recomendado faz com que o DIU, pouco a pouco, perca sua eficácia em evitar a gravidez.

Vantagens do DIU

Entre as vantagens do DIU está o fato de ele ser um dispositivo que fica fixo por um longo período no útero e funciona sozinho, não havendo risco de ser mau usado e, por isso, ter sua eficácia reduzida.

Dentre as principais vantagens específicas do DIU de cobre estão:

Já o DIU de Mirena tem entre suas vantagens:

Entretanto, o DIU Mirena possui algumas desvantagens, principalmente quando comparado ao DIU de cobre:

Efeitos colaterais

O que o DIU pode causar?

De modo geral, o uso do DIU pode causar dores na pélvis e aumentar o risco de infecções vaginais, apesar destes sintomas serem raros. Em geral, cada tipo possui efeitos colaterais específicos.

No caso de cada tipo existem efeitos colaterais específicos.

O DIU de cobre, por alterar o endométrio e o muco, costuma:

Já o DIU de Mirena, por liberar hormônios, pode:

DIU de Mirena x pílula anticoncepcional

É complicado comparar o DIU Mirena com as pílulas anticoncepcionais, já que cada tipo de método possui concentrações diferentes de hormônios.

No entanto, o DIU libera ao dia 20 mcg de levonogestrel, enquanto uma pílula comum costuma ter 0,1 mg desse hormônio. Ou seja, o DIU tem uma carga bem maior de hormônio feminino.

Qual é o valor do DIU?

Preço do DIU

Assim como outros métodos contraceptivos, o dispositivo intrauterino pode ser encontrado em qualquer farmácia ou drogaria. No caso do DIU de cobre, ele chega a custar entre R$ 50 e R$ 150 - dependendo da marca ou região.

Já o DIU de Mirena (hormonal) é bem mais caro, custando cerca de R$ 600 a R$ 750. Entre as duas opções, há o DIU de prata, com preços que vão desde R$ 60 a R$ 280.

DIU no SUS

Além das opções pagas, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza para as mulheres o DIU TCu 380 (DIU de cobre) de forma gratuita. Os médicos fazem a inserção do dispositivo nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e em hospitais públicos, sem qualquer custo.

Dúvidas frequentes

O DIU pode se deslocar ou sair sozinho?

Durante a menstruação o útero, que é um músculo, pode se contrair, alterando a posição do DIU e até mesmo expulsando-o. Por isso, seu monitoramento deve ser constante. Contudo, uma vez dentro da cavidade este terá sua ação contraceptiva mantida.

DIU engorda?

O DIU hormonal, Mirena, pode ter como efeito colateral o aumento de peso. Isso por conta da liberação de hormônios do dispositivo.

Como é a adaptação à colocação do DIU?

Isso pode variar de mulher para mulher, mas em geral a adaptação é simples. Pode-se ter um aumento de fluxo no caso de DIU de cobre e escapes inter-ciclos no caso do DIU Mirena. Em ambos os métodos, a paciente pode sentir dismenorreia levemente aumentada, que melhora com o tempo em geral.

Como fica a menstruação com o DIU?

Com o DIU de Mirena, a menstruação reduz bastante ou até chega a ser suspensa enquanto ele for usado (apesar de haver risco de escapes). Já o DIU de cobre age de forma contrária, aumentando o fluxo menstrual e as cólicas.

Como o DIU afeta a ovulação?

O DIU, mesmo que hormonal, não costuma alterar a ovulação. Por isso, sintomas como retenção de líquido e inchaço, comuns antes da menstruação (na chamada fase lútea), não são eliminados.

Em quanto tempo após a retirada do DIU é possível engravidar?

Após a retirada do DIU, a mulher retoma sua fertilidade de imediato e já pode começar a tentar engravidar. Portanto, não há necessidade de esperar um tempo para isso.

Vale lembrar que qualquer casal tem cerca de 50% de chance de engravidar após a suspensão de qualquer método contraceptivo, chegando a 85% em 6 meses. Assim, se não houver impedimentos, a gestação deverá ocorrer em curto espaço de tempo.

Referências

Pedro Monteleone, médico ginecologista (CRM-SP 81123), coordenador técnico do Centro de Reprodução Humana do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) e diretor da Clínica de Reprodução Humana Monteleone

Vamberto Maia, médico ginecologista (CRM-SP 118.297), especialista em reprodução humana assistida e membro do corpo-clínico da Clínica Mãe