Menina morre por ameba que "come" cérebro: existe no Brasil?

Com apenas 10 anos, norte-americana foi vítima de uma ameba que contraiu ao nadar em um lago; entenda a doença e se há casos no Brasil

Na última segunda-feira (16), a morte de uma criança por contágio de uma ameba que afeta o cérebro foi confirmada nos EUA. Lily Mae Avant tinha apenas 10 anos quando contraiu a chamada "meningoencefalite amebiana primária", após nadar em um lago no Texas.

Como age a ameba que "come" cérebro

Apesar de ser popularmente chamada de "ameba que come cérebros", a ameba Naegleria fowleri se alimenta de bactérias presentes em ambientes úmidos, normalmente onde há água morna e doce.

Portanto, ela costuma ser encontrada em lagos, poças, córregos, solo, piscinas aquecidas não tratadas de forma correta e até em grãos de poeira.

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

Sua entrada no corpo humano ocorre principalmente pelo nariz. Dentro do nosso organismo, quando não encontra os nutrientes necessários para viver, ela acaba atacando células do cérebro e paralisa o sistema nervoso central em poucos dias.

Apesar de altamente mortal, a doença é rara e não é passada de pessoa para pessoa. Além disso, uma pessoa não contrai a doença ao beber a água contaminada com a ameba.

O caso de Lily

De acordo com a CNN, Lily estava tratando a doença há aproximadamente duas semanas e não resistiu. Ela estava internada desde o dia 8 de setembro e seus exames identificaram a presença da ameba Naegleria fowleri no cérebro.

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

Lily Mae contraiu a ameba após nadar em um lago - Foto: Reprodução/Facebook
Lily Mae contraiu a ameba após nadar em um lago - Foto: Reprodução/Facebook

A criança começou a sentir dor de cabeça, que aumentou de intensidade gradualmente. Depois, passou a apresentar febre, pesadelos e um "comportamento estranho" devido a alucinações, segundo seus pais disseram em entrevista.

Exames de imagem identificaram uma infecção no cérebro, o que fez com que os médicos suspeitassem de meningite. Contudo, somente depois de punção na medula óssea é que foi descoberta a presença da ameba.

Para o canal CBS, a tia de Lily informou que os médicos esgotaram todos os recursos possíveis e que nada mais poderia ser feito, pois a doença leva à morte de forma muito rápida.

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

Sintomas da meningoencefalite amebiana primária

Os principais sinais da doença são:

Como se prevenir

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

Registros da doença

Entre 1963 e 2017, os Estados Unidos confirmaram 143 casos de meningoencefalite amebiana primária. Somente quatro pacientes sobreviveram à infecção grave.

Já em fevereiro de 2018, a Sociedade Internacional de Doenças Infecciosas (ISID) confirmou o falecimento de um garoto de 8 anos pela ameba na Argentina.

Da mesma forma que Lily, ele mergulhou em uma lagoa em Junín, a cerca de 320 km da capital Buenos Aires, e chegou a óbito após apresentar os primeiros sintomas, bastante similares à meningite: dor de cabeça, febre e intolerância à luz e barulhos.

Na América do Sul, também foram registrados dois casos da doença na Venezuela que resultaram em morte.

No Brasil

Em território nacional, foi notada a presença da ameba Naegleria fowleri, mas não há registros oficiais de contaminação em humanos.

No ano de 2009, foi confirmado o falecimento de um bezerro por meningoencefalite amebiana primária no estado da Paraíba. O caso levantou o alerta a cientistas sobre possíveis novos contágios, tanto em animais como humanos.

Tratamentos

A dificuldade de diagnóstico e o curto espaço de tempo entre os primeiros sintomas e o óbito tornam a doença extremamente perigosa.

Cerca de 75% dos casos de contágio com a ameba foram confirmados somente após a morte dos pacientes. Por isso, hoje ainda não há tratamentos específicos para a doença.

Outras doenças raras

Veja caso de criança que teve doença rara após tomar paracetamol

Conheça a condição rara que deixa menino sempre com fome

Desvende a doença rara que tem afetado o coração de crianças