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Desnutrição: o que é, causas, sintomas e como diagnosticar

Visão Geral

O que é Desnutrição?

Desnutrição é um estado patológico causado pela falta de ingestão ou de absorção de nutrientes. Existem casos muito graves, cujas consequências podem chegar a ser irreversíveis, mesmo que a pessoa continue com vida. Entretanto, a desnutrição também pode ser leve e sem qualquer registro de sintomas, como resultado de uma dieta inadequada.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a desnutrição contribui com mais de 1/3 das mortes de crianças no mundo, apesar de raramente ser listada como a principal causa. Diante desse cenário, a falta de acesso a alimentos com alto valor nutritivo é apontada como a grande causadora de desnutrição - especialmente em países subdesenvolvidos.

Outros fatores que contribuem para a desnutrição são os hábitos alimentares pobres, como realizar dietas não balanceadas, ingerir alimentos de baixo teor nutritivo e até mesmo a amamentação inadequada de recém-nascidos. Em países desenvolvidos, como os Estados Unidos, por exemplo, são comuns os casos de desnutrição relacionados à alta ingestão de alimentos industrializados e alimentação desequilibrada.

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Infecções frequentes ou persistentes, como diarreia, pneumonia e malária, também são determinantes para o surgimento da desnutrição. Em geral, os nutrientes com maiores índices de deficiência nos casos de desnutrição são:

Tipos de desnutrição

A desnutrição energético-proteica pode ser classificada como primária (causada pela ingestão inadequada de nutrientes) ou secundária (causada por patologias ou fármacos que interferem no metabolismo dos nutrientes).

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As desnutrições primárias podem ser divididas em três grupos (conforme o nutriente em falta):

Desnutrição de Kwashiorkor

A desnutrição de Kwashiorkor é caracterizada pela falta de proteínas na dieta. Esse quadro tem grande incidência em países da África, onde pessoas em condição de vulnerabilidade social se alimentam basicamente de carboidratos. Assim, o organismo obtém energia dos alimentos, mas faltam proteínas e vitaminas essenciais.

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O indivíduo que sofre deste tipo de desnutrição apresenta inchaços principalmente nos pés e tornozelos, além de músculos reduzidos, abdômen proeminente (barriga com aspecto inchado) e cabelos finos, até mesmo com alteração da coloração.

Causas

Como dito anteriormente, a desnutrição pode ser primária ou secundária, a depender do fator que causou o problema. Entre as causas primárias, está principalmente a dieta inadequada. Ou seja, ter uma alimentação em quantidade e/ou qualidade insuficientes de calorias e nutrientes.

Já dentre as causas secundárias, há a ingestão insuficiente de alimentos por fatores externos, que podem demandar um gasto energético maior do corpo ou impedir a pessoa de se alimentar e absorver os nutrientes corretamente. Alguns motivos que podem levar a esse quadro são a presença de verminoses, câncer, anorexia, alergia ou intolerância alimentar e síndrome de má absorção.

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Saiba mais: Como entender a tabela nutricional dos alimentos

O desmame precoce também está entre as causas de desnutrição, uma vez que o leite materno contém nutrientes essenciais que dificilmente são encontrados em quantidades adequadas na alimentação sólida e que são parcialmente supridos com as fórmulas infantis.

Fatores de risco

Crianças provenientes de famílias de baixa renda apresentam um risco maior relacionado a deficiências alimentares. Além disso, condições sanitárias precárias contribuem para o aparecimento de infecções e parasitoses que resultam em desnutrição.

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Um exemplo de doença que induz a desnutrição é a esquistossomose, também conhecida como barriga-d'água. Essa doença acontece a partir do contato com água contaminada com as larvas de parasitas da espécie Schistosoma, especialmente em locais onde não há saneamento básico e há a presença de caramujo (hospedeiro inicial do verme).

Fatores socioculturais também influenciam no consumo de alimentos, já que algumas culturas ou religiões realizam dietas restritivas, que podem resultar em poucas calorias ou deficiências nutricionais importantes.

O uso de drogas ilícitas estimulantes, como o crack e a cocaína, também é um fator de risco para a desnutrição. Tratam-se de drogas anorexígenas, ou seja, que provocam a falta de apetite e a aversão aos alimentos, induzindo os usuários a uma dieta pobre em nutrientes ou até mesmo longos períodos sem comer.

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Sintomas

Sintomas de Desnutrição

Adultos

Perder de 5% a 10% do seu peso corporal ao longo de três a seis meses sem realizar uma dieta com este fim pode resultar em risco de desnutrição. Outros sintomas do quadro podem incluir:

Crianças

Os sintomas de desnutrição em crianças podem incluir:

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Obesidade x Desnutrição

A obesidade é uma doença onde há o acúmulo excessivo de gordura corporal e múltiplos fatores causais. Uma alimentação com excesso de calorias e desequilíbrio de nutrientes, somada ao baixo nível de atividade física, é a principal causa do excesso de peso. Existe ainda a obesidade genética, que representa de 5% a 7% dos casos.

No Brasil, assim como em outros países, o alto consumo de alimentos processados pela população resulta em maiores taxas de sobrepeso e obesidade, o que se tornou um grande problema de saúde pública. Porém, mesmo com excesso de peso, é possível estar, ao mesmo tempo, desnutrido, porque a desnutrição é causada pela falta de nutrientes importantes e não, necessariamente, de comida.

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Saiba mais: Entenda como a deficiência nutricional interfere em cada fase da vida

Com frequência, crianças obesas ingerem alimentos concentrados em calorias, mas a qualidade e a quantidade de micronutrientes são inapropriadas. Em geral, a deficiência nutricional das crianças com sobrepeso ou obesidade é consequência do hábito alimentar baseado em fast food, salgadinhos e guloseimas, alimentos pobres em nutrientes importantes para o desenvolvimento adequado.

Diagnóstico e Exames

Buscando ajuda médica

O peso e o crescimento das crianças devem ser acompanhados constantemente por profissionais de saúde. Se você tiver quaisquer preocupações com o desenvolvimento do seu filho ou filha ou você tem alguma condição que pode aumentar o risco de desnutrição, procure ajuda médica.

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Os especialistas que podem identificar um quadro de desnutrição em crianças e adultos são:

Na consulta médica

Diagnóstico de Desnutrição

Existem diversos métodos para diagnosticar a desnutrição. Eles vão desde uma avaliação clínica (observação de características, como peso, altura e idade) até uma completa avaliação do estado nutricional de vitaminas do paciente através de exames laboratoriais.

O critério adotado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2007, classifica os valores de Índice de Massa Corporal (IMC) menores que o percentil 3 como desnutrição. O diagnóstico de desnutrição em crianças envolve tomar uma medida do seu peso e altura e, em seguida, comparar com o que seria a altura média esperada e o peso médio esperado para uma criança daquela idade.

Em adultos, é diagnosticada desnutrição quando o IMC está abaixo de 18,5 ou houve perda acidental de 5-10% do peso corporal durante os últimos três a seis meses. Além disso, podem ser feitos exames de sangue para avaliar as concentrações nutricionais, independente dos resultados de IMC.

Exames para diagnosticar desnutrição

Os exames de sangue também podem ser utilizados para medir os níveis de proteína no organismo. Níveis protéicos baixos podem sugerir que uma criança ou adulto está desnutrido. Esses testes laboratoriais também avaliam as taxas de vitaminas e outras substâncias que podem estar desreguladas no organismos em decorrência da deficiência nutricional.

Tratamento e Cuidados

Tratamento de Desnutrição

Dieta e educação alimentar

Uma das iniciativas mais importantes no tratamento da desnutrição é a elaboração de uma dieta equilibrada, que deve possibilitar a reposição, manutenção e reserva adequadas de nutrientes no organismo. Para tanto, ela deve ser montada e acompanhada por um nutricionista ou nutrólogo.

Além disso, a educação alimentar também tem um papel fundamental nesse processo e é essencial em todas as etapas da vida. Como a desnutrição é bastante comum na infância, é fundamental que as pessoas que fazem parte do núcleo de educação e formação das crianças (família, cuidadores e professores) tenham acesso a informações sobre o correto aproveitamento dos alimentos e a alimentação saudável.

Saiba mais: É vegetariano ou vegano? Veja como evitar carência de nutrientes importantes

Algumas ações simples no dia a dia também ajudam a aproveitar ao máximo o valor nutritivo dos alimentos, em especial das frutas e verduras, como:

É importante buscar orientação sobre a melhor forma de ter uma dieta equilibrada, considerando a realidade de cada população. Esse tipo de informação é indispensável no tratamento, mas principalmente na prevenção da doença.

Em alguns casos, pode ser necessária a suplementação de nutrientes. Porém, somente com exames e diagnóstico correto, é possível determinar quando este tipo de ação é necessária.

Tratamento hospitalar

Em alguns casos, a desnutrição é tão grave que exige internação hospitalar. Esses pacientes podem necessitar de ingestão nutritiva por meio de tubos, como a sonda nasogástrica (que liga o nariz ao estômago) e a gastrostomia endoscópica (um tubo cirurgicamente colocado no estômago através do abdômen).

Se um tubo de alimentação não pode ser colocado, a nutrição pode ser feita diretamente na veia. A pessoa também pode necessitar de tratamento adicional para a causa subjacente de sua desnutrição.

Convivendo (prognóstico)

Complicações possíveis

A desnutrição leva a uma série de alterações na composição corporal e no funcionamento do organismo. Quanto mais grave for o caso, maiores e também mais significativas são as consequências. Assim, as principais complicações do quadro são:

Grande perda muscular e dos depósitos de gordura, provocando debilidade física; Emagrecimento: peso inferior a 60% ou mais do peso ideal (adultos) ou do peso normal (crianças); Para crianças com obesidade, a desnutrição pode dificultar a perda de peso e favorecer ainda mais o ganho de gordura corporal; Desaceleração, interrupção ou até mesmo involução do crescimento; Alterações sanguíneas, provocando, dentre elas, a anemia; Alterações ósseas, como a má formação; Alterações no sistema nervoso: estímulos nervosos prejudicados, número de neurônios diminuído, depressão, apatia; Alterações nos demais órgãos e sistemas respiratório, imunológico, renal, cardíaco, hepático e intestinal; A pessoa desnutrida fica mais sujeita a infecções; Aumento da mortalidade e agravamento de enfermidades.

Prevenção

Prevenção

Uma dieta equilibrada e saudável é a melhor forma de prevenir a desnutrição. Alimentar-se de frutas, verduras e cereais integrais, bem como de proteínas, ajuda no combate à deficiência nutricional como um todo. Alimentos e bebidas ricos em gordura ou açúcar não são essenciais para a maioria das pessoas e só devem ser consumidos em pequenas quantidades.

Se você possui alguma condição que aumenta o risco de desnutrição, busque tratamento.

Referências

Giovanna Mainardi (CRM 176897), Médica nutrologista pós-graduada em Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e em Prática Ortomolecular e Nutrigenômica pela Fundação de Apoio à Pesquisa e Estudo na Área da Saúde (FAPES).