AVC: pacientes podem minimizar sequelas da doença

Tratamento pode ajudar a recuperar movimentos, fala e superar dificuldades

POR CAROLINA SERPEJANTE - ATUALIZADO EM 20/07/2016

Quem passou por um AVC hemorrágico ou por um AVC isquêmico precisa invariavelmente conviver com as sequelas decorrentes deste quadro clínico. Elas são as consequências das lesões sofridas pelo cérebro em função do AVC. "O derrame cerebral acontece quando as células do cérebro não recebem irrigação de sangue suficiente ou quando uma hemorragia atinge essas células, afetando diversos processos do nosso corpo", explica o neurologista André Felicio, de São Paulo. "Quando os mecanismos compensatórios não são suficientes para suprir a morte dos neurônios e as células do entorno não são capazes de assumir as funções deficientes, ocorre a sequela."

A recuperação após o AVC vai depender de fatores como a área afetada e o tamanho da lesão. "Nós nunca trabalhamos com a cura total de uma sequela, mas sim com a reabilitação, de forma que paciente se torne independente para realizar suas atividades sozinho da forma que for", declara o fisiatra Sílvio Oliveira, especialista em atendimento a pacientes que sofreram AVC. Quando se trata de um derrame, é importante ter em mente que a recuperação do paciente tem um limite, nunca será 100% - mas é possível estimulá-lo para que fique cada vez mais próximo da normalidade. Veja a lista das sequelas mais comuns após um AVC e como tratar cada dificuldade:

Paralisias

A área mais afetada pelo AVC é aquela responsável pelos movimentos do nosso corpo, sendo o lado esquerdo do cérebro responsável pelos movimentos do lado direito e vice-versa. Por isso, é comum os pacientes passarem os primeiros dias após o AVC com um dos lados do corpo paralisados, e mesmo com a recuperação alguns têm a movimentação limitada. "É importante ter em mente que esses danos melhoram com o tempo, e é importante o estímulo para ter uma melhora ainda mais rápida", afirma o neurologista João José Freitas de Carvalho, da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e chefe da Unidade de AVC do Hospital Geral de Fortaleza. Pensando nisso, é essencial que o paciente não passe todo o tempo deitado, mesmo em sua estadia no hospital. "Durante a internação é preciso ter cuidado com as posturas do paciente, com a orientação de um fisioterapeuta, e cuidar para que ele se movimente", explica o fisiatra Sílvio Oliveira, especialista em atendimento a pacientes que sofreram AVC da Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação.

Quando o paciente não correr mais risco de vida e receber alta no hospital, é essencial reinseri-lo em atividades que eram próprias de seu cotidiano, a fim de que ele possa trabalhar suas habilidades motoras com algo que seja familiar. "Trabalhar com movimentos que são mais fáceis de ser acionados pela memória do indivíduo acelera o processo de recuperação", diz a terapeuta ocupacional Carolina Vasconcelos, coordenadora da Terapia Ocupacional da Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR).

A prática de exercícios também é uma forma de estimular os movimentos do paciente, recuperando a paralisia. "Se o paciente não se mexe, vai precisar de exercício passivo (quando algum profissional movimenta o indivíduo) e treino de equilíbrio, caso o paciente não consiga manter a postura sozinho", afirma o fisiatra Sílvio. Caso ele consiga se movimentar, a orientação é fazer exercícios aeróbicos, com o acompanhamento de um profissional. O paciente nunca pode parar de fazer exercício, mesmo em casa, afirma o fisiatra Sílvio. "Se ele consegue fazer algum nível de exercício sozinho, ele é orientado a fazer, seja com adaptações, dentro da água ou até mesmo na academia."

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