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Homens e mulheres estão passando por mudanças sociais

A diferença de papéis desempenhados pelos gêneros não está bem definida

Os meios de comunicação têm insistido em atribuir ao homem papel de vítima quando tratam de avaliar os desafios que eles têm encontrado hoje em dia ao lidar com a mulher emancipada dos nossos tempos. São matérias que falam do atordoamento dos homens diante da nova mulher. Do quanto eles se encontram assustados, fragilizados nessa condição cambiante.

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É interessante parar para pensar que questões são essas que transitam por meio dos papéis desempenhados pelos gêneros e que provocam essa perplexidade, como se tratasse de algo desvinculado da realidade, da história, dos costumes.

Bom, para começar é importante que se diga: A construção social do gênero está sempre permeada por conteúdos da formação, educação de cada um. Portanto podemos dizer que o nível de informação, de educação e a origem social são bastante determinantes na variação da forma como as pessoas encaram os papéis dentro da conjugalidade.

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Os homens, por exemplo, têm diferentes tipos de discursos, e essas falas podem se contradizer, confundir inovações, traços da contemporaneidade com posturas mais retrógradas. Para não negligenciarmos, é importante frisar que esses discursos revelam tanto aspectos subjetivos quanto ideológicos, conforme comentado acima.

Costumamos pensar que essas posturas mais tradicionais são encontradas apenas em casais mais velhos, de gerações passadas. Mas isso não é fato, os papéis desempenhados constituem toda uma constelação de valores, padrões de comportamento que interferem e muito em vários aspectos da vida ainda hoje, sejam eles conjugais, de amizade ou trabalho.

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É comum pensarmos que tais concepções estão desaparecendo, por conta das mudanças culturais da nossa época. De fato, o movimento feminista, os métodos anticoncepcionais, o grande número de mulheres que estudam, trabalham fora, afetaram grandemente os costumes e as relações entre os sexos. No entanto essa forma tradicionalista de lidar com os diferentes gêneros resiste na forma de convivência que todos nós experenciamos desde a infância. Naturalmente que em alguns meios socioeconômicos mais e em outros menos.

O que se espera dos homens e das mulheres?

Via de regra, existe um senso comum, cujo imaginário entende, por exemplo, que homens são duros, não choram e que mulheres são sensíveis e se debulham em pranto por qualquer coisa. Ou seja, papéis opostos e estereotipados. E que certamente vivemos sim sob o jugo dessas expectativas e atuamos frequentemente dessa forma. O que é bom esclarecer porém, é que sexo é um dado biológico, gênero não, gênero é um aprendizado, transmitido de uma geração a outra, sempre dentro de um contexto social e familiar.

Esses estereótipos, e muitos outros, nos colocam, homens e mulheres, imersos em contradições que nos aprisionam e assim somos objeto de expectativas contraditórias. Por exemplo, espera-se da mulher que ela saia para trabalhar e realize-se profissionalmente, mas também que esteja disposta a abandonar o emprego se alguma contingência familiar assim o exigir. Espera-se que o homem seja racional, estóico e ao mesmo tempo sensível. Enfim, um duplo sentido vigora na relação entre os gêneros fazendo com que a todo momento sejamos surpreendidos com manifestações de decepção de algum lado.

Tampouco é o caso de vermos nessas operações de dupla expectativa uma patologia dos dias de hoje, pois esse é um dos grandes conflitos que vivemos, tradução de uma época de grandes transformações culturais e sociais. Não sabemos mais a que aspirar, qual modelo seguir. Os modelos tradicionais de masculinidade e de feminilidade não têm mais sentido e o que surge para substituí-los ainda são plenos de antagonismos e perplexidade.

Diferentes perspectivas

Uma questão típica da dupla moral que nos orienta é a forma como muitos encaram a infidelidade. Sim, até hoje existem diferentes formas de encarar a infidelidade. Trata-se do consentimento tácito, ou pelo menos complacente segundo o qual os homens "podem" ter relações extraconjugais, e as mulheres "não". E isso é resolvido com soluções de compromisso que discriminam afetivamente, sexo por amor de sexo por diversão. Pronto, daí não se trata de traição na visão daqueles que se guiam pela dupla moral.

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A questão da fidelidade, na verdade, sofre influências históricas e sociológicas, portanto sua valorização varia muito. Por outro lado, grandes angústias se instalam no psiquismo quando a desilusão da traição interfere na vida do casal.

Novos códigos de conduta

Diferentemente das posturas tradicionais, outro conjunto de condutas trazem consigo os códigos dos novos tempos e que também não são propiciadores da manutenção dos laços conjugais, refiro-me à competitividade dentro das carreiras que muitas vezes prevalecem em detrimento de outras esferas da vida, fazendo com que projetos amorosos e familiares saiam em desvantagem.

Não há duvida que diante de tantas mudanças, entre elas os espaços sociais, profissionais e sexuais que a mulher conquistou, os homens estão tendo que rever seus padrões de comportamento e formas de se expressarem no mundo.

Finalmente, ser um homem dos dias de hoje é essencialmente dar acesso à sensibilidade, questionar padrões estabelecidos e especialmente estabelecer relações igualitárias com as mulheres. Ou seja, voltando ao ?discurso vitimário? não é o caso de reconhecer-se vítima na nova condição e sim rever comportamentos, se aprofundar nos questionamentos, se implicar nas transformações que são exigidas pelos novos tempos. Pela nova mulher.