Marca-passo regula frequência cardíaca mínima do coração e aumenta longevidade

Dispositivo emite frequências elétricas que estimulam batimento do órgão

POR LAURA TAVARES - PUBLICADO EM 14/02/2013

Encontre seu pulso no pescoço ou no punho e conte o número de vezes que seu coração bate em um minuto. O número resultante é sua frequência cardíaca, que recebe a sigla bpm (batimentos por minuto). Para um órgão jovem e saudável, o número de batimentos considerado normal é entre 60 e 90, mas a tendência é que esse número diminua com a idade por conta da degeneração natural que o corpo sofre. A solução? O marca-passo, dispositivo que acompanha o papa Bento 16 há anos e pode estar ligado a sua renúncia.

De acordo com o cardiologista Antônio Vitor Moraes, diretor científico do Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial (DECA) da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, muitas pessoas se mostram resistentes à colocação do marca-passo, mas é possível levar uma vida completamente normal com ele. "Além disso, estudos mostram que quem usa o dispositivo vive mais e melhor do que os que ignoram a recomendação médica", afirma o médico. Tire suas dúvidas sobre o aparelho e derrube mitos que limitam a vida de quem tem o implante.

1. O que é o marca-passo?
"O marca-passo é um dispositivo implantável que emite estímulos elétricos até o coração para garantir uma frequência cardíaca mínima do órgão", explica o cardiologista Bruno Valdigem, especialista em arritmias cardíacas do Instituto Dante Pazzanese e marca-passista do Hospital Israelita Albert Einstein.

2. Quem precisa usar o marca-passo?
O marca-passo é recomendado para pacientes com bradicardia (frequência cardíaca lenta) causada pelo desgaste do sistema elétrico do coração que pode acontecer pelo envelhecimento ou por alguma doença cardíaca, afirma o cardiologista Márcio Figueiredo, da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas e professor de cardiologia da UNICAMP.

3. Quais sintomas podem levar à descoberta da bradicardia?
Segundo o cardiologista Antônio, os principais sintomas da bradicardia são tontura, fraqueza, indisposição e até desmaios, devido ao menor fluxo sanguíneo cerebral. "Isso leva a crer que o problema é neurológico, mas, se que o paciente buscar ajuda, será encaminhado a um cardiologista que fará o diagnóstico correto", aponta. Se o marca-passo não for colocado, é possível haver parada cardíaca seguida de morte.

4. Como é implantado o marca-passo?
O paciente pode receber anestesia local - mais comum - ou geral. Em seguida, é feito um pequeno corte embaixo da clavícula e, usando uma veia como caminho, são conectados dois eletrodos ao coração. Os eletrodos, por sua vez, estão ligados a um gerador implantado sob a pele. Dessa maneira, o dispositivo consegue interpretar a frequência cardíaca do coração do paciente e emitir estímulos elétricos para acelerá-lo.

5. Quanto tempo dura a cirurgia?
"O tempo da cirurgia varia de acordo com o paciente e a equipe média, mas em geral é de uma hora", afirma o cardiologista Márcio.

6. Como é o pós-operatório?
"O paciente costuma ser liberado no dia da cirurgia ou na manhã seguinte", explica o cardiologista Antônio. Na primeira semana, recomenda-se não mexer o braço próximo ao local em que o marca-passo foi implantado e, no mês seguinte, evitar grandes movimentações com o membro. Depois, todas as atividades estão liberadas, desde que não ofereçam risco de impacto com o gerador.

7. Quais cuidados o paciente com marca-passo precisa tomar?
O paciente com marca-passo pode ter uma vida completamente normal, mas precisa tomar alguns cuidados com campos elétricos que possam afetar o dispositivo. "Ele não precisa parar de usar celular, por exemplo, mas recomendamos que não guarde no bolso próximo ao gerador e use o aparelho na orelha do lado oposto ao dispositivo", explica o cardiologista Márcio.

8. Após a colocação do marca-passo, é necessário fazer visitas periódicas ao cardiologista?
Sim, o cardiologista precisa programar o funcionamento do marca-passo e verificar se ele está funcionando corretamente. As visitas costumam ser semanais logo após a cirurgia e, mais para frente, mensais e semestrais.

9. O marca-passo precisa ser trocado em algum momento?
"Como os problemas que levam à recomendação da implantação do marca-passo costumam ser irreversíveis, o paciente precisa usar o dispositivo para o resto da vida", aponta o cardiologista Bruno. Com o tempo, entretanto, a bateria desgasta, tornando necessária uma nova cirurgia para a sua troca. ?Essa segunda intervenção é muito mais simples e precisa ser feita a cada seis anos, aproximadamente?, explica o médico.

10. Existe a possibilidade de rejeição?
"O risco de rejeição é quase nulo", afirma o cardiologista Antônio.

Sono reparador

Estudos recentes apontam que cerca de 40% dos indivíduos hipertensos sofrem também de apneia obstrutiva do sono, alertando para uma relação entre as doenças. A apneia atinge aproximadamente sete em cada 100 pessoas e a incidência é maior no sexo masculino. Estima-se que 24% dos homens de meia-idade e 9% das mulheres são afetados pela apneia. A doença caracteriza-se pelo ronco que segue em um mesmo ritmo, vai ficando mais alto e, de repente, é interrompido por um período de silêncio. Neste momento, a pessoa fica totalmente sem respiração, mas, logo o ronco volta ao ritmo inicial. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), Artur Beltrame Ribeiro, quem sofre de apneia do sono apresenta mais variabilidade da pressão e o aumento está ligado à lesão dos órgãos-alvo, como coração, cérebro e rins. Além disso, uma noite bem dormida tem a ver com viver mais, de acordo com um estudo da Universidade de Warwick e da Universidade Federico II, na Itália. De acordo com os pesquisadores, quem dorme menos de seis horas ou mais de oito ao dia tem 12% a mais de chance de morrer. Com a qualidade do sono prejudicado, crescem os ricos de acidentes, por conta da sonolência, e de ataques cardíacos em função do estresse.

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