INCA recomenda redução progressiva do uso de agrotóxicos

Instituto defende que uso de agrotóxicos aumenta o risco de câncer e pode causar outros problemas de saúde

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 09/04/2015

O Instituto Nacional do Câncer (INCA), órgão do Ministério da Saúde, se posicionou pela 1ª vez pela diminuição do uso de agrotóxicos. Ele recomendou o estabelecimento de ações que visem à redução progressiva e sustentada do uso de agrotóxicos, como está previsto no Programa Nacional para Redução do uso de Agrotóxicos.

Em substituição, o INCA apoia um modelo que otimize a integração entre a capacidade produtiva, uso e conservação da biodiversidade e dos demais recursos naturais essenciais à vida. Isto porque este modelo, de acordo com o INCA, além de incentivar a produção de alimentos livres de agrotóxicos tem como base o equilíbrio ecológico, a eficiência econômica e a justiça social, fortalecendo agricultores e protegendo o meio ambiente e a sociedade.

Agrotóxicos e a saúde

De acordo com o INCA, uso de agrotóxicos pode causar intoxicações agudas e crônicas. As agudas são aquelas que afetam principalmente pessoas expostas em seu ambiente de trabalho e são caraterizadas por: irritação da pele e olhos, coceira, cólicas, vômitos, diarreia, espasmos, dificuldades respiratórias, convulsões e morte. Já as intoxicações crônicas, segundo o INCA, podem afetar toda a população. Isto porque elas são decorrentes da presença de agrotóxicos nos alimentos e no ambiente, geralmente em doses baixas.

Os efeitos da exposição crônica aos agrotóxicos podem aparecer muito tempo depois, o que dificulta a relação com os agrotóxicos. Entre as consequências da exposição crônica a ingredientes ativos de agrotóxicos estão: infertilidade, impotência, abortos, malformações, neurotoxicidade, desregulação hormonal, efeitos sobre o sistema imunológico e câncer.

Agrotóxicos e o câncer

Em março de 2015 a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer publicou um estudo após a avaliação da carcinogenicidade de cinco ingredientes ativos de agrotóxicos por uma equipe de pesquisas de 11 países. Eles classificaram que o herbicida glifosato, os inseticidas malationa, diazinona, tetraclorvinfós e parationa como possíveis agentes carcinogênicos. Sendo que a malationa, a diazinona e glifosato são autorizados e amplamente usados no Brasil, de acordo com o INCA.

Os agrotóxicos nos alimentos

Os últimos resultados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos da Anvisa revelou amostras com resíduos de agrotóxicos em quantidades acima do limite máximo permitido e com a presença de substâncias químicas não autorizadas para o alimento pesquisado. Também foi observada a presença de agrotóxicos que estão em processo de banimento pela Anvisa ou nunca tiveram registro no Brasil.

O INCA destaca que a presença de resíduos agrotóxicos não ocorre apenas nos alimentos in natura, mas também em muitos produtos alimentícios processados pela indústria, como biscoitos, salgadinhos, pães, pizzas, cereais matinais, lasanhas e outros que tem como ingredientes o milho, o trigo ou a soja. Os agrotóxicos também podem estar presentes em carnes e leites de animais que se alimentam de ração com traços de agrotóxicos.

Por isso a preocupação com os agrotóxicos não deve significar a redução do consumo de frutas, legumes e verduras. Estes alimentos são essenciais para a alimentação saudável e de grande importância para a prevenção do câncer. Contudo, é importante ingerir esses alimentos sem agrotóxicos. Veja outros benefícios dos alimentos orgânicos quando comparados com aqueles que tem agrotóxicos:

1. Animais e derivados convencionais:

os animais sem criação orgânica podem receber ração ou alimentos produzidos com o uso de agrotóxicos e adubos químicos, além de receberem algum tipo de hormônio para se desenvolverem mais rapidamente até a fase de abate.

2. Animais e derivados orgânicos: os animais e derivados ditos orgânicos são aqueles que, desde o nascimento, recebem rações livres de agrotóxicos e adubos químicos e não tomam qualquer tipo de antibióticos ou hormônios de crescimento. "Com exceção das vacinas, obrigatórias, os tratamentos veterinários dispensam ingredientes sintéticos. Só remédios fitoterápicos e homeopáticos são empregados", explica o nutrólogo Roberto Navarro.