Nove dicas para ajudar quem você ama a parar de fumar (sem ser chato!)

Encarar o tabagismo como uma doença e ter a abordagem certa são os primeiros passos

POR NATHALIE AYRES - ATUALIZADO EM 26/08/2015

Quem não ama alguém que consome um cigarro atrás do outro não consegue imaginar a dimensão da vontade de fazer uma pessoa largar o fumo. E o Dia Nacional de Combate ao Fumo (29/08) é uma boa data para abraçar a causa. Mas a dificuldade em abordar esse assunto é proporcional ao problema, afinal eles nunca querem deixar o hábito. E quando você insiste demais corre o risco de se tornar um... chato! O que pode acabar afastando o fumante ainda mais e levando a solução do problema por água abaixo.

Existem formas e formas de começar a se abordar esse assunto com um fumante. E culpá-lo por não parar com o cigarro não é a melhor maneira! "É preciso primeiro entender que o tabagismo é uma doença e como tal precisa ser tratada", reforça Jaqueline Issa, cardiologista e coordenadora do Programa de Tratamento do Tabagismo do Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP).

Como no alcoolismo, o apoio da família e dos amigos é fundamental. Muitas vezes, depende deles inclusive o sucesso ou o fracasso do processo. "O familiar pode ajudar não pressionando, nem cobrando; não boicotando; sendo empático, assertivo e afetuoso", resume a psicóloga Ana Carolina Schmidt de Oliveira, do Vida Mental Serviços Médicos e especialista em dependência química. Se você faz parte do time que precisa de lições para saber como ajudar uma pessoa a largar o vício, siga as dicas dos nossos especialistas logo abaixo.

Você pode ser rígido

No começo, o fumante nunca cogita largar o cigarro. E um dos argumentos mais comuns é o famoso: "oras, eu posso parar quando eu quiser". De acordo com Jaqueline Issa, cardiologista e coordenadora do Programa de Tratamento do Tabagismo do Incor, nesse ponto as políticas públicas que impedem o fumo acabam sendo efetivas. "Com isso, ele acaba percebendo a necessidade de fumar em situações inconvenientes, precisando se locomover e às vezes até enfrentar chuva e frio para fumar", explica a médica. E os familiares podem se aproveitar dessa técnica, ao dizer que não querem que a pessoa fume na casa delas. Desculpas não faltam! Dá para alegar que não gostam do cheiro e querem evitar o fumo passivo e de terceira mão, causado por alguns resíduos do cigarro continuam no ambiente e também fazem mal à saúde. No fim, os argumentos não deixam de ser verdadeiros.

Mesmo sem essas proibições, deixar claro que você não gosta é importante. "Se a pessoa não gosta que fiquem lhe dizendo toda hora que pare de fumar, quem convive com o fumante pode expor isso colocando seus limites, mas sempre de forma empática", acredita o psiquiatra Hewdy Lobo Ribeiro, do ProMulher, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP e diretor do Vida Mental Serviços Médicos.