Má alimentação está ligada à depressão em mulheres

Dieta rica em carboidratos refinados e refrigerantes aumenta em até 41% o risco

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 11/11/2013

Mulheres cuja dieta inclui mais alimentos inflamatórios, como bebidas açucaradas, refrigerantes, grãos refinados, carne vermelha e margarina, além de pobres em alimentos anti-inflamatórios, como vinho, café, azeite de oliva e verduras e vegetais verdes e amarelos têm um risco maior de sofrer com depressão. É o que afirma um estudo realizado por pesquisadores da Harvard School of Public Health (EUA). O trabalho foi publicado online em 01 outubro de 2013 na revista Brain, Behavior, and Immunity. É um dos estudos mais completos até à data sobre alimentação e depressão.

Por mais de 12 anos, os pesquisadores conduziram um estudo de 43.685 mulheres com idades entre 50 e 77 anos, todas participantes do Nurses' Health Study. Nenhuma delas tinha diagnóstico de depressão no início do estudo e 10.340 mulheres foram excluídas do acompanhamento por apresentarem sintomas depressivos. Os autores acompanharam os padrões alimentares das mulheres e rastrearam vários biomarcadores de inflamação através de exames de sangue. Eles documentaram 2.594 casos de depressão usando uma definição rigorosa (um diagnóstico de depressão e uso de antidepressivos) e 6446 usando uma definição mais ampla (um diagnóstico de depressão e/ou o uso de antidepressivos).

Os cientistas descobriram que mulheres que bebem regularmente refrigerantes, comiam carne vermelha ou grãos refinados - além de consumirem raramente e vinho, café, azeite e legumes - eram de 29% a 41% mais propensas de ser deprimidas do que aquelas que fizeram uma dieta menos inflamatória. Pesquisas anteriores sugeriram uma ligação entre a inflamação e a depressão, mas a associação entre o padrão alimentar inflamatório e depressão era desconhecida. Estudos têm relacionado inflamação excessiva a doenças cardíacas, AVC, diabetes, câncer e outras condições.

Segundo os autores, é importante considerar a relação dieta geral com risco de doença, e não apenas os nutrientes ou alimentos isolados. Eles afirmam que os alimentos são consumidos em conjunto, e os seus efeitos combinados não podem ser prevista a partir da análise única. Os estudiosos completam dizendo que o a abordagem adotada na pesquisa permitiu analisar as ações combinadas de alimentos, refletindo melhor a complexidade da dieta

Conheça o cardápio e os hábitos que favorecem a depressão
A depressão é uma doença que afeta mais de 350 milhões no mundo, de pessoas de todas as idades, gêneros e etnias, sendo a causa de mais de 850 mil suicídios por ano, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. O órgão estima que a doença se torne a mais comum do mundo nos próximos 20 anos. Por se tratar de uma doença causada pela combinação de fatores genéticos, ambientais, psicológicos e sociológicos, seus hábitos diários interferem diretamente no aparecimento da doença. E não é só o estresse ou a falta de sono que afetam o seu emocional - aquilo que você coloca no prato também pode estar deixando seu organismo mais vulnerável a essa doença. Muitas pesquisas científicas comprovam que alguns hábitos alimentares podem aumentar as chances de depressão. Veja o que dizem os especialistas:

Consumo de fast food

Ingerir com frequência fast food pode afetar negativamente a saúde mental de um indivíduo. A afirmação é baseada em um estudo que envolveu 8.964 participantes e foi desenvolvido pelas universidades de Las Palmas e Navarra, na Espanha. Os resultados mostraram que ingerir fast food pode aumentar em 51% o risco de desenvolver depressão. "Além das gorduras presente nesses alimentos, pessoas que comem fast food em excesso no geral cultivam outro hábitos que favorecem a depressão, como sedentarismo, tabagismo e baixo consumo de frutas e legumes", afirma o nutrólogo Roberto Navarro.