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Doença de Crohn: o que é, sintomas, causas e tratamentos

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Visão Geral

O que é Doença de Crohn?

A Doença de Crohn é uma doença inflamatória grave que acomete o trato gastrointestinal e que afeta a parte inferior do intestino delgado (íleo) e intestino grosso (cólon) - mas pode acometer outras partes do corpo, desde a boca até o ânus.

A ileíte era o antigo nome da doença de Crohn, descrita por afetar a parte final do intestino delgado (íleo).

Hoje, sabe-se que a doença de Crohn, pode atingir também o intestino grosso e outras partes do trato digestivo, incluindo todo o trajeto, desde a boca até o ânus.

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Trata-se de uma doença crônica, sem causa definida e provavelmente provocada por uma desregulação do sistema imunológico. Ela atinge pessoas de 20 a 40 anos, mas pode afetar qualquer faixa etária.

O que é Doença de Crohn?

Doença de Crohn x colite ulcerativa

Como a doença de Crohn se comporta como a colite ulcerativa, em geral, é difícil diferenciar uma da outra). Por isso, as duas doenças são agrupadas na categoria de Doenças Inflamatórias Intestinais (DII).

Diferentemente da doença de Crohn, em que todas as camadas estão envolvidas e na qual pode haver segmentos de intestino saudável normal entre os segmentos do intestino doente, a colite ulcerativa afeta apenas a camada mais superficial (mucosa) do cólon de modo contínuo.

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Dependendo da região afetada, a Doença de Crohn pode ser chamada de ileite, enterite regional ou colite.

Para reduzir a confusão, o termo Doença de Crohn pode ser usado, para identificar a doença, qualquer que seja a região do corpo afetada (íleo, cólon, reto, ânus, estômago, duodeno).

Foto: Juan Gaertner/Shutterstock
Foto: Juan Gaertner/Shutterstock

Evolução da doença

O curso da doença de Crohn é imprevisível. Alguns pacientes não têm nenhum sintoma até que ocorre um surto ou começam a surgir reclamações, que se modificam ao longo de um período.

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A reação é diferente sempre, porque a doença de Crohn não progride da mesma maneira em todos os pacientes, o que também dificulta o diagnóstico e o controle dos sintomas.

Porém, há uma classificação básica da doença, conforme os sintomas:

Leve a moderada

Neste estágio, o paciente tem diarreia frequente e dor abdominal, mas pode andar e comer normalmente.

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Não está desidratado, nem tem febre alta.Também não sente dor abdominal forte, obstrução ou perda de peso de mais de 10%.

Moderada a grave

É o paciente que falhou no tratamento de doença leve a moderada ou tem sintomas mais evidentes, como febre, perda de peso significativa, dor abdominal ou sensibilidade, náusea e vômitos intermitentes ou anemia significativa.

Fulminante

Sintomas persistentes apesar de ter passado pelo tratamento adequado para o estágio moderado ou grave da doença.

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Pode apresentar febre alta e vômitos persistentes. O paciente tem também evidências de obstrução intestinal ou abcesso, além de perda de peso mais grave.

Sintomas

Sintomas de Doença de Crohn

A doença de Crohn habitualmente causa sintomas como:

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Os primeiros sintomas da Doença de Crohn são evacuações diarreicas, frequentemente, com sangue e desejo urgente de evacuar.

A diarreia pode se desenvolver lentamente ou começar de maneira súbita, podendo haver também dores articulares e lesões na pele.

São comuns dores articulares (dores nas juntas), falta de apetite, perda de peso e febre. Outros sintomas precoces da doença de Crohn são lesões da região anal, incluindo hemorroidas, fissuras, fístulas e abcessos.

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Algumas vezes a inflamação e as úlceras podem penetrar nas paredes do intestino, formando um abscesso (uma coleção de pus). Poderá também se formar uma conexão anormal com outras partes do intestino ou de outros órgãos, o que é chamado de fístula.

Foto: BlurryMe/Shutterstock
Foto: BlurryMe/Shutterstock

Outros sintomas da Doença de Crohn

Podem ocorrer sintomas que não têm nada com o trato digestivo. Tanto a doença de Crohn quanto a retocolite ulcerativa podem causar problemas em outras partes do corpo. São eles:

Artrite: as articulações (normalmente os joelhos e os tornozelos) podem inchar, ficar doloridas e endurecidas. A artrite afeta cerca de 30% das pessoas com a doença de Crohn e 5% das pessoas com retocolite ulcerativa. Os medicamentos podem ajudar, mas os problemas normalmente desaparecem quando a inflamação intestinal é controlada.

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Aftas: estas se assemelham a ferimentos ulcerativos. Desenvolvem-se normalmente durante os períodos de inflamação ativa do intestino. As feridas normalmente desaparecem quando a inflamação é tratada.

Febre: é um indicador de inflamação, de maneira que é comum ter febre durante o surgimento dos sintomas. Entretanto, a febre pode estar presente por semanas ou até meses antes do aparecimento dos sintomas da doença de Crohn. Quando a inflamação intestinal é tratada, a febre normalmente desaparece.

Sintomas oculares: os olhos podem ficar inflamados - vermelhos, feridos e sensíveis à luz. Esses sintomas aparecem normalmente antes de um agravamento da enfermidade, e desaparecem quando os sintomas intestinais são tratados.

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Sintomas de pele: as pessoas podem desenvolver erupções cutâneas ou doenças fúngicas dolorosas e avermelhadas nas pernas. O tratamento dos sintomas intestinais, em geral, melhora os sintomas de pele.

Para que o médico chegue ao diagnóstico correto, o paciente deve informá-lo sobre todos os sintomas, queixas e mudanças de comportamento, como o engano frequente de evitar refeições para deixar de ir ao banheiro.

Os sintomas da doença de Crohn são complexos e difíceis de identificar.

Visão Geral

Causas

Não se conhece as causas exatas da doença de Crohn e de outras DII. O que se sabe é que a elas são transmissíveis e que ocorrem alterações das defesas do corpo nos portadores, desencadeando o processo inflamatório.

Herança genética

Cada vez mais estudos têm sido feitos para identificar os genes envolvidos com estas doenças e se há uma herança genética envolvida na origem das doenças.

Sabe-se que existe a tendência da apresentação mais frequente em membros de uma mesma família em que já se registram casos dessas doenças, conferindo um caráter hereditário de expressão.

Fatores emocionais

Tendo em vista que o corpo e mente estão relacionados, a tensão emocional pode influenciar no curso da doença de Crohn, da colite ulcerativa ou de qualquer doença.

Apesar de conflitos emocionais ocasionalmente precederem o surgimento ou a recidiva de uma DII, isso não significa, necessariamente, que eles foram a causa.

É provável que a angústia sentida pelas pessoas com doença de Crohn e outras DII seja uma reação aos sintomas dolorosos e limitações decorrentes da enfermidade

Diagnóstico e Exames

Diagnóstico de Doença de Crohn

Dificuldade no diagnóstico

Para diagnosticar a Doença de Crohn, os médicos avaliam a história do paciente, realizam exames físicos e uma variedade de testes de laboratório.

A doença tem sido historicamente difícil de diagnosticar, porque os sintomas variam em cada paciente e a maioria deles é também comum em outras doenças infecciosas do intestino.

Não há um exame específico que pode determinar se uma pessoa sofre ou não de Doença de Crohn. Para chegar ao diagnóstico, o médico precisa ouvir todos os sintomas, conhecer o histórico do paciente, fazer exames físicos e solicitar testes clínicos.

Depois de avaliar todos esses elementos, em conjunto, o médico poderá avaliar e chegar a uma conclusão.

Neste cenário, a interação entre o médico e o paciente é muito importante na fase diagnóstica, estendendo-se ao período de tratamento, onde a união e o compartilhamento de responsabilidades são fundamentais.

Exames para detectar a Doença de Crohn

TESTE: veja o grau de sua doença de Chron

Confusão com outras doenças

A doença de Crohn frequentemente assemelha-se a outras doenças e os sintomas podem variar muito; por isso, pode-se levar algum tempo para que o diagnóstico correto seja alcançado.

A Síndrome do Intestino Irritável é, muitas vezes, confundida com os primeiros estágios da doença de Crohn, por tratar-se de duas situações muito parecidas, em que as queixas dos pacientes têm semelhanças que, mesmo nas mãos mais experientes, podem levar tempo até serem particularizadas.

Doença de Crohn tem cura?

A Doença de Crohna não tem cura, até o momento. Trata-se de um quadro crônico, que pode ser tratado com o uso de medicamentos e, em alguns casos, com cirurgia.

Tratamento e Cuidados

Tratamento de Doença de Crohn

O tratamento para a doença de Crohn deve ser feito em etapas e de acordo com a gravidade do quadro.

Existe um sistema de mensuração da atividade da doença baseado no número de evacuações, dor abdominal, indisposição geral, ocorrência de fístulas e de manifestações patológicas à distância, que permite classificar a doença em leve, moderada ou grave.

Se a doença de Crohn é leve, o clínico acompanha a evolução do paciente indicando um tratamento bem mais leve do que o arsenal usado nos casos mais avançados.

Uso de medicamentos

O tratamento com uso de medicamentos da doença de Crohn é direcionado para reprimir o processo inflamatório desregulado.

Os medicamentos disponíveis atualmente reduzem a inflamação e controlam os sintomas, mas não curam a doença de Crohn. Às vezes, nenhuma medicação é necessária, mas isso varia caso a caso.

O tratamento clínico para a Doença de Crohn é feito com aminossalicilatos, corticoides, antibióticos, imunossupressores e terapia biológica.

O objetivo é diminuir os sintomas da fase aguda, induzir o período de remissão e proporcionar a manutenção do mesmo.

Foto: Lightspring/Shutterstock
Foto: Lightspring/Shutterstock

Cirurgia

A cirurgia pode ser um tratamento necessário na doença de Crohn quando o tratamento clínico é ineficiente no controle dos sintomas ou quando há uma complicação tal como obstrução intestinal.

Tal procedimento cirúrgico pode permitir ao paciente permanecer livre de sintomas, mas não objetiva a cura da doença de Crohn, já que a recidiva pode ocorrer.

Na Colite ulcerativa a eliminação cirúrgica de todo o cólon e do reto (proctocolectomia total) proporciona uma melhora definitiva, e na maioria dos casos deve-se realizar uma abertura artificial do íleo na parede abdominal (ileostomia), pela qual o excremento sai e é coletado em uma bolsa aderida à pele.

É sempre bom ter em mente que, mesmo com uma cirurgia de eliminação dos segmentos doentes, a doença em si não tem cura.

Medicamentos para Doença de Crohn

Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento.

Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique.

Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

Os medicamentos mais utilizados para tratar a doença de Crohn e outras DII são a sulfasalazina, a mesalazina e os corticoides. Todos reduzem a inflamação.

A sulfasalazina é usada para tratar sintomas leves e moderados de ambas as enfermidades e para tentar impedir a recidiva deles, uma vez que se tenha obtido a remissão (diminuição da intensidade).

Os corticoides são administrados quando os sintomas da doença de Crohn são mais severos; sua dose é diminuída lentamente até ser descontinuado quando da melhora dos sintomas.

Outros medicamentos utilizados para tratar a doença de Crohn são a azatioprina e a 6-mercaptopurina - drogas imunossupressoras que tentam reduzir os sintomas, fechar as fístulas e diminuir ou eliminar a dependência de algumas pessoas aos corticoides.

O metronidazol tem sido útil para o tratamento das complicações perianais da doença de Crohn e os antibióticos também são usados para combater infecções locais.

Os anti-TNFs, medicamentos biológicos, também vêm sendo utilizados em vários pacientes com indicação específica - desde 1999 para doença de Crohn, e desde 2005 para colite ulcerativa.

Efeito colateral dos medicamentos

Todas as medicações para o tratamento da doença de Crohn podem ter efeitos colaterais.

A sulfasalazina pode causar náuseas, dor de cabeça, vômitos, anemia, outras alterações do sangue e erupções da pele.

O médico deve observar o paciente e vigiar quanto a aparição destes efeitos, para então poder decidir pela continuidade ou não do medicamento.

O corticoide pode causar acne, aumento do apetite, inchaço no rosto, aumento de peso e aumento de pelos no corpo dos pacientes de doença de Crohn.

Mais raramente podem ocorrer problemas ósseos, diabetes, hipertensão, problemas digestivos e mudanças de personalidade. Estes efeitos secundários geralmente diminuem com a redução da dose e desaparecem quando da descontinuação do medicamento.

Os efeitos colaterais causados pelo uso prolongado de azatioprina, 6-mercaptopurina e metronidazol são menos conhecidos já que não têm sido usados por muito tempo em pacientes com estas enfermidades.

A azatioprina e a 6-mercaptopurina podem causar náuseas, redução dos glóbulos brancos do sangue e inflamação do pâncreas (pancreatite).

O metronidazol pode causar náuseas, dor de cabeça, desconforto abdominal, escurecimento da urina, gosto metálico, formigamento das mãos e pés.

Em relação à terapia biológica, todos os pacientes candidatos a este tipo de tratamento devem ser triados para infecções e ter seus calendários de vacinas atualizado.

A tuberculose, em especial, é motivo de cuidadoso monitoramento e deve fazer parte dos cuidados médicos antes do uso de medicações como estas, sempre.

Convivendo (prognóstico)

Convivendo/ Prognóstico

Dieta na Doença de Crohn

A dieta não tem um papel definido na doença de Crohn. Embora alguns alimentos agravem os sintomas, não há evidências de que a inflamação intestinal seja alterada por qualquer alimento.

Entretanto, a boa nutrição é essencial em qualquer enfermidade crônica, mas especialmente no caso da doença de Crohn e de outras DII em que se observam redução do apetite, diarreia e às vezes má absorção de alimentos, fatores que prejudicam a assimilação de fluídos, nutrientes, vitaminas e minerais pelo corpo.

Por isso, as recomendações devem ser individualizadas, conforme a reação de cada paciente.

“Há algumas regras básicas para evitar os sintomas mais comuns, como diarreia e cólicas intestinais”, explica a nutricionista Heidi Ide.

É sempre recomendado evitar alimentos ricos em fibras, frituras e fermentados, mas cada fase da doença e tipo de organismo responde à dieta de uma forma diferente.

Dicas

Intolerância à lactose

Leite e seus derivados devem ser restringidos apenas se você tem intolerância à lactose associada à doença de Crohn. Leites especiais com baixos teores de lactose podem ser usados.

Doença de Crohn pode matar?

Embora seja uma enfermidade crônica, a doença de Crohn não é considerada fatal.

Quase todas as pessoas que padecem dessa enfermidade mantêm uma vida útil e produtiva, apesar de algumas delas necessitarem de hospitalização nos períodos de maior atividade da doença.

Durante os períodos de acalmia, chamados períodos de remissão da moléstia, a maioria dos pacientes sente-se bem e fica relativamente livre de sintomas, levando uma vida habitual.

Foto: Tattoboo/Shutterstock
Foto: Tattoboo/Shutterstock

Complicações possíveis

Risco de câncer

Apesar de estudos em pessoas com doença de Crohn do cólon não serem numerosos ou completos, muitos pesquisadores acreditam que o risco de câncer nesses pacientes é menor que na Colite ulcerativa, embora maior que na população em geral.

Em ambos os casos (colite ulcerativa e doença de Crohn), o risco de câncer parece estar associado à doença de longa duração que acometa o cólon em sua totalidade.

O câncer do intestino delgado é extremamente raro na população em geral. Apesar do risco de seu aparecimento nos casos de longa duração da doença de Crohn, o número de casos é muito pequeno.

Referências

Ministério da Saúde

Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn

Heidi Ide, nutricionista

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