Inclua todos os tipos de carne no seu cardápio

As brancas e vermelhas têm nutrientes distintos que devem constar na sua alimentação

POR MINHA VIDA - PUBLICADO EM 17/04/2008

Sejam vermelhas ou brancas, as carnes não podem faltar no cardápio. Mas, mesmo que você tenha preferências bastante fixas, é peciso variar. A rotatividade na ingestão de carnes diminui o risco de acumular substâncias nocivas ao organismo. Além disso, sabe-se que os excessos são os principais causadores de doenças relacionadas à obesidade, fala a nutricionista Karina Gallerani, sobre a importância de variar o menu.




O consumo delas precisa ser intercalado, participando das refeições por, pelo menos, duas vezes na semana , afirma. Além disso, a especialista aponta que, para alcançar as necessidades nutricionais, é fundamental aliar a ingestão das carnes com hábitos alimentares saudáveis. A seguir, Karina detalha os valores nutricionais de cada uma delas. 

Carne vermelha

A carne bovina é uma fonte protéica de excelente qualidade. Rica em ácidos graxos essenciais e aminoácidos, ela ainda possui todos os minerais importantes ao organismo, como fósforo, potássio, sódio, magnésio, zinco e ferro. Este último desempenha diversas tarefas, entre elas, suporte ao sistema imunológico. O mineral é fundamental para a formação de hemácias, células vermelhas do sangue, que carregam o oxigênio até as células , explica Karina. Ainda de acordo com a nutricionista, um nível adequado de ferro é garantia de energia ao corpo e o mantém em alerta. Ela lembra também que o ferro é essencial na prevenção da anemia, especialmente a quem faz parte dos grupos de risco, como crianças, gestantes e idosos. Seu diferencial fica por conta das doses de ferro-heme, uma variação do mineral facilmente absorvida pelo organismo. 

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Apesar de seu alto valor nutricional, os bifes de carne vermelha apresentam um teor significativo de gordura saturada e colesterol. Assim sendo, o risco não é comer carne vermelha, mas sim, comê-la em excesso , diferencia Karina. Ela informa que diversos males do coração estão ligados às altas taxas de colesterol que, por sua vez, estão relacionadas ao conteúdo de gordura na dieta. Especialmente saturada e monoinsaturada, que compõem uma porção relevante de alguns cortes de carne vermelha , ressalta a especialista. O conselho dela é sempre optar pelos cortes magros.

Cortes magros: lagarto, alcatra, patinho, filé mignon, acém, músculo, miolo de alcatra. 

Frango

O frango, como a maioria das carnes de aves, fornece proteínas de ótima qualidade. As proteínas do frango têm um elevador teor de aminoácidos, elementos indispensáveis ao crescimento, à conservação e reparação dos tecidos , ressalta a especialista. A carne de frango também é classificada como alimento saudável, já que é pobre em gorduras, quando consumida sem pele. Mais vantagens nutricionais da carne branca é ser fonte de vitaminas do complexo B, principalmente, B2, B12 e B6. Útil na formação da hemoglobina, a vitamina B6 é também um estimulante muscular e um protetor da pele , exemplifica Karina. 

O frango tem a vantagem de conter menos gordura saturada, se comparado com os bifes vermelhos. No entanto, a pele do frango é quatro vezes mais gorda que a própria carne , alerta a nutricionista. A recomendação, portanto, é consumir o frango sem pele. Evite também seus miúdos, como moela, fígado e coração, partes em que o conteúdo de gorduras e colesterol é maior , completa.

Partes magras: peito de frango, coxa de frango, sobrecoxa 

Peixe

Extremamente nutritivo, o peixe é rico em aminoácidos essenciais, vitaminas e minerais como sódio, potássio, magnésio, cálcio, ferro e fósforo, entre outros que regularizam as funções do corpo e participam do metabolismo de nutrientes. O consumo de peixes deve ser incentivado a fim de diminuir a ingestão de ácidos graxos saturados e aumentar a de ácidos graxos poliinsaturados , ressalta Karina Gallerani. Ela esclarece que o organismo utiliza tais ácidos graxos para produzir substâncias químicas que ajudam no sistema imunológico. Outro destaque do peixe é a oferta de ômega-3. Segundo Karina, a substância proporciona grandes benefícios à saúde, como diminuição dos riscos de doenças cardiovasculares, redução da pressão arterial e diminuição das taxas de triglicérides e colesterol no sangue. Os peixes também são ricos em vitamina B, essencial para que os tecidos e o sistema nervoso se mantenham em condições saudáveis. 

Seus benefícios enchem os olhos de quem procura uma alimentação saudável. Suas versões mais gordas, porém, devem ser assadas no forno ou na brasa, sem adição de gordura. Complementar a refeição com arroz integral e feijão também é fundamental. Junto aos vegetais crus e cozidos, eles ajudam as fibras a evitar o acúmulo de gordura e toxinas , aconselha Karina. 

Tipos magros e ricos em ômega-3: bacalhau, badejo, carapau, carpa, corvina, garoupa, linguado, peixe espada, pescada, robalo, tainha e truta. A nutricionista ressalta que o ômega-3 é encontrado em maior quantidade nos peixes de águas salgadas e frias. Os exemplos são atum, arenque, bacalhau, sardinha e salmão. 

Atenção na hora das compras

Como um bom consumidor, você precisa procurar carnes provenientes de animais saudáveis, abatidos e processados higienicamente, a fim de preservar as características nutricionais do alimento. Estes fatores são garantia dos nutrientes necessários para o organismo. Na prática, a escolha deve ser feita baseada, primeiramente, nas condições de higiene do açougue. Leve em conta desde os funcionários, que devem usar luvas e uniforme para manusear as carnes, até o transporte das mesmas, que não podem ser descarregadas desembaladas, orienta Karina. 

Ainda segundo a especialista, carnes pré-embaladas e congeladas encontradas nos supermercados devem ser mantidas em balcão ou câmara frigorífica. Freezer ou balcão frigorífico fora da temperatura correta, ou que são desligados à noite, formam água no chão. Sinal de que os produtos também saíram da temperatura ideal , dá a dica. Quando a procura é pela carne vermelha, selecione as peças de cor vermelho-claro. Não compre aquelas que apresentarem partes escurecidas ou secas, características de carne deteriorada , frisa Karina. 

Já os peixes exigem atenção na aparência e no cheiro. Segundo a nutricionista, a carne precisa ser firme e resistente à pressão dos dedos, os olhos brilhantes e salientes, as guelras vermelhas e as escamas bem aderidas à pele. Ao escolher as aves que pretende levar à mesa, certifique-se que elas estejam firmes, com coloração amarelo-pálida, brilho e cheiro suave. Manchas esverdeadas, azuladas ou com mau cheiro indicam processo de deterioração , aponta a especialista.

O mito dos hormônios nas aves

Diante da variedade das prateleiras e das informações que rondam uma alimentação saudável, a polêmica sobre o hormônio de crescimento injetado nas aves já deve ter chegado aos seus ouvidos. Recentemente, o buchicho colocou a indústria avícola brasileira sob suspeita na questão da presença de hormônios na carne de frango. 

Segundo Cláudio Bellaver, médico veterinário e pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, o fato não passa de mito. Ele garante que os frangos não precisam de hormônio exógeno (externo e adicional ao fisiológico) para terem a boa performance produtiva que apresentam. Diversos fatores são capazes de comprovar a não-utilização dos hormônios, de acordo com Cláudio. Entre eles, a difícil administração de doses para aproximadamente cinco bilhões de aves e o alto custo de usar substâncias protéicas na dieta das aves. 

O maior ganho de peso e eficiência das aves é devido à somatória dos resultados de 40 anos de pesquisas em seleção genética, determinação de exigências nutricionais e balanceamento de cada nutriente, ambiência adequada com controles de temperatura, umidade do ar e ventilação das instalações, monitoria e controle de doenças, fala o pesquisador da Embrapa sobre as causas para a notada melhora na produção de carne de frango. 

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