Como cuidar da pele durante a gravidez?

Durante a gestação, os cuidados com a pele são possíveis - e necessários -, mas precisam de algumas adaptações

Já parou para pensar como o maior órgão do corpo humano, a pele, reage às transformações da gravidez? Assim como as demais partes do corpo, a pele da mulher sente todas as alterações físicas e hormonais durante e após a gestação, por isso é comum notar mudanças que vão desde a pigmentação da pele ao aspecto da unha.

Simone Neri, que é dermatologista e médica do Pronto Socorro do Hospital Sino Brasileiro, esclarece que "as dermatoses da gravidez podem ser classificadas em três grupos: mudanças fisiológicas da pele, problemas pré-existentes que pioram com a gravidez e problemas de pele inerentes da gravidez". Isso significa que, além das alterações comuns, mulheres com predisposição genética ou algum problema específico podem apresentar manifestações na derme.

"As principais alterações cutâneas fisiológicas da gravidez são: estrias e alterações pigmentares, como o melasma; alterações dos pelos, nas glândulas (acne), alterações vasculares (varizes) e nas unhas. Apesar dessas mudanças não serem consideradas 'doenças', sua aparência inestética pode causar sofrimento para a gestante. E o sofrimento psíquico da mãe certamente influencia o desenvolvimento fetal", esclarece Érica Monteiro, dermatologista da Human Clinic e professora da Unifesp.

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Cuidados essenciais com a pele do rosto durante a gravidez

Para os cuidados diários com a pele do rosto, que tende a ficar mais oleosa, acneica e/ou sensível, a orientação é seguir com os três passos essenciais: limpeza, hidratação e proteção solar. Para a higienização, o ideal é usar um produto específico para o rosto que controle a oleosidade ou que seja específico para pele sensível.

Caso a oleosidade seja excessiva, os tônicos faciais podem ajudar e devem ser utilizados após a lavagem. Já no passo seguinte, a preferência é para cremes com ativos hidratantes e sem restrição, como glicerina, vitamina E, aloe vera e d'pantenol. A água termal também é benéfica para a hidratação das peles sensíveis.

O filtro solar é um item indispensável para as mulheres porque protege e evita o aparecimento das temidas manchas de hiperpigmentação, do melasma e previne o envelhecimento precoce, por esse motivo, deve ser usado não apenas no rosto, mas também em outras partes do corpo, principalmente as que costumam ficar expostas ao sol.

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A dermatologista Érica Monteiro indica também o uso de bases coloridas, uma vez que os pigmentos da cor do produto protegem a pele contra a luz visível. Lembre-se porém que, a noite, após o uso de protetor solar com cor, bases e maquiagens, é fundamental utilizar um removedor de maquiagem para limpar a pele, uma vez que o acúmulo de pigmentos e o aumento da oleosidade comum no período podem causar o aparecimento de cravos e espinhas.

Caso esses problemas apareçam, investir em tratamentos com substâncias à base de ácido azelaico, ácido glicólico, peróxido de benzoíla e a nicotinamida está liberado, mas sempre sob supervisão médica. Aliás, em caso de aparecimento de manchas no rosto, as especialistas reforçam a necessidade de uma orientação médica para o tratamento, já que receitas caseiras "podem causar manchas na pele e a formação de cicatrizes inestéticas e outros problemas", comenta Érica.

O corpo em foco

Além dos cuidados com o rosto, o restante corpo também merece atenção. A hidratação também é indicada, pois evita o ressecamento da pele, bem como diminui o aparecimento de estrias, que se dão, principalmente, por predisposição genética e estiramento da pele. Portanto, lembre-se de hidratar muito bem a região da barriga, os seios, glúteos e as coxas.

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Nesta etapa, produtos que contêm óleos ou emolientes em sua composição, como óleo de uva, amêndoas e manteiga de karité, também são bem-vindos.

A dermatologista Simone Neri explica que, caso as estrias já tenham aparecido, após o parto é possível investir em tratamentos estéticos que diminuem o aspecto enrugado da pele, caso do peeling com ácido retinóico e microagulhamento.

Érica Monteiro ressalta ainda que a celulite pode ser um ponto de incômodo para as mulheres, pois costuma aparecer ou piorar durante a gestação: "a celulite também é multifatorial e dentre as inúmeras causas, destacam-se as alterações hormonais, retenção de líquidos e circulação dificultada nos membros inferiores. Costuma piorar no fim da gestação e as regiões mais atingidas são nádegas e coxas".

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Ainda durante a gestação, as mães podem tomar medidas como exercitar-se, manter as pernas para cima, usar meias elásticas para minimizar inchaço dos membros inferiores e optar pela drenagem linfática.

Atenção redobrada com os produtos

Antes de investir em cuidados, mesmo os considerados mais simples, a melhor orientação é buscar ajuda profissional, caso dos médicos dermatologistas que atuam junto com o obstetra. Isso porque alguns componentes de dermocosméticos não devem integrar a prateleira das mães. "Muitos ativos não devem ser usados durante a gestação, pois podem passar a barreira da pele da mãe e chegar ao feto. Como os tecidos do feto estão em formação, podemos ter desvios na formação e alteração no organismo dele", alerta Érica.

De modo geral, a dermatologista Simone Neri explica que é indicado evitar o uso de ureia acima de 3%, ácido retinóico, formol e ácido salicílico. Além disso, "as tinturas definitivas também devem ser evitadas, pois são à base de metais pesados e podem causar distúrbios graves no bebê. Neste caso, os tonalizantes podem ser uma opção", completa a médica.

A restrição também se estende à fase da amamentação, uma vez que a pele do recém nascido é frágil e, ao ter o contato pele a pele com a mãe, pode desenvolver irritações devido a essas substâncias.