Chia faz mal? Veja como consumir sem riscos

Especialistas explicam contraindicações da semente

POR NATHALIE AYRES - PUBLICADO EM 17/02/2017

A chia é uma das queridinhas da alimentação saudável, mas ultimamente uma série de pessoas têm se preocupado com seu consumo: será que ela pode fazer mal à saúde?

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Tudo começou com o relato de caso apresentado em um encontro do Colégio Americano de Gastroenterologia, na Carolina do Norte (EUA). Nele, a pesquisadora Rebeca Rawl explicou a história de um homem que apresentou oclusão do esôfago por consumir uma colher de sopa de chia e água logo em seguida. O homem precisou ser hospitalizado, pois não conseguia engolir nem a própria saliva.

"A chia é capaz de absorver uma quantidade enorme de líquidos, podendo chegar a expandir o equivalente a 7 vezes o próprio peso", explica a nutróloga Andréia Guarnieri, especialista em Terapia Nutricional Enteral e Parenteral pela Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (SBNPE). Quando o homem citado por Rawl bebeu água, a chia que estava sendo deglutida começou a inchar, obstruindo seu esôfago.

Outros casos de complicações com o consumo das sementes já foram notificados, principalmente entre pessoas com problemas de deglutição, como era o caso deste paciente. Mas esse não é o único cuidado que deve ser tomado para se consumir chia - a seguir especialistas mostram outras medidas de segurança, além dos cuidados para não engasgar:

Chia faz mal para diabéticos?

Mais ou menos. Pessoas que tomam medicamentos para manter os níveis de açúcar no sangue mais baixos, como o caso dos diabéticos, ou quem naturalmente sofrem com hipoglicemia precisa ter cuidados redobrados para consumir a sementinha. "As fibras solúveis agregadas aos alimentos promovem um retardo do esvaziamento gástrico e com isso lentificação da absorção de glicose pela circulação sanguínea, o que termina por contribuir para uma queda da glicemia", considera a nutróloga Andreia.

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A chia não chega a ser totalmente contraindicação nesses casos, mas como na questão da pressão arterial, cabe tomar um cuidado especial ao consumi-la, moderando as quantidades e observando suas reações.

Cuidado com a pressão baixa

A chia tem uma propriedade interessante de reduzir a pressão arterial. "Por isso, pessoas com muita tendência à hipotensão devem observar se sentem mais cansaço, sono ou dor de cabeça ao consumir esta semente", explica Clarissa.

Além disso, quem é hipertenso e toma remédio de forma crônica precisa ter cautela e conversar com seu médico sobre o consumo deste item. "A chia está permitida para este grupo de pessoas sim, desde que com moderação", ressalta Andreia.

Atenção ao trânsito intestinal

Pessoas com propensão a diarreias, como quem sofre com síndrome do intestino irritável, devem tomar cuidado com alimentos muito fibrosos, outra característica importante da chia. "As fibras solúveis aceleram o trânsito intestinal, o que não é nada interessante para quem está com crise de diarreia", considera Clarissa.

Algumas doenças do intestino também pedem cuidado com alimentos como a chia. Uma delas é a diverticulite, em que as pessoas devem tomar cuidado com sementinhas de modo geral. "A diverticulite é uma alteração estrutural do intestino, na qual se formam pequenas bolsas, hérnias ou abalamentos no intestino, mais precisamente cólon", descreve Andréia. Com isso, estes grãos podem ficar presos nessas protuberâncias, causando inflamações que podem se agravar bastante.

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Quem toma anticoagulante

O ômega-3, presente em cerca de 18% da composição da chia, funciona como um anticoagulante natural, já que tem propriedades vasodilatadoras, reguladoras do da pressão arterial e antiagregação das plaquetas.

A chia não faz mal para esse grupo, mas é interessante pessoas que usam remédios anticoagulantes tomarem cuidado com suplementos e alimentos ricos em ômega-3, incluindo a chia. "Pessoas com hemofilia devem também tomar cuidado", ressalta Clarissa.

Pra não engasgar

A semente já hidratada é a melhor medida para não correr o risco de engasgar. "Uma das orientações é deixar de molho por pelo menos 10 a 15 minutos, se quiser manter um pouco de sua textura crocante", considera a nutricionista Clarissa Fujiwara, especialista em nutrição. A quantidade de água usada para hidratar também altera sua textura.

O consumo de quantidades menores por vez também pode ser interessante. Como a quantidade máxima diária indicada é de duas colheres de sopa ao dia, essa medida pode ser distribuída entre as refeições.

Além disso, adicioná-las em receitas como farinha pode ser uma forma mais segura de consumi-la. "A farinha pode ser usada como ingrediente de receitas para substituir totalmente ou em partes outras farinhas - principalmente a farinha de trigo refinada", explica Andreia. No entanto, é preciso lembrar que o ômega-3 presente na sementinha não se mantém na versão triturada.

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