Cirurgia bariátrica não é o único passo

A plástica é muito importante após a realização do procedimento

Por Minha Vida - publicado em 16/04/2009


A cirurgia para tratamento da obesidade mórbida cirurgia bariátrica vem sendo realizada há cerca de 15 anos e já tem o seu lugar definido no rol de tratamento dos pacientes obesos. O procedimento apresenta bons resultados na perda de peso, causando reflexos positivos na qualidade de vida, na imagem corporal e na melhoria da saúde física e mental dos pacientes que a ele são submetidos. Em 2005, o Conselho Federal de Medicina aprovou a Resolução CFM N° 1.766, estabelecendo as normas seguras para o tratamento cirúrgico da obesidade mórbida, definindo indicações, técnicas cirúrgicas, condições hospitalares necessárias e a equipe de profissionais habilitados não só para o procedimento cirúrgico em si, mas também para a seleção de pacientes a serem operados, para o seguimento pós-operatório e durante a vida destes pacientes.

Hoje, já sabemos que é fundamental o tratamento multidisciplinar nas etapas que antecedem e sucedem à operação. O perfeito entrosamento da equipe multidisciplinar, formada por médico cirurgião, gastroenterologista, nutricionista ou nutrólogo, psicólogo e fisioterapeuta, dentre outros profissionais, é parte fundamental no sucesso da cirurgia. Na verdade, o grande desafio é fazer com que o paciente se sinta a pessoa mais importante desta equipe. Ele precisa se sentir agente do próprio tratamento.

Um questionamento muito comum que surge após a realização da cirurgia bariátrica é sobre a necessidade da realização de uma cirurgia plástica para retirada do excesso de pele do paciente. Segundo Ruben Penteado, a cirurgia plástica deve ser feita quando o objetivo da perda de peso estipulada pelo cirurgião bariátrico for atingido ou quando ocorreu a estabilização do peso do paciente. A estabilização do peso ocorre geralmente entre 01 e 02 anos, após a cirurgia bariátrica. Ainda assim, o cirurgião plástico deve selecionar os pacientes que estejam com IMC abaixo de 30. Quando o IMC, Índice de Massa Corpórea, estiver acima de 30, a cirurgia só deve ser feita se houverem razões fortes, como por exemplo, quando a sobra de pele e o excesso gorduroso prejudicam a locomoção do paciente.

A grande perda de peso, efeito da cirurgia bariátrica, ocasiona a perda da elasticidade da pele, fato que prejudica não apenas o aspecto estético, mas algumas funções básicas da vida. Os problemas dos pacientes começam com prejuízos à postura e ao equilíbrio, causados pelo excesso de pele. Depois, podemos citar os problemas de integração social e de relacionamento sexual. Acentua-se o incômodo causado pelas dermatites localizadas nas dobras de pele.

É preciso observar, cuidadosamente, o paciente antes da realização da cirurgia plástica. Geralmente, pacientes que foram assistidos por uma equipe multidisciplinar estão mais preparados para a etapa da plástica. Aqueles que apresentam um quadro de depressão ou algum outro tipo de problema requerem mais atenção.

Qual o melhor momento?

O melhor momento para se submeter a cirurgia plástica é quando o paciente estabiliza seu peso, com a alimentação considerada normal para ele, depois da cirurgia bariátrica. Ou seja, quando o paciente pára de emagrecer. Este é o momento certo para fazer a cirurgia plástica da obesidade. O IMC, dentre outros indicadores, ajuda a determinar o peso ideal não só para realizar a cirurgia plástica com sucesso, mas também para proporcionar qualidade de vida a este paciente.

Para definir o momento mais oportuno para a plástica é fundamental também uma avaliação clínica e psicológica detalhadas, pois estes pacientes estão mais sujeitos à alterações como anemia e distúrbios metabólicos. Além disso, quadros como depressão, alcoolismo e uso de drogas também podem estar presentes.

As cirurgias mais procuradas por este grupo de pacientes são a abdominoplastia (para corrigir o abdômen em avental), a mamoplastia, a braquioplastia (para retirada dos excessos dos braços), a cirurgia de coxas, a lipoaspiração e o lifting facial, que serão feitas de maneira isolada ou em combinações, dependendo de cada caso, e, visando, principalmente a segurança da intervenção.

Ruben Penteado é cirurgião plástico, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e diretor do Centro de Medicina Integrada.

Para saber mais, acesse: www.medintegrada.com.br


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