Pais precisam ficar atentos aos sinais de Bullying

Desempenho escolar ruim e falta de vontade de ir à escola podem ser alguns sinais

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 03/05/2011

Muito têm se falado do bulliyng ultimamente, principalmente por conta dos acontecimentos dos últimos meses como o caso do massacre de Realengo no Rio de Janeiro, onde em um "vídeo suicida" deixado pelo assassino Wellington Menezes de Oliveira, este revela o bulliyng como sendo uma de suas motivações para o crime. Mas o que realmente esse fenômeno representa? Quais as reais consequências que ele pode ocasionar?

O fenômeno é antigo, mas somente a cerca de 30 anos ele começou a ter atenção especial dos estudiosos, sendo tema de pesquisas principalmente na Europa. No Brasil, os estudos são ainda mais recentes e o tema ainda precisa ser muito bem discutido pela sociedade.

Bulliyng é uma palavra inglesa que se refere a qualquer tipo de atitude agressiva, física ou psicológica, repetitiva e causada sem uma motivação aparente, por uma ou mais pessoas contra outra, ou outras. Pode acontecer em qualquer ambiente onde haja interação entre pessoas como no trabalho, faculdades, nas relações familiares, entre vizinhos e nas escolas, aonde vêm sendo bastante estudado por conta das possíveis consequências negativas que este pode vir a trazer para vida dos estudantes envolvidos.

PUBLICIDADE

Bulliyng na escola

O bulliyng pode trazer consequências tanto para as vítimas, que podem vir a ter depressão, como para os agressores, que podem ficar cada vez mais agressivos.

O bulliyng, nas escolas, pode ser direto e indireto. Sendo que o direto costuma ser mais praticado por meninos e consiste em ações diretas de violência como a agressão física, psicológica, xingamentos, roubos etc. Já o indireto, é mais praticado por meninas e acontece de formas mais sutis como através da difamação e isolamento da vítima.

As vítimas do bulliyng acabam sofrendo caladas por terem medo de revelar a violência sofrida. Porém, existem sinais comuns apresentados que podem ser observados pelos pais, como resistência em ir à escola, alterações de sono e apetite, baixa no rendimento escolar, dentre outros. Esses sinais devem ser observados com atenção, pois pode ser um indicador da ocorrência do bulliyng.

Confirmando-se a suspeita, é importante que os pais conversem com os filhos, estimulando o assunto em casa e não os incentive a revidar, pois isto poderia provocar ainda mais ansiedade e pressão na vítima. Outro passo fundamental é comunicar o problema à escola e cobrar providencias para que o problema não continue a acontecer.

Consequências

O bulliyng pode trazer graves consequências tanto para as vítimas, que podem vir a ter depressão e sofrerem também com a baixa autoestima na vida adulta, como para os agressores que podem se tornar adultos agressivos e com dificuldades nas relações interpessoais. Os alunos que testemunham o bulliyng também são afetados negativamente, muitas vezes sofrendo com o medo e a ansiedade de serem os próximos alvos dos agressores. No entanto, é importante salientar que pessoas que sofreram com o bulliyng não estão fadadas a cometerem crimes e que, como no caso de Wellington Menezes, o bulliyng pode ter funcionado apenas como um gatilho numa mente que já possuía sérios problemas psiquiátricos.

No Brasil, ainda não existe uma lei federal de combate ao bulliyng, o que lento e dificulta a tomada de providências. Porém, vale ressaltar que a melhor maneira de se trabalhar a questão do bulliyng nas escolas é por meio da prevenção. Entender e promover a discussão do tema entre pais, alunos e educadores pode significar um grande passo rumo às mudanças positivas.

Thainá Matos - Psicóloga (CRP: 06/95992) - Especialista em Psicologia Hospitalar, Aprimoranda em Luto, Especialista em Saúde Pública e Membro da Rede Psicosyn de Atendimento Psicológico.