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Por que os LGBTs na mídia incomodam tanto?

Precisamos pensar se nossos conceitos, ideias de certo e errado e valores morais, são, na verdade, regras ditadas historicamente

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Alguém vê uma propaganda, um capítulo de novela ou um filme e logo associa a imagem, as cores, o som, a pessoa e os dizeres a uma influência ou orientação à homossexualidade.

Prepare-se! Foi dada a largada para uma grande crise histérica, com atos, gestos e palavras preconceituosas, agressivas e destrutivas em nome "do bem", "do certo", "da moral", "da norma", "de Deus"...

E aí, me perguntam: "Raquel, mas por que isso acontece? O que leva essas pessoas agirem assim? Pessoas que muitas vezes e aparentemente são pacíficas, que realmente prezam pelo que chamamos do bem a todos ou a muitos"

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Sempre começo reforçando que minha base de estudos é psicanalítica e assim digo que não há resposta única para atender ou explicar essas situações. Isso porque estamos falando de seres humanos, cada um com sua peculiaridade e questões emocionais únicas e que não podem e nem devem ser generalizadas.

Generalizar pessoas é sempre um imenso campo equivocado e gerador de erros, pois deixamos de ver o que realmente cada um é e faz para padronizar conceitos e usar destes conforme conveniência. Aliás, me parece que inclusive que essa necessidade de padronizar e criar normas para existir e serem seguidas é um grande, se não o principal, motivo do preconceito e reações diante da sexualidade de outra pessoa.

Porém, apesar da não resposta única, podemos aqui citar algumas possibilidades de pensamentos. Convido vocês a refletirem comigo.

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Falando da sexualidade

Partindo de uma visão psicanalítica, temos estudos de Freud que irão nos mostrar que todo ser humano nasce e é, por natureza, bissexual. Sem muita delonga e de forma simplória, explico aqui que Freud nos chamou a atenção para o fato de que todo bebê e criança pequena tem amor e impulsos afetivos por ambos os sexos, através da mãe, pai, irmãos, parentes...

Em nossos primeiros anos de vida, não temos necessidade alguma de distinguir gênero. Essa distinção vai acontecer adiante no processo de desenvolvimento e com forte influência cultural, quando já teremos impulsos e desejos mais perceptíveis (apesar de ainda imaturos e em formação). Isso acontece liberando e vivenciando certos desejos, mas reprimindo e guardando outros, por meio de nosso inconsciente e também do ambiente em que vivemos.

Importante: Reprimir desejos não significa que todos querem ser homossexuais, mas sim que vivenciamos certas experiências e que elas estarão arquivadas em nossa estrutura, como base e não necessariamente para serem vividas. Cada ser humano é único sempre.

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A negação

A psicanálise também vai nos mostrar que, quando reagimos de forma muito negativa a algo ou alguém (com agressividade, desejos de humilhação, de provar erro no outro e desejos e atos destrutivos), é comum que isto esteja relacionado ao conflito com próprio desejo que se identifica naquele outro. E então surge um impulso de defesa, do inconsciente, que precisa voltar a negar esses desejos ou identificação por aquela pessoa ou assunto e assume um papel de salvador moral impondo, ditando e se preciso atacando e matando aquilo ou aquele que lhes provocam lembranças que ele denominou ou aprendeu ser indevida. Isso explica, em muitos casos, os ataques homofóbicos.

No caso da sexualidade, é muito possível que estejamos falando de lembranças e impulsos desses desejos bissexuais que todos já vivenciamos. Pode haver uma luta interna para negar seus impulsos, que se transforma em raiva, frustração ou culpa e é projetado numa outra pessoa, figura ou imagem.

Atenção: desejos bissexuais não significam que somos homossexuais, mas sim que temos em nossa estrutura a abertura para qualquer forma de sexualidade como algo natural do ser humano.

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Mudança histórica

É muito importante retomarmos sempre que possível que a sexualidade humana é muito mais que a heterossexualidade, já que essa foi criada como "certa" e imposta pela história. Desde a antiga história temos diversos registros de relações sexuais na humanidade, envolvendo amor pelo mesmo sexo. Aliás, o termo homossexualidade nem mesmo se fazia necessário, pois era comum o afeto, o amor, os rituais de trocas, conhecimentos e forças entre os homens (entre as mulheres também, mas delas possuímos muito menos registros). Enquanto isso, uma relação com sexo oposto tinha como principal objetivo a procriação.

Essa mudança de visão sobre a sexualidade ocorre após uma grande influência religiosa se impor e assumir lado a lado o poder (alguns registros nos mostram em torno dos anos 500 d.C). Assim, essas crenças e regras, normas e conceitos sobre que era pecado, errado, quais valores morais seguir e quais não mais usar começaram a imperar. Portanto, a relação entre o mesmo sexo passou a ser vista como adultério, pois o sexo a partir de então tinha único objetivo de ocorrer entre casais casados e para procriar.

Mas, apesar da imposição e perseguição, os desejos pelo mesmo sexo nunca deixaram de existir e nem mesmo as relações de acontecer. Temos diversos relatos de pessoas comuns e públicas, como artistas famosos e até reis, pois nunca se tratou de algo aprendido, mas sim de impulsos e desejos humanos.

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Em momento mais recente, no final do século XIX, houve um grande esforço psiquiátrico e até psicológico para diagnosticar a homossexualidade como doença. Este grande equívoco só começou a ser revisado e corrigido no fim dos anos 70, quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) reconheceu que a homossexualidade não se trata de distúrbio ou doença.

Todo esforço, testes, avaliações e tentativas de curas para provar que a homossexualidade seria uma doença gerou o inverso. Na verdade, isso tudo mostrou que negar a sexualidade de uma pessoa e forçá-la e seguir normas ditadas como certas foi grande causador de sérios conflitos emocionais, como depressão, pensamentos e desejos suicidas, estimulo a vício em drogas, automutilação e diversas crises de ordem emocionais.

Precisamos rever nossos conceitos

Se olharmos esses contextos históricos por si só podemos entender que nossos conceitos sobre sexualidade são na verdade formatos e normas aprendidas e repetidas pela história, por séculos, décadas, gerações, sem serem questionados, na maioria das vezes. Apenas aprendemos que "isso" é certo e "isso" é errado, excluindo a possibilidade de alguém poder ser e sentir além daquela norma.

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Mas, como digo sempre, o ser humano é único. Mesmo que lhe tirem o direito de ser ele através de uma norma, isso não impede que seus impulsos e desejos estejam ali com ele e que também se manifestem como algo natural daquela pessoa.

Precisamos muito pensar a respeito do quanto nossos conceitos, ideias de certo e errado e valores morais, são, na verdade, regras ditadas historicamente e levadas adiante até os dias de hoje. Determinando como devemos ser, agir, gostar, sentir atração, trabalhar, chega-se até a nos impedir de expressar nossos desejos por quem somos, caso esses não cumpram as normas impostas e herdadas.

É muito importante que possamos parar, olhar, sentir e considerar que as atitudes contra a homossexualidade são uma forma triste e assustadora de preconceito. Herdamos por conceitos que nem mesmo pensamos a respeito do porquê, mas apenas obedecemos, seguimos e repetimos.

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Toda vez que leio ou vejo alguma matéria relacionada a homofobia e todo o sensacionalismo em torno disso, lembro de todos estudos já realizados sobre o nazismo e o holocausto. Na época, igualmente em nome de valores morais, do bem, do certo e de Deus, pessoas aprenderam que eram melhores que outras, que eram certas e as outras erradas e que isso, inclusive, lhes dava o direito de exterminá-las, pois eram acusadas de causar o mal, a doença, a crise...

Vale sempre lembrar que homofobia é crime, porque é perigosa. É perigosa porque tira o direito de um ser humano de ser ele mesmo, de ser respeitado e de conviver em sociedade com os mesmos direitos que qualquer outra pessoa. Homofobia é toda e qualquer forma de preconceito com uma sexualidade e abre portas assustadoras, em nome da moralidade, permitindo que pessoas sejam humilhadas, expulsas de suas casas, família e meio social, que sejam agredidas e mortas, com a justificativa do certo e da norma.

Deixo aqui um convite ao pensamento, um convite à possibilidade de todos olharem além das normas rígidas e sem afeto que herdamos. Deixo aqui um convite para conhecerem mais sobre a si mesmo, sobre o meio em que vivemos, sobre a humanidade. Assim, quem sabe, abrimos portas para considerar que somos e sempre seremos resultado de culturas herdadas, mas que isso jamais poderá impedir o impulso de sermos um EU, único e cheio de desejos próprios e que isso não é ensinado, orientado, repassado ou mesmo influenciado.

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Encerro hoje com um alerta: Você está incomodado com propagandas, filmes, músicas que mostram que há outra orientação sexual além da sua e com o fato dos homossexuais terem direitos humanos (de serem livres para se expressar, namorar, casar, não se esconder, de ir e vir...)? Cuidado, essas questões são conflitos seus. Busque ajuda e tente entender por que um direito humano de uma pessoa ser ela mesma causa a você raiva, ódio e repulsa ou desejo de mudar o outro.