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Hemodiálise: o que é, riscos, como funciona e cuidados

Procedimento é feito em quem perdeu a função dos rins e está na espera de transplante; veja o que muda após o tratamento

O que é hemodiálise

A hemodiálise é um procedimento de filtragem do sangue para retirar toxinas e excesso de água no organismo. Chamada de "rim artificial", a técnica é indicada quando há perda significativa ou total das funções renais, como em casos de insuficiência renal.

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Atualmente, a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) estima que há aproximadamente 122 mil pacientes renais crônicos no Brasil que necessitam de hemodiálise.

"Hemodiálise é um tratamento para manter um paciente com doença renal crônica equilibrado e com boa qualidade de vida. Ou para salvar a vida de um paciente com insuficiência renal aguda." - Carmen Tzanno, nefrologista

Para que serve

Conhecida também como "Terapia Renal Substitutiva", a hemodiálise serve para retirar o excesso de líquidos e sujeiras que se acumulam no sangue de pacientes com funcionamento renal altamente prejudicado.

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De acordo com o nefrologista Roberto Galvão, da Clínica Paulista de Nefrologia, o tratamento é também capaz de corrigir distúrbios de acidose metabólica (excesso de ácido e falta de bicarbonato no sangue em decorrência da falência renal) e eletrolíticos, como a hiperpotassemia (aumento de potássio no sangue, levando à fraqueza e parada cardíaca).

Hemodiálise feita por fístula - Foto: Shutterstock
Hemodiálise feita por fístula - Foto: Shutterstock

Cuidados com os rins

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Os rins são fundamentais para a vida, pois são responsáveis por filtrar o sangue e eliminar toxinas. Doenças renais costumam ser silenciosas, não apresentando sintomas, e têm alta mortalidade. Portanto, o diagnóstico correto junto ao tratamento de hemodiálise são primordiais para os pacientes.

Como é feita

A hemodiálise é um procedimento de circulação extracorpórea. Ou seja, por meio de um acesso vascular apropriado (cateter ou fístula), o sangue do paciente é sugado pela bomba da máquina e circula através de um circuito, que atinge um filtro dialisador.

Nesse filtro, ocorre a remoção da água e de substâncias impuras, como a ureia e a creatinina, além do controle de teores de nutrientes e ácidos, como o potássio. Após a passagem pelo filtro, o sangue segue pelo circuito, retornando ao paciente pelo mesmo acesso vascular.

O cateter de hemodiálise é colocado em uma veia no pescoço, virilha ou peito após anestesia local. Já a fístula é aplicada em uma veia no braço.

Representação do processo completo de hemodiálise - Imagem: Minha Vida
Representação do processo completo de hemodiálise - Imagem: Minha Vida

Primeira sessão de hemodiálise

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Na primeira sessão, é preciso que a duração do tratamento e as doses sejam mínimas. O ideal é que ambos aspectos sejam aumentados de forma gradual, o que evita a "Síndrome do Desequilíbrio", caracterizada por efeitos neurológicos, convulsões e até coma.

Quando fazer

A maioria dos casos de doenças renais que necessitam de hemodiálise pegam os pacientes de surpresa e os tratamentos são realizados de forma imediata ao diagnóstico.

Benefícios da hemodiálise

A hemodiálise tem como objetivo substituir as funções primordiais dos rins. Portanto, ao iniciar o tratamento, o paciente perceberá melhoras expressivas dos sintomas relacionados a doenças renais, como:

Atenção: Para ter acesso aos benefícios completos da hemodiálise, é recomendado que o paciente faça um acompanhamento conjunto e multidisciplinar, com nefrologistas, enfermeiros e nutricionistas.

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Para quem é indicada

A hemodiálise é indicada para pacientes com:

Pessoas que têm as condições acima costumam apresentar hipertensão, inchaço, náuseas, vômitos, cansaço, desnutrição, falta de apetite, pericardite, acidose, insuficiência cardíaca e elevação do potássio no sangue.

Contraindicações

O tratamento de hemodiálise não é indicado em casos de:

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Os casos acima são contraindicados por poderem agravar o bem-estar do paciente, por ser um tratamento invasivo e que necessita de cuidados e disponibilidade para deslocamento.

Tipos de hemodiálise

Existem diversos tipos de hemodiálise, que variam conforme o caso do paciente. Contudo, o nefrologista Alexandre Carvalho Pinto Coelho aponta três principais tipos:

Hemodiálise convencional: é aquela em que o paciente realiza sessões de cerca de 4 horas, três vezes por semana.

Hemodiálise diária: é realizada de 5 a 7 vezes por semana, com sessões de 2 horas de duração.

Hemodiálise contínua: indicada para ocorrências graves, com pacientes internados em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) devido à falência dos rins ou doença renal aguda. Consiste em 24 horas por dia de tratamento ininterrupto, enquanto durar o quadro agravado.

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Onde fazer

A hemodiálise é um tratamento fornecido pelo SUS (Sistema Único de Saúde) sem qualquer custo para o paciente. Disque 136 (ligação gratuita) para mais informações.

Máquinas de hemodiálise disponíveis em clínicas especializadas - Foto: Shutterstock
Máquinas de hemodiálise disponíveis em clínicas especializadas - Foto: Shutterstock

Após atendimento por nefrologista do SUS, é comum o encaminhamento para clínicas de diálise parceiras e particulares, mas não haverá cobrança ao paciente.

Uma máquina de hemodiálise atende até seis pacientes por vez, com uma média de quase 1 mil tratamentos realizados anualmente por cada máquina no Brasil.

Caso tenha dúvidas sobre o encaminhamento para realização da hemodiálise, entre em contato com a Fundação Pró Rim pelo telefone 0800 474 546 ou pelo e-mail relacionamento@prorim.org.br.

Diferença de diálise e hemodiálise

Membro do Comitê de Pesquisas Clínicas da Sociedade Internacional de Nefrologia, a médica Carmen Tzanno comenta que é comum a confusão entre diálise e hemodiálise.

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A diálise é o termo genérico dado às técnicas de depuração renal substitutiva, chamadas de "DP". Essas podem ser feitas pelo sangue ou pelo abdômen.

Quando feita pelo sangue, se caracteriza a hemodiálise. Assim, hemodiálise é um tipo de diálise em que se usa um equipamento específico para filtragem e devolução do sangue ao paciente, com menor quantidade de toxinas.

Diálise peritoneal

A diálise é denominada como diálise peritoneal por muitos especialistas, para justamente minimizar os conflitos entre os termos diálise e hemodiálise.

O método é uma opção para tratamento de pacientes com insuficiência renal crônica, em que é instalado um cateter no abdômen. Através deste cateter é aplicada uma solução que remove a água por osmose, eliminando as impurezas em excesso no organismo.

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Diferente da hemodiálise, esse procedimento pode ser feito em domicílio. Isso representa uma vantagem para pacientes imobilizados ou que estão distantes de clínicas de diálise. Por outro lado, é necessário o treinamento correto de familiares para aplicação do tratamento.

Tanto a diálise peritoneal como a hemodiálise são eficientes e obtêm bons resultados por meios diferentes.

Riscos da hemodiálise

A hemodiálise é um tratamento bastante seguro, não apresentando riscos ao paciente na maioria dos casos. "Os principais riscos são decorrentes da própria doença renal", explica o especialista Roberto Galvão.

Algumas complicações também podem ser recorrentes de infecções no local de acesso vascular para hemodiálise; isto é, onde a fístula arteriovenosa ou o cateter é aplicado.

Assim, os riscos - apesar de raros - são:

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Riscos de não fazer hemodiálise

Especialista em medicina interna e nefrologia, Alexandre Carvalho alerta para riscos severos por quem recusa a hemodiálise. "[Nestes casos], pacientes sofrem um altíssimo risco de complicações agudas, como edema pulmonar,, arritmia decorrente da hiperpotassemia, convulsões e até morte súbita".

Efeitos colaterais

Nefrologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Carmen Tzanno ressalta que "a hemodiálise é um tratamento para manter um paciente com doença renal crônica equilibrado e com boa qualidade de vida. Ou para salvar a vida de um paciente com insuficiência renal aguda".

Ela aponta que geralmente o paciente não apresenta reações. Quando apresentados, os principais efeitos colaterais da hemodiálise são:

A queda de pressão é o efeito mais frequente entre os pacientes de hemodiálise, principalmente naqueles que ganham peso entre as sessões. Porém, conforme o paciente se adapta à terapia, as reações costumam desaparecer ou serem cada vez mais raras.

Duração do tratamento

A duração das sessões de hemodiálise variam conforme o tipo de tratamento, podendo ser de 4 horas semanais até contínuo, 24 horas por dia.

Em relação a todo o período do procedimento, em pacientes com insuficiência renal aguda, a hemodiálise costuma ser temporária conforme a progressão ou regressão da doença.

Já em casos de doenças renais crônicas, a hemodiálise é permanente. O tratamento somente é suspenso em caso de transplante renal.

Expectativa de vida de quem faz hemodiálise

Como os rins são órgãos essenciais para a vida, muitos pacientes se questionam sobre quanto tempo ainda viverão após iniciar o tratamento.

A resposta depende de inúmeros fatores, como o tipo de tratamento, gravidade do caso e atendimento prestado. Contudo, a expectativa de vida de quem faz hemodiálise costuma ser prolongada por mais 10 anos.

Hemodiálise dói?

Primeiras sessões

É comum sentir uma dor no local da punção durante as primeiras sessões de hemodiálise. Essa leve dor pode ser aliviada com o uso de pomada anestésica antes do tratamento.

Cateter x fístula

Hemodiálise por cateter, que pode ser aplicado no tórax, pescoço ou virilha - Foto: Shutterstock
Hemodiálise por cateter, que pode ser aplicado no tórax, pescoço ou virilha - Foto: Shutterstock

A maioria das sessões de hemodiálise são feitas por fístula que, comparada ao cateter, é a melhor opção de acesso ao sangue do paciente. Isso porque o local onde é colocado o cateter é mais sensível (tórax, pescoço ou virilha) e costuma ficar dolorido após o efeito da anestesia local.

O cateter de hemodiálise costuma ser usado somente quando há dificuldade para punção de veias no braço do paciente.

Acúmulo de líquidos

Caso o paciente não siga à risca as sessões recomendadas de hemodiálise, ele pode ter um maior acúmulo de líquido em seu corpo. Por isso, pode apresentar dores e efeitos colaterais devido ao edema que deve ser removido na mesma sessão.

Doença renal: quem faz hemodiálise pode se curar?

A hemodiálise é um procedimento para substituir a função dos rins, sendo considerada como um "rim artificial". Portanto, a hemodiálise não cura doenças renais, apenas alivia os sintomas.

A nefrologista Carmen aconselha que, em casos de falência renal e doença renal crônica, o ideal é realizar um transplante de rim para uma melhor qualidade de vida.

Transplante renal x hemodiálise

Tanto o transplante de rim quanto a hemodiálise são tratamentos para doenças renais crônicas.

O transplante renal costuma ser preferido entre os pacientes, mas não é o mais disponível. É preciso aguardar em filas de espera até haver um rim compatível e agendamento para a realização da cirurgia. Para verificar a compatibilidade, são necessários diversos exames.

O cenário mais comum é de pacientes que realizam a hemodiálise enquanto aguardam a possibilidade do transplante renal. Ressalta-se que um tratamento substitui o outro: então, quem consegue o transplante deve suspender imediatamente a hemodiálise.

Como prevenir doenças renais

A maioria das doenças renais crônicas (DRC) está diretamente ligada a um estilo de vida sedentário e não-saudável, sendo responsável por cerca de 70% das mortes em 2016 no Brasil, segundo o Ministério da Saúde.

Portanto, para prevenir DRCs é essencial:

Perguntas frequentes

Rins podem voltar a funcionar com hemodiálise?

De acordo com o nefrologista Alexandre, há algumas situações em que os rins param de funcionar por um período breve e podem voltar a funcionar posteriormente, com auxílio da hemodiálise. Isso ocorre mais frequentemente em casos de insuficiência renal aguda.

Quem faz hemodiálise pode beber água?

A quantidade de água a ser ingerida varia conforme a capacidade de urinar do paciente. Caso o paciente urine normalmente ou em nível próximo ao habitual, a ingestão de líquidos pode ser mais liberada.

Contudo, na maioria dos casos, os pacientes não têm mais diurese; ou seja, não urinam. Para eles, o nefrologista Roberto Galvão recomenda que a quantidade de líquido seja de, no máximo, 1 litro por dia.

Quem faz hemodiálise tem dieta restrita?

Após iniciar a hemodiálise, grande parte dos pacientes precisa adequar seu cardápio para uma melhor qualidade de vida. O ideal é controlar a ingestão de líquidos e evitar alimentos ricos em potássio (podem provocar arritmias e parada cardíaca), em sódio e em fósforo (agravam doenças ósseas).

Bebidas e alimentos proibidos para quem faz hemodiálise:

Quem faz hemodiálise pode trabalhar?

Conforme a legislação brasileira, quem faz hemodiálise tem direito à aposentadoria por invalidez. Isso se deve ao tempo gasto pelo paciente para o tratamento e possíveis efeitos colaterais. Entretanto, há pacientes com doenças renais que desejam continuar trabalhando mesmo com a necessidade do procedimento.

Cabe ao médico do trabalho avaliar os riscos e condições conforme a função do trabalhador, podendo muitas vezes manter a mesma função ou ser adaptado a outro cargo. Além disso, clínicas de diálise dispõem de assistentes sociais para orientações sobre seus direitos.

Quem faz hemodiálise pode viajar?

Para viagens bem curtas, como aos finais de semana, o ideal é que o paciente não abdique de sua sessão de hemodiálise. Por exemplo: caso faça hemodiálise tradicional, o paciente pode fazer a sessão na sexta-feira de manhã, viajar à noite, retornar no domingo e fazer a próxima sessão na segunda-feira.

Em viagens mais longas, as clínicas de diálise oferecem a "hemodiálise em trânsito". É um benefício concedido a pacientes que desejam ou necessitam viajar. A clínica entra em contato com outro estabelecimento, no local de destino, para que o paciente prossiga com o tratamento durante a viagem.

Referências:

Alexandre Carvalho Pinto Coelho, CRM 37606 - MG, nefrologista na NefroClínicas BH, integrante do comitê de Nefrologia da Unimed-BH, médico perito da Seplag-MG, residência em Clínica Médica (FHEMIG) e em Nefrologia (UNESP), graduado pela UFMG, pós-graduado em Pesquisa Clínica pela (Harvard), mestre em Saúde Pública (UFMG)

Carmen Tzanno, CRM 51924 - SP, médica do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, pós-doutora em nefrologia, especializada em estudo de envelhecimento, alterações neurológicas e interações medicamentosas em pacientes em diálise

Roberto Galvão, CRM 87397 - SP, médico nefrologista da Clínica Paulista de Nefrologia

Ministério da Saúde

Sociedade Brasileira de Nefrologia