PUBLICIDADE

Mentira na infância: saiba se é normal e como lidar

A mentira faz parte do desenvolvimento da criança, mas é preciso atentar-se quanto à frequência e à intensidade em que ela é aplicada

Descubra o poder de um sorriso.
Participe da newsletter

Preencha os campos* abaixo.
X

*Ao concluir, você concorda com a nossa Política de Privacidade e aceita receber novidades do Minha Vida e seus parceiros.

Cadastro efetuado com sucesso!

Lidar com as primeiras mentiras de uma criança faz parte das dificuldades de participar de seu desenvolvimento. Muitas vezes os pais não sabem como reagir a isso, tentando compreender o que motivou a criança a mentir, e adotando reações impulsivas, que vão desde aplicar castigos pesados a atribuir estigmas de mentirosa à criança.

"Mais comum do que a criança mentir é o adulto interpretar o que a criança fala como se fosse mentira", pontua Daniela Araújo, psicóloga, psicanalista e coordenadora do Núcleo Infantojuvenil da Holiste Psiquiatria. Isso acontece porque, dependendo da idade, a criança ainda não desenvolveu uma percepção crítica dos seus atos, diferente dos adultos. Por isso, são eles que dão sentido e definições às ações das crianças.

A infância é uma fase de descoberta, quando a criança começa a testar e entender o que ela almeja e o que deve fazer para conseguir aquilo. É nesse período, também, que ela percebe os níveis de interação com cada pessoa de seu convívio - pais, professores, colegas de classe etc. Apesar das regras de convivência serem as mesmas, existem detalhes que diferenciam cada relação. E é nessa fase de "teste" que a mentira pode surgir.

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

Apesar de ser normal e fazer parte do desenvolvimento da criança, é preciso atentar-se à intensidade e à frequência da mentira. Quando ela começa a mentir em excesso ou sempre que um determinado assunto surge, é um sinal de que há algo errado, e ajuda de especialistas deve ser procurada.

Fantasia x Realidade

É bastante comum que pais e mães confundam quando a criança está mentindo ou fantasiando. A fantasia é inconsciente, a criança não sabe que o que está dizendo não é real. Já a mentira, por mais rasa e frágil que seja, é pensada. É importante que o adulto saiba distinguir as duas situações para não correr o risco de criar o estigma de uma criança mentirosa, quando, na verdade, é apenas uma fantasia, ajudando a criança a diferenciar o que é real e imaginação.

De acordo com Sueli Bravi Conte, mestre em neurociências, psicopedagoga e diretora do Colégio Renovação, crianças têm dificuldade de diferenciar a fantasia da realidade até os cinco anos de idade. A partir dos seis anos, já conseguem brincar com a fantasia e criar, conscientemente, situações imaginárias.

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

"A mentira se torna algo intencional a partir dos sete anos, quando a criança já adquiriu noções de valores sociais e sabe exatamente a diferença entre verdade e mentira e quando a mentira pode prejudicar o outro", explica a psicopedagoga.

Por que as crianças mentem?

A mentira na infância é consequência de diversos fatores, principalmente a faixa etária. Crianças menores mentem, geralmente, por causa da fase de desenvolvimento. "Para delimitar a si mesma a sua relação com aquele que pergunta e sua relação consigo mesma [...] Faço essa distinção, pois afasto a mentira da ideia comum de que o outro 'queria me enganar'. Está mais ligada ao âmbito dos ajustes relacionais e do sujeito consigo mesmo", explica Fernanda Zacharewicz, psicanalista e editora da Aller Editora e da Stylus, revista de psicanálise.

Enquanto isso, as crianças maiores podem mentir por medo de repreensões e castigos, para fugir das responsabilidades (como dizer que está doente só para não ir à escola), para chamar a atenção dos pais ou para se sobressair entre colegas.

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

O ambiente familiar também possui grande influência na relação com a mentira. Se a criança está acostumada a ver os pais mentindo em situações pequenas - como pedir para criança dizer que não tem ninguém em casa quando o telefone toca -, ela assimila que aquela atitude é natural e aceitável. Por isso, os adultos devem ter atitudes coerentes com o discurso de aversão à mentira, servindo de exemplo.

"Aquela história dos pais estarem afinados no que vão falar aos filhos, no que vão permitir ou não, se vão apoiar o parceiro nas decisões tomadas perante as crianças é fundamental", enfatiza a psicanalista.

Como reagir à mentira da criança?

O primeiro passo é dialogar. A criança precisa saber que está em um ambiente seguro para compartilhar ideias, vontades e pensamentos sem julgamentos. "E escutar é ouvir mesmo o que a criança tem a dizer. Conversar é falar e escutar e não apenas falar sozinho para o outro apenas ouvir. Fazer circular a palavra em casa é um exercício que visa também manter viva a dignidade de cada um", orienta a psicóloga Daniela Araújo.

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

Essa conversa irá criar uma abertura para que o adulto possa entender os motivos daquela mentira. Se é apenas por causa da fase de desenvolvimento ou se existe alguma outra dificuldade. A partir disso, é possível estabelecer juntos - ou explicar para a criança - os limites e regras de convivência.

Agora, se a primeira reação dos pais for bater ou repreender com castigos severos, a sensação de desconforto, sofrimento e desconfiança pode intensificar na criança, podendo levá-la a continuar mentindo ou mentir mais. Bater não deve ser considerado um meio educativo em nenhuma hipótese. Já os castigos não podem se prolongar além da capacidade de refletir sobre o assunto. O mesmo vale para as chamadas de atenção que, quando muito longas, se transformam em sermão e perdem a capacidade de manter a criança concentrada.

"A postura de quem chama a atenção é mais importante do que a duração ou a intensidade do castigo. Falar sério, considerando a criança como um sujeito digno de seus direitos, é mais eficaz do que o prolongamento e a intensidade do castigo, que podem ser desproporcionais ao ato que o causou", finaliza Fernanda Zacharewicz.

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)