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Diabetes: como aplicar a insulina corretamente?

Tamanho da agulha e ângulo da seringa interferem na absorção da substância

O diabetes é uma doença em que ocorre aumento da glicemia (açúcar no sangue). Isso acontece porque o pâncreas não é capaz de produzir o hormônio insulina em quantidade suficiente para suprir as necessidades do organismo, ou porque este hormônio não é capaz de agir de maneira adequada (resistência à insulina). A insulina promove a redução da glicemia ao permitir que o açúcar que está presente no sangue possa penetrar dentro das células para ser utilizado como fonte de energia. Portanto, se houver falta desse hormônio, ou mesmo se ele não agir corretamente, haverá aumento de glicose no sangue e, consequentemente, o diabetes.

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Há dois tipos principais da doença: o diabetes tipo 1, em que o pâncreas perde a capacidade de produzir insulina e, consequentemente, ela será utilizada no tratamento, uma vez que é um hormônio essencial para o organismo. E o diabetes tipo 2, no qual existe uma combinação de dois fatores - tanto a diminuição da secreção de insulina, quanto um defeito na sua ação (resistência à insulina). Geralmente, o diabetes tipo 2 pode ser tratado com medicamentos orais ou injetáveis, contudo, com o passar do tempo, pode ocorrer o agravamento da doença. Neste caso, será necessário, também, o emprego deste hormônio, isolado ou associado com medicamentos. Há também o diabetes que ocorre durante a gravidez (diabetes gestacional) que pode necessitar de tratamento, inclusive com insulina, dependendo de cada gestante. Esse tipo de diabetes tende a desaparecer após a gestação.

Quando o médico julga necessário a insulinoterapia, é importante que os pacientes sejam orientados quanto ao tipo de insulina a ser utilizada (há vários tipos no mercado), bem como quanto aos cuidados na sua aplicação. Nos últimos anos, houve grande avanço no tratamento insulínico dos pacientes diabéticos. Apesar desses avanços, algumas informações básicas para sua aplicação ainda são desconhecidas por muitos portadores de diabetes, tais como: tipo ideal de agulha, local e rodízio dos locais de aplicação, cuidados no momento da aplicação de insulina, entre outros.

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Orientações básicas para aplicação da insulina

mulher aplicando insulina na barriga - Foto: Getty Images
A prega de pele é utilizada para evitar que a agulha atinja os músculos que se situam logo abaixo do tecido adiposo

A insulina deve ser aplicada diretamente no tecido subcutâneo (camada de células de gordura), logo abaixo da pele. A espessura da pele gira em torno de 1,9 a 2,4 milímetros (mm) nos locais de aplicação da insulina. Como a ideia é ultrapassá-la, sem, contudo, atingir os músculos, as agulhas utilizadas podem ter 4, 5, 6 ou, no máximo, 8 mm.

O ângulo de aplicação varia em função da quantidade de gordura da área de aplicação. Por exemplo, no caso de uma pessoa magra e com pouca gordura na região de aplicação, corre-se maior risco de atingir os músculos quando se utiliza agulha mais longa e ângulo de aplicação de 90° em relação à superfície da pele. Nesses casos, pode-se optar por uma agulha mais curta, fazer uma prega cutânea (de pele) e aplicar em ângulo de 45°.

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A prega de pele é utilizada para evitar que a agulha atinja os músculos que se situam logo abaixo do tecido adiposo (camada de células de gordura). Isso porque no músculo a insulina pode ser absorvida mais rapidamente, provocando hipoglicemia (redução acentuada do açúcar no sangue). É preferível, quando disponível, usar as agulhas mais curtas e mais finas. A escolha das agulhas pode seguir as seguintes recomendações:

Para os adultos

Para as criança e crianças e os adolescentes

Para as gestantes

Quais os melhores locais para a aplicação de insulina?

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É preciso fazer um rodízio entre os locais de aplicação?

Sim, é importante mencionar que deve haver um rodízio entre os locais de aplicação, pois essa conduta diminui o risco de complicações na região da aplicação, tal como a lipohipertrofia (pontos endurecidos abaixo da pele) ou lipoatrofia (depressões no relevo da pele ocasionado por perda de gordura).

Os locais de aplicação, bem como a ilustração da maneira correta de fazer a prega cutânea podem ser visualizados diretamente no site da Sociedade Brasileira de Diabetes (http://www.diabetes.org.br) ou nos artigos citados nas referências. O ideal é aguardar 20 a 30 dias para voltar a aplicar no mesmo ponto. A distância entre dois pontos de aplicação deve ser de mais ou menos três centímetros (dois dedos). No abdome, as insulinas podem ser absorvidas de forma mais rápida do que nos braços e coxas.

Passo-a-passo no momento de aplicação da insulina:

Diabetes: aprenda a aplicar insulina

A insulina regular deve ser aplicada preferencialmente no abdômen para aumentar a taxa de absorção, enquanto a NPH deve ser aplicada, preferencialmente, nas coxas ou nas nádegas, para retardar a absorção e reduzir o risco de hipoglicemia. O aparecimento de ecmoses (manchas roxas) é comum no local de aplicação de insulina. Elas são decorrentes do extravasamento de sangue quando vasos sanguíneos são perfurados pela agulha.

Essas orientações são importantes, porém, não suficientes para todos os pacientes, dependendo das peculiaridades de cada caso. Se sua dúvida não foi aqui suficientemente esclarecida, pergunte ao seu endocrinologista. A educação dos pacientes com diabetes é de fundamental importância para que se possa atingir um bom controle da glicemia. Assim, é importante que a educação seja continuada, com revisões periódicas, pois a aplicação de insulina de forma inadequada pode provocar hiper ou hipoglicemia (aumento e diminuição da glicose no sangue), ou seja, resultar em mau controle da doença e, consequentemente, no aumento do risco de complicações.

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Referências:

1. Dr. Danilo Höfling, Endocrinologia e Metabologia - CRM 55221/SP

2. Sociedade Brasileira de Diabetes. Posicionamento Oficial SBD nº 01/2017. Recomendações sobre o tratamento injetável do diabetes: insulinas e incretinas. Disponível em: http://www.diabetes.org.br/profissionais/images/2017/posicionamento-oficial-sbd-01-2017.pdf

3. Frid A, Hirsch L, Gaspar R, Hicks D, Kreugel G, Liersch J, Letondeur C, Sauvanet JP, Tubiana-Rufi N, Strauss K; Scientific Advisory Board for the Third Injection Technique Workshop, 2011.

4. Uso de insulina - Orientações para Pacientes e Familiares, Hospital de Clínicas de Porto Alegre - Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Revisores: Reichelt AJ, Silveiro SP, Suzana SF, Schmidt MLS, Kern ILC, 2011.

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5. Sociedade Brasileira de Diabetes - (http://www.diabetes.org.br).