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Diabetes: pacientes que monitoram a glicose controlam melhor a doença

Fazer medições em casa e no consultório reduzem níveis de glicose no sangue

A diabetes já afeta cerca de 246 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, a doença atinge 5,6% da população. Para evitar complicações, principalmente nos casos de diabetes tipo 1, é necessário ministrar insulina e manter os níveis de glicose no sangue sob controle. Segundo pesquisadores da Escola de Medicina Icahn, no Monte Sinai, fazer o controle da doença não só em casa, como no consultório médico, pode ser a principal arma dos pacientes. O trabalho foi apresentado no The Endocrine Society's Annual Meeting & Expo (ENDO), que acontece entre os dias 15 e 18 de junho, em San Francisco (EUA).

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O estudo acompanhou 500 pacientes do Monte Sinai Diabetes Center que estavam com o diabetes descontrolado, e determinou que 30% dos participantes fizessem medições de glicose em suas visitas, bem como fizessem registros manuscritos do monitoramento da glicose feito em casa. Ao final das análises, aqueles qur tiveram acompanhamento médico para as nomeações e apresentaram os níveis monitorados em casa tiveram uma baixa nos níveis de hemoglobina glicada em 1,2%, ao passo que os outros pacientes não apresentaram alterações. Hemoglobina glicada é aquela usada para identificar altos níveis de glicose durante longos períodos, fazendo uma média.

De acordo com os autores, é importante que os pacientes façam acompanhamento de suas medições de glicose não só em casa, como também com exames médicos. Eles afirmam que pacientes que fazem as medições apenas em casa podem gerar dados imprecisos, causando uma falsa sensação de controle da doença.

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Sete mudanças que ajudam a conviver bem com o diabetes

Apesar de ser uma doença crônica, é possível conviver bem com o diabetes - basta que o paciente tenha hábitos saudáveis e siga corretamente as indicações médicas. "Os riscos mais graves do diabetes, como perda total da visão, amputação e falência renal ocorrem em pacientes que não tiveram tratamento adequado", de acordo com o endocrinologista Josivan Lima, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia - SBEM. A seguir, veja as mudanças que melhoram a vida de quem tem diabetes.

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Invista no cardápio certo

Sanguíche integral - Foto: Getty Images
Sanguíche integral - Foto: Getty Images

"Os pacientes diabéticos devem evitar os açúcares simples (presentes nos doces e carboidratos simples, como massas e pães), pois são absorvidos muito rapidamente, levando a picos de glicemia e, consequentemente, complicações a médio e longo prazo", de acordo com o endocrinologista Josivan Lima. Uma boa dica é beber bastante água, que ajuda a remover o excesso de glicose no sangue, que será eliminado pela urina.

Quando um alimento tem o índice glicêmico baixo, ele retarda a absorção da glicose. Mas, quando o índice é alto, esta absorção é rápida e acelera o aumento das taxas de glicose no sangue. Os carboidratos não são proibidos, mas existem recomendações dietéticas. "Uma ingestão diária de 50 a 60% de carboidratos usualmente é suficiente, preferindo-se os carboidratos complexos (castanhas, nozes, grãos integrais) que serão absorvidos mais lentamente, evitando picos de glicemia", diz Josivan.

Os diabéticos também podem sofrer de baixas de glicose no sangue, a hipoglicemia. Quinze minutos após ingerir algum alimento açucarado, cheque se a quantidade de glicose no seu sangue está normal.

Diga não ao sedentarismo

Exercício físico ajuda a controlar diabetes - Foto: Getty Images
Exercício físico ajuda a controlar diabetes - Foto: Getty Images

A atividade física é essencial no tratamento do diabetes para manter os níveis de açúcar no sangue controlados e afastar os riscos de ganho de peso. "A prática de exercícios deve ser realizadas de três a cinco vezes na semana. Há restrição nos casos de hipoglicemia, de modo que pacientes não devem iniciar atividade física com a glicemia muito baixa, sob o risco de baixar ainda mais os níveis. Da mesma forma, deve-se evitar atividade física quando o diabetes está descontrolado, com glicemia muito elevadas. Nestes casos, a liberação de hormônios contra-reguladores pode aumentar mais ainda a glicemia", diz Josivan. Os pacientes devem privilegiar atividades físicas leves, pois quando o gasto calórico é maior do que a reposição de nutrientes após o treino pode haver a hipoglicemia.

É importante saber como está o controle glicêmico antes do início da atividade física para então escolher o melhor alimento. Se a glicemia está muito baixa, é aconselhável dar preferência aos carboidratos e evitá-los se estiver alta. "A escolha do alimento depende também do tipo de exercício: exercícios aeróbicos de grande duração (como corrida e natação) tendem a baixar a glicemia, sendo necessária uma ingestão maior de alimentos. Em todos os casos, os pacientes devem sempre combinar com seus médicos quais são as melhores opções, pois o tratamento do diabetes tem muitas peculiaridades individuais", diz Josivan.

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Adapte-se às aplicações de insulina

Aplicação de insulina - Foto: Getty Images
Aplicação de insulina - Foto: Getty Images

Esqueça as injeções assustadoras. Hoje, a maioria dos pacientes com diabetes do tipo 1, que precisam aplicar insulina com maior frequência, usa canetas próprias para esta função, que causam menos desconforto, pois têm agulhas menores e com material mais flexível, de silicone.

"Além disso, pode-se usar também bombas de insulina por meio de um cateter, que é implantado no tecido subcutâneo do paciente injetando doses menores de insulina ao longo do dia, evitando os picos que podem causar hipoglicemia", diz Josivan. Mas a facilidade tem seu preço. Em média, esse equipamento custa cerca de R$ 12 mil. Mensalmente, a manutenção custa, em média, R$ 500.

Maneire no consumo de bebidas alcoólicas

Cerveja precisa de moderação - Foto: Getty Images
Cerveja precisa de moderação - Foto: Getty Images

O consumo de álcool não é proibido, mas deve ser moderado e nunca de barriga vazia, pois o consumo isolado pode causar hipoglicemia, pois o álcool tende a reduzir as taxas glicêmicas. O que pode causar enjoo, tremores pelo corpo, fome excessiva, irritação e dores de cabeça.

Também é importante fazer o monitoramento de glicemia antes e depois de consumir bebidas alcoólicas. Para o endocrinologista Fadlo Fraige, apenas as bebidas destiladas são permitidas (e com muita moderação), pois, segundo ele, não são feitas à base de carboidratos, como a cerveja, e o álcool tem baixo índice glicêmico. "Cuidado com cervejas e bebidas doces ou à base de carboidratos. Elas têm alto índice glicêmico e podem trazer problemas", completa.

Evite os problemas vasculares

Problemas vasculares - Foto: Getty Images
Problemas vasculares - Foto: Getty Images

O diabetes provoca a aceleração do endurecimento das artérias, levando à má irrigação dos tecidos. As artérias coronárias são afetadas, podendo levar ao infarto cardíaco, além das artérias renais, levando a insuficiência renal grave.

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A doença também afeta a microcirculação, ou seja, lesionando as pequenas artérias (arteríolas) que nutrem os tecidos, que atingem especialmente as pernas e os pés. Assim, é importante que ao ter dores ao caminhar, pés frios e pálidos, feridas que não cicatrizam facilmente, formigamento, "fraqueza nas pernas", deve-se procurar um angiologista ou cirurgião vascular, que pode avaliar com maior precisão os sintomas e tomar as medidas médicas para evitar maiores danos, como a amputação do membro afetado.

Também é importante evitar saunas e escalda-pés. "Em função desta alteração circulatória, os riscos de exposição às altas temperaturas e aos choques térmicos podem agravar ou desencadear quadros de angiopatias e outros problemas cardíacos", de acordo com a nutricionista Patrícia Ramos, coordenadora do Hospital Bandeirantes.

Aumente os cuidados com os olhos

Cuidado redobrado com os olhos - Foto: Getty Images
Cuidado redobrado com os olhos - Foto: Getty Images

O acompanhamento oftalmológico de quem tem diabetes é recomendado devido à maior fragilidade de sua córnea. As células da córnea do diabético não têm a aderência que se encontra na maioria dos não-diabéticos. Essa fragilidade é a porta de entrada para uma série de infecções oportunistas.

A catarata também é mais comum. Em situações de hiperglicemia, o cristalino absorve água, o que pode provocar miopia. À medida em que a glicemia retorna aos seus níveis normais, o cristalino se desidrata e volta ao seu tamanho original. "Assim, a repetição dessa situação altera as fibras da estrutura do cristalino, provocando o sintoma de vista embaçada. Isso explica a maior predisposição dos diabéticos a sofrer de catarata mais cedo", de acordo com o oftalmologista Virgilio Centurion.

Controle o estresse

Estresse - Foto: Getty Images
Estresse - Foto: Getty Images

Pessoas com diabetes têm maiores chances de ter ansiedade e depressão. Os pacientes podem sentir uma sensação de ansiedade em relação ao controle da hipoglicemia, da aplicação de insulina, ou com o ganho de peso. "Os pacientes com diabetes que ficam ansiosos e estressados tendem a ter menos cuidado com os níveis de açúcar no sangue, o que aumenta o risco de complicações", diz Josivan.

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Além disso, a relação estresse-diabetes se mostra uma via de mão dupla. Uma pesquisa feita na Suécia e publicada pela revista científica Diabetic Medicine comprovou que os homens que passam por altos níveis de estresse e têm tendências depressivas podem dobrar os riscos de desenvolver diabetes tipo 2, aquele em que o organismo é capaz de produzir insulina, mas tem dificuldade de processá-la. De acordo com os pesquisadores, a relação entre os dois males pode ser resultado dos efeitos do estresse na capacidade cerebral em regular os hormônios, ou ainda, da influência negativa que a depressão exerce na dieta e no nível de atividade física.