Coronavírus: entenda os riscos para as gestantes

Febre e falta de ar são sintomas que devem ser levados em consideração para buscar ajuda médica

Atualizado em 28/05/2021

O novo coronavírus (COVID-19) tem preocupado muitas grávidas, principalmente porque a transmissão segue alta no Brasil. Com isso, as dúvidas são cada vez mais frequentes. Conversamos com uma especialista para esclarecer as questões que giram em torno desse assunto. Afinal, as grávidas são grupo de risco?

De acordo com a infectologista Camila Almeida, especialista do Hospital e Maternidade Santa Joana, grupo de risco são pessoas com maior chance de morrer por conta da doença em questão.

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No caso da COVID-19, as gestantes e puérperas estão incluídas no grupo de risco porque são mais vulneráveis a infecções, como por exemplo o SARS-CoV-2 e o H1N1.

Segundo uma pesquisa feita por cientistas brasileiros e publicada pelo Biochimica et Biophysica Actar, mulheres gestantes infectadas pelo novo coronavírus têm mais chances de desenvolver pré-eclâmpsia do que uma gestante saudável.

Durante o estudo, o percentual de incidência de pré-eclâmpsia foi maior nas grávidas que estavam infectadas pelo novo coronavírus do que nas que não estavam infectadas. Confira mais!

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Além disso, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos indica que gestantes com COVID-19 têm mais risco para parto prematuro, de internação em UTIs e de receberem ventilação mecânica, quando comparadas com não grávidas.

Portanto, a infectologista lembra que é essencial ter uma atenção redobrada com as grávidas durante a pandemia do COVID-19, principalmente na fase final da gestação. "No fim da gravidez, a mulher fica com o útero naturalmente maior e por isso comprime o pulmão, o que acaba fazendo com que ela tenha mais cansaço", afirma. Ou seja, as alterações causadas pela própria gravidez fazem com que ela se sinta ainda pior caso tenha um quadro viral de infecção.

A grávida pode transmitir o vírus para o bebê?

No começo da pandemia, acreditava-se que a mãe não transmitia o vírus ao bebê, como sugeriu um estudo publicado no jornal científico The Lancet em fevereiro de 2020. A pesquisa analisou nove grávidas da cidade de Wuhan (China).

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Todas as mães tiveram parto cesárea e após o nascimento foram coletadas amostras do sangue do cordão umbilical, do líquido amniótico, da garganta dos bebês, assim como o leite materno de seis mães. Os exames deram negativo para o vírus.

Em contrapartida, o jornal britânico The Guardian publicou um caso de um bebê em Londres - cuja mãe estava com coronavírus -, que testou positivo minutos depois do nascimento. No entanto, não conseguiram provas suficientes para entender se o recém-nascido tinha sido contaminado durante a gestação ou depois que nasceu.

Estudo mais recente, de maio de 2021, feito por pesquisadores de Israel voltou a abordar o tema. Foram acompanhadas 55 mulheres infectadas pelo coronavírus em diversos momentos da gestação. De acordo com a pesquisa, publicada no Journal of Clinical Medicin, os maiores riscos ao bebê foram identificados nas mulheres na reta final da gravidez, no terceiro trimestre.

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Mas somente um tempo depois, em julho de 2020, a revista Nature publicou um estudo comprovando pela primeira vez, que o vírus do Covid-19 passa pela placenta.

Médicos de um hospital na França fizeram testes com o sangue de uma mãe, seu recém-nascido, o cordão umbilical, a placenta e seu líquido amniótico, a fim de entender como acontece a transmissão do vírus de mãe para filho e comprovar a tese.

No caso de grávidas com COVID-19 nos primeiros trimestres, segundo a pesquisa, "não houve complicações na gravidez, restrições de crescimento fetal ou complicações placentárias. Nenhum dos fetos mostrou sinais de doença do sistema nervoso central, restrição de crescimento e disfunção placentária". Além disso, nesse momento também não foi identificado que uma transmissão vertical, quando o vírus pode ser passado para o bebê através da placenta.

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Como as grávidas devem se prevenir do coronavírus?

As gestantes devem seguir as mesmas orientações que o restante da população, são elas:

Grávidas e as vacinas da COVID-19

Além das medidas de prevenção, para evitar a contaminação pelo coronavírus grávidas com comorbidades - e também as mulheres no puerpério - já estão sendo vacinadas. No momento, elas recebem os imunizantes Coronavac e Pfizer/BioNTech. E mesmo aquelas que não tenham doenças pré-existentes, mas já tenham recebido a primeira dose desses imunizantes deve completar o calendário de vacinação.

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Já para gestantes e puérperas pertencentes a outros grupos prioritários (trabalhadoras da saúde ou de outros serviços essenciais, por exemplo), a orientação do Ministério da Saúde é que elas continuem sendo vacinadas após avaliação individual de risco e benefício a ser realizada em conjunto com o seu médico.

Saiba mais sobre as orientações da vacinação contra a COVID-19 em grávidas.

Quando a grávida deve procurar um hospital?

A gestante deve informar seu médico caso descubra que teve contato com uma pessoa infectada, mesmo se não apresentar sinais.

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Confira mais 10 maneiras de se proteger do coronavírus!

A febre é um dos principais indícios para buscar ajuda, pois também é sintoma de H1N1. "O vírus da gripe também nos preocupa, pois tem alta mortalidade para grávidas", explica a infectologista Camila Almeida.

Além disso, a falta de ar também é um sintoma que deve ser levado em consideração para buscar ajuda médica. Afinal, pode indicar infecção por coronavírus.

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Leia também: Risco de trombose em grávidas e as vacinas da COVID-19: entenda a relação

Coronavírus no puerpério

Mesmo se a mãe testar positivo para o vírus, é indicado que ela não deixe de amamentar o recém-nascido, visto que o aleitamento materno é essencial até o sexto mês de vida do bebê. Além disso, não é comprovado que o COVID-19 possa ser transmitido pelo leite materno.

O ideal é que, se possível, a grávida entre em contato primeiro com o seu obstetra antes de procurar um hospital, porque se forem sintomas leves de resfriado e ela for no pronto-socorro, pode pegar infecção de quem realmente está com o coronavírus.

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Portanto, a recomendação é que a mãe lave bem as mãos antes e depois de tocar no bebê, usar máscara para amamentar o bebê e sempre que estiver perto dele, devendo ser trocada imediatamente em casos de espirro ou tosse; lavar as mãos já que o coronavírus pode ser transmitido por gotículas. Assim como não se deve ficar beijando o pequeno. Confira os cuidados para amamentar na pandemia.

Os médicos recomendam que a mãe peça ajuda de uma pessoa que não esteja contaminada para auxiliar nas funções básicas do dia a dia como, dar banhos, colocar para dormir, arrotar, entre outras coisas.

Até mesmo nos casos em que a mãe não está doente, é necessário seguir as mesmas orientações de quarentena. "Sabe-se que nessa época todo mundo quer ir conhecer o bebê, mas é importante que ela adie as visitas e deixar esse momento somente para as pessoas mais próximas e que tenham certeza que não estão com coronavírus. Opte por fazer videoconferência com a família para mostrar o recém-nascido", indica a infectologista Camila Almeida, especialista do Hospital e Maternidade Santa Joana.