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Natação infantil: é preciso respeitar o desenvolvimento da criança

As estratégias nas aulas devem respeitar as características físicas, cognitivas e sociais do aluno

Vivemos em um país onde passar momentos de lazer em ambientes com água (piscinas, praias, lagos, represas) faz parte da cultura. Por esse motivo, aprender a nadar ainda na infância pode deixar os pais mais tranquilos em relação à segurança dos filhos. É muito comum os pais acharem que as as aulas de natação das crianças são semelhantes as dos adultos. No entanto, é importante que eles entendam que as estratégias nas aulas devem respeitar as características físicas, cognitivas e sociais da criança em desenvolvimento, portanto, devem ser lúdicas, pois o processo de aprendizagem da criança até os 12 anos ocorre predominantemente por meio dessas atividades.

Etapas do desenvolvimento

De acordo com a teoria de desenvolvimento cognitivo apresentada por Jean Piaget, dos 2 aos 7 anos a criança encontra-se no estágio chamado de pré-operatório, durante o qual seu raciocínio se desenvolve por meio de simbolismos, faz-de-conta, interpretação de personagens e jogos com regras simples. Nesse período, as crianças gostam de brinquedos e ambientes coloridos, músicas, fantasias. Dessa forma, o ambiente ideal para as aulas de natação nessa fase da vida da criança deve proporcionar esse tipo de vivências.

Dos 7 aos 11 anos, a criança encontra-se no estágio denominado por Piaget de Operatório Concreto. As atividades lúdicas continuam sendo uma excelente ferramenta de aprendizado, porém, voltadas para o ritmo de desenvolvimento dessa etapa, quando a criança desenvolve o raciocínio lógico e a reflexão, permitindo a compreensão de atividades e jogos mais elaborados e desafios.

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Entre 2 a 7 anos, as crianças encontram-se no estágio de desenvolvimento das habilidades motoras fundamentais. Essas não são técnicas esportivas, mas sim habilidades mais gerais, que oferecem uma noção do gesto esportivo e permitem uma rica vivência na modalidade, além de estimularem o desenvolvimento de capacidades físicas gerais, como equilíbrio, coordenação, lateralidade e ritmo. Por isso a maioria das escolas de natação leva em consideração o ritmo de amadurecimento do sistema nervoso e das estruturas muscoesqueléticas.

Ao final dessa etapa da vida, as características de desenvolvimento infantil já permitem a compreensão teórica e a reprodução do gesto técnico esportivo. Dos 2 aos 7 anos, os objetivos das aulas evoluem das habilidades aquáticas básicas (controle da respiração, equilíbrio, deslizes, propulsão básica, saltos e mergulhos simples, deslocamento submerso, noções básicas de sobrevivência) até a aprendizagem dos 4 nados de forma rudimentar (sem exigência dos gestos técnicos específicos dos atletas de competição).

Dos 7 ou 8 anos em diante, os objetivos das aulas passam a ser voltados à aprendizagem das técnicas dos quatro nados, aumentando a complexidade dos movimentos na medida em que a criança se aproxima da puberdade. Estas recomendações estão baseadas nos dois principais teóricos utilizados pelos profissionais aquáticos no mundo e que são a base do processo pedagógico quando se procura respeitar o desenvolvimento infantil.

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Importância de aprender a nadar

Voltando à segurança aquática, a aquisição das habilidades de auto-salvamento é o primeiro passo para que a criança possa entrar em uma piscina sem o uso de boias. A partir dos dois anos de idade, já é possível ensinar às crianças esse conjunto de habilidades (saber voltar para a borda após uma queda acidental, por exemplo). Mas é importante destacar que as boias são apenas de apoio e não de salvamento. Mesmo sabendo nadar ou utilizando boias, nenhuma criança deve ser deixada sozinha na água. Eventos inesperados podem acontecer: a boia pode se soltar ou murchar, a criança pode correr na borda, escorregar e cair na água desacordada; ela pode superestimar sua capacidade e nadar longe demais da borda e não conseguir voltar. Por isso, a supervisão de um adulto é fundamental.