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Adiamento: conheça os prós e contras da técnica para parar de fumar

O método consiste em cada vez mais adiar o primeiro cigarro do dia, até deixar de fumar completamente

O que é o adiamento

O adiamento é uma estratégia de parar de fumar dentro da parada gradual. No lugar de simplesmente reduzir os cigarros diários, a técnica consiste em adiar o primeiro cigarro do dia. Assim, quanto mais tempo o fumante demora para começar a fumar, menos ele fumará durante o dia. O ideal é adiar uma hora por dia, até que não se fume nenhum cigarro.

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Como nas técnicas de parada gradual, o indicado pelos especialistas é que o adiamento dure no máximo duas semanas.

Para quem é o adiamento é indicado

O adiamento, assim como a parada gradual comum, é bem indicado para fumantes que se sentem muito ansiosos com a parada e acham que não conseguirão parar abruptamente. Também é bem indicada para quem tem sintomas da síndrome de abstinência muito intensos. No geral, a parada gradual dá mais confiança, pois ao ficar maiores períodos de tempo sem fumar ou diminuir o número de cigarros, o fumante se sente mais certo de que conseguirá.

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Vale ressaltar que pessoas que estão altamente motivadas a parar de fumar ou que nunca tentaram deixar o cigarro antes devem tentar diretamente a parada abrupta.

Como funciona o adiamento

A parada gradual consiste na redução pouco a pouco dos cigarros. Já o adiamento determina que a redução ocorra através do atraso do primeiro cigarro do dia. Ou seja, a cada dia o fumante tentará fumar seu primeiro cigarro cada vez mais tarde. O mais indicado é adiar duas horas ao dia. Por exemplo, se ela fumava o primeiro cigarro às 09h, no primeiro dia irá fumar as 11h, no terceiro às 13h, no quarto as 15h, no quinto as 17h, no sexto às 19h e no sétimo será o primeiro dia sem fumar nenhum cigarro.

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Dessa forma, a técnica dura normalmente uma semana, se for seguida à risca. Porém, caso o fumante não consiga, o ideal é que o processo não dure mais de duas semanas, pois um período mais longo do que esse não motiva uma mudança e pode fazer com que o paciente desista ou fique protelando a parada. Então é importante planejar qual será o dia que não fumará mais.

Vantagens e desvantagens do adiamento

As vantagens desse tipo de parada estão na maior motivação que ela traz ao fumante: ele se sente vitorioso a cada cigarro a menos que fuma em seu dia e por ficar maiores períodos sem fumar.

Além disso, o primeiro cigarro do dia muitas vezes é o mais difícil de tirar, pois ao acordar a pessoa já ficou um longo período sem cigarro, o que faz com que sua crise de abstinência seja ainda maior. Quando ele consegue adiar esse cigarro, retirar os outros se torna muito mais fácil e o fumante fica mais confiante em parar. Ao adiar o primeiro cigarro a pessoa já está elaborando estratégias de como lidar com estes sintomas, criando estratégias para ficar sem o cigarro apesar da vontade.

O lado negativo da parada gradual é que o fumante estará ainda em contato com os objetos ligados ao fumo, como os cinzeiros e o isqueiro, além do cheiro do cigarro continuar presente nos ambientes e em suas roupas, o que pode atrapalhar, fazendo com que ele adie a decisão de parar. Além disso, a crise de abstinência fica mais longa, já que ainda haverá exposição diária à nicotina, mesmo que menor. Por fim, por mais que a quantidade de cigarro seja reduzida, ele continuará fazendo mal à saúde, ou seja, o paciente é exposto a esses prejuízos por mais tempo, do que se ele tivesse parado de uma vez.

Resultados esperados

Em geral, a parada abrupta é mais recomendada pelos especialistas do que a parada gradual, mas as evidências científicas se dividem sobre o potencial de cada um deles em ajudar parar de fumar.

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Inclusive, uma revisão de estudos realizada pela Biblioteca Cochrane, que reuniu 10 pesquisas com 3760 participantes no total, mostrou que ambos os métodos (parada gradual e gradual) tem resultados parecidos ao ajudar os fumantes a pararem, mesmo quando acompanhados de terapia de reposição de nicotina, suporte comportamental ou suporte de autoajuda.

No geral, porém, que já tentou essa técnica anteriormente e acabou por adiar a decisão de largar o cigarro, talvez possa tentar a parada abrupta como alternativa.

Tratamentos aliados

Terapia de reposição de nicotina A reposição de nicotina não é indicada enquanto o paciente ainda fuma. Mas pode ser uma aliada depois que o paciente conseguir zerar seus cigarros. O ideal é que o fumante consulte um médico, que orientará se ele precisa desse tipo de método e como ele pode usá-lo com a técnica de parada.

Quem pode orientar

O ideal é sempre tentar parar de fumar sob a orientação de um especialista médico nessa, que certamente irá ajudá-lo a escolher os melhores tratamentos, inclusive realizando uma intervenção medicamentosa se necessário. Além disso, comorbidades clínica ou psiquiátricas podem representar fator de risco para recaída, e com o acompanhamento médico estas serão tratadas imediatamente.

Fontes

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Psicóloga Ana Carolina Schmidt de Oliveira (CRP 06/99198), especialista em Dependência Química e profissional do Vida Mental Serviços Médicos

Psicóloga Sabrina Presman, especialista em tabagismo da Associação Brasileira do Estudo do Álcool e Outras Drogas (ABEAD)

Livro "Tabagismo: Doença que tem tratamento" (Editora ArtMed), organizado pelo pneumologista Luiz Carlos Côrrea da Silva