Laxante não ajuda a emagrecer e mau uso agrava a prisão de ventre

Descubra quando o medicamento é indicado e quais os riscos

As idas ao banheiro começam a ficar mais raras e você logo desconfia: será que estou com prisão de ventre? Conhecida também como constipação, a falta de evacuações causa complicações à saúde, como inchaço e dores intestinais. Prisão de ventre e inchaço na barriga pode ser sinônimo de laxantes para algumas pessoas, mas nem sempre essa afirmativa é verdadeira. Pensando nisso, conversamos com especialistas no assunto, que esclareceram as dúvidas sobre os laxantes e quando ele realmente deve ser utilizado:

Prisão de ventre nem sempre pede laxante

homem no banheiro - Foto: Getty Images
homem no banheiro - Foto: Getty Images

De acordo com o nutrólogo Roberto Navarro, da Associação Brasileira de Nutrologia, a prisão de ventre acontece quando as fezes estão ressecadas, exigindo um esforço muito grande na hora de evacuar, comumente associado a uma sensação de cólica e desconforto. "Você pode ir ao banheiro a cada dois ou três dias, por exemplo, e ter uma evacuação confortável - nesse caso não é prisão de ventre, apenas o seu corpo que funciona dessa forma", diz. Dessa forma, a frequência de evacuações nem sempre determina se a pessoa está constipada.

E mesmo que você seja diagnosticado com prisão de ventre, o tratamento nem sempre é feito com o uso de laxantes. "A maioria das pessoas com problemas de constipação tem como causa a má alimentação, sendo assim a reeducação é o mais indicado para este tipo de paciente, com o aumento no consumo de alimentos ricos em fibras e probióticos", explica a nutricionista Marcela Izabel de Oliveira, da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo.

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O uso de laxantes deve ser feito de forma esporádica e, caso a necessidade de tomá-los seja frequente, é importante buscar ajuda médica. "Muitas vezes, o quadro clínico pode ser mais grave do que o previsto e o uso de laxantes [de forma frequente] por conta própria pode mascarar esses problemas", explica o nutrólogo.

Em alguns casos, o paciente precisará fazer outros procedimentos, como uma lavagem intestinal. Há também casos em que o paciente está com uma constipação intensa, e o médico irá receitar o laxante como medida paliativa para aliviar o intestino do constipado. "O medicamento é recomendado quando a prisão de ventre já está instalada, mas não faz parte do tratamento para educar o intestino", completa a nutricionista.

Sintéticos x naturais

medicamentos - Foto: Getty Images
medicamentos - Foto: Getty Images

Os laxantes sintéticos são divididos em duas categorias: osmóticos e apáticos. Os primeiros atuam puxando a água presente nas paredes do intestino para o meio do órgão, diluindo a massa fecal e eliminando-a. Já os laxantes apáticos agem causando uma irritação na parede do intestino, forçando a evacuação. É como se o intestino identificasse um corpo estranho e precisasse expeli-lo do corpo, o fazendo por meio das fezes.

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Já os laxantes naturais agem regulando o funcionamento intestinal e no geral são feitos de fibras, como um suplemento alimentar. Entretanto, segundo os especialistas, também é recomendado que o uso contínuo desses produtos seja alinhado com ajuda médica para que possíveis mudanças no organismo possam ser acompanhadas.

Laxante ajuda mesmo a emagrecer?

mulher na balança - Foto: Getty Images
mulher na balança - Foto: Getty Images

Os laxantes podem causar perda de peso por interferirem na absorção de nutrientes como gorduras e sais minerais. "Durante o uso do medicamento, o corpo elimina água e sais minerais juntamente com as fezes líquidas, reduzindo a sensação de inchaço", explica a nutricionista Marcela Izabel de Oliveira, da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo. Ou seja: além da perda de peso ser passageira, uma vez que os quilos podem voltar cessando o medicamento, os pontos na balança caem à custa de uma deficiência nutricional que pode surgir, já que nosso intestino não está absorvendo os nutrientes como deveria.

Porém, é importante compreender que o uso de laxantes deve ser feito eventualmente apenas em caso de prisão de ventre ou preparação para algum exame específico, como uma colonoscopia, por exemplo. O uso contínuo e crônico de laxantes pode trazer malefícios à saúde. É necessário entender o motivo caso a pessoa esteja recorrendo aos laxantes com muita frequência e, se for para a perda de peso, é importante esclarecer que essa é uma atitude que não funciona e pode trazer danos à saúde.

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"Pacientes com cardiopatias, por exemplo, podem ter uma alteração da condução do ritmo cardíaco e até evoluir o quadro para uma arritmia caso seja feito o uso de um laxante inadequado. Por isso, é importante que esses medicamentos não sejam utilizados de forma indiscriminada", explica a coloproctologista Nathália Nascentes.

Supositórios não são laxantes

supositório - Foto: Getty Images
supositório - Foto: Getty Images

Apesar de atuarem eliminando as fezes, os supositórios - medicamentos ministrados por via anal - nem sempre são considerados laxantes. Há um grupo amplo de opções no mercado, cada um com uma função específica, de acordo com a sua composição. Alguns tipos de supositórios funcionam como anti-inflamatórios, outros ajudam no alívio da dor e há também aqueles com efeito laxante. O mecanismo de ação purgativa, porém, pode ser diferente.

"Eles apenas facilitam a eliminação de fezes localizadas no canal anal, diferente dos laxantes que agem em todo o intestino", diz a nutricionista Marcela. Segundo a especialista, a principal indicação dos supositórios é para bebês com imaturidade do funcionamento intestinal. Quando os bebês estão com prisão de ventre, o médico pode receitar um supositório de glicerina, que provoca a irritação das mucosas. Em adultos, o medicamento por via anal pode ser indicado para casos específicos, como pessoas que não conseguem ministrar medicamentos oralmente.

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Alerta para pacientes com doenças intestinais

mulher com dores abdominais - Foto: Getty Images
mulher com dores abdominais - Foto: Getty Images

De acordo com a gastroenterologista Cátia, pessoas com doenças inflamatórias intestinais, como Chron e colite, não têm como indicação o uso de laxantes. "As doenças intestinais causam má absorção intestinal de nutrientes, assim como os laxantes, o que aumenta o risco de desnutrição", completa a nutricionista Marcela. Nesses casos, os laxantes são indicados apenas para a realização da colonoscopia, exame de rotina para esse tipo de paciente.

Grávida pode tomar laxante?

grávida - Foto: Getty Images
grávida - Foto: Getty Images

A gestante passa por diversas alterações hormonais durante os nove meses que antecedem o parto, e isso pode interferir no funcionamento do intestino, provocando a prisão de ventre. No último trimestre da gravidez, a pressão do bebê sobre o intestino e outros órgãos também podem atrapalhar a digestão. Entretanto, apenas essas alterações não são indicativas para o uso de laxantes no período, uma vez que o medicamento pode reduzir a absorção de nutrientes, tão importantes para gestante e feto. "Por isso, é importante que a futura mamãe adote hábitos alimentares saudáveis e pratique exercícios leves com frequência para manter o intestino em dia desde os primeiros meses de gestação", afirma a nutricionista Marcela. Caso a mudança de hábitos apenas não funcione e a constipação da mãe ganhe gravidade, o médico pode orientar o uso de laxantes.

Interação com medicamentos

medicamentos - Foto: Getty Images
medicamentos - Foto: Getty Images

"Se houver uso associado a diuréticos, os laxantes podem causar distúrbios eletrolíticos, por exemplo", afirma a nutricionista Marcela. Os laxantes também podem interagir com medicamentos cuja absorção é feita ou completada no intestino, como sulfato ferroso. "Por isso, diga ao médico todos os medicamentos que você utiliza durante a consulta, para que ele possa procurar alternativas ao laxante que não interfiram nos outros remédios."

Excesso traz riscos

médico - Foto: Getty Images
médico - Foto: Getty Images

O uso excessivo de laxantes pode causar um desequilíbrio na concentração de alguns minerais, como sódio e potássio. "Isso pode levar à desnutrição, desidratação e distúrbio hidroeletrolítico", afirma a nutricionista Marcela.