Fitoterápicos ajudam a tratar desde problemas digestivos até ansiedade

Eles são considerados medicamentos e alguns são até distribuídos pelo SUS

POR LETÍCIA GONÇALVES - ATUALIZADO EM 28/03/2014

Existem fitoterápicos tão eficientes que são distribuídos pela rede pública de saúde do país, mas algumas regras rigorosas dificultam o registro e o reconhecimento de muitos desses medicamentos. Por conta disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) levantou uma discussão, na semana do dia 4 de março, sobre a possibilidade de criar uma nova regra para os fitoterápicos no Brasil.

A ideia é que seja criada uma categoria de "produto tradicional fitoterápico". Nesse grupo, seriam aceitas substâncias que comprovem a segurança pelo uso tradicional - sem precisar de comprovação científica - desde que cumpram as condições adequadas de higiene para fabricação. Para conhecer melhor o efeito e os cuidados com esses medicamentos, confira as explicações de especialistas no assunto:

1. O que são fitoterápicos?
De acordo com a Anvisa, fitoterápicos são medicamentos que têm como princípio ativo drogas vegetais, popularmente conhecidas como plantas medicinais. "Esses compostos agem sobre o organismo proporcionando ações específicas como melhora de enjoo e náuseas, aumento da saciedade, melhora do funcionamento intestinal etc.", explica a nutricionista Alessandra Coelho, do Conselho Regional de Nutricionistas de São Paulo.

"Na fitoterapia, os medicamentos são produzidos a partir de partes das plantas, não possuindo apenas uma substância isolada e sim uma série delas", explica Célia Von Linsingen, Gerente de Marketing Institucional e Consumo do Herbarium, empresa de fitoterápicos. Essa ação conjunta torna o tratamento mais suave e reduz os efeitos colaterais.

2. Fitoterápicos são enquadrados na classe de medicamentos?
Sim, eles são considerados medicamentos assim como os remédios convencionais, chamados alopáticos. Por conta disso, os fitoterápicos precisam apresentar estudos científicos e outros critérios para comprovar a qualidade, a segurança e eficácia do uso. No entanto, muitos medicamentos fitoterápicos são bem antigos e não possuem esses estudos, não sendo reconhecidos pela Anvisa.

3. O fitoterápico pode substituir medicamentos alopáticos?
Segundo Caroly Mendonça, coordenadora do curso de Fitoterapia Clínica do Centro de Pós-Graduação das Faculdades Oswaldo Cruz, o fitoterápico pode substituir um medicamento alopático dependendo da doença. "Em alguns casos, o efeito é até melhor do que de um medicamento alopático", diz a professora. Tratamentos de gastrite, por exemplo, podem ser feitos com espinheira santa. "Mas lembre-se de que nenhuma medicação deve ser substituída sem a indicação e consentimento do profissional responsável", alerta a nutricionista Alessandra.

4. Fitoterápicos podem trazer perigos à saúde?
O mau uso de fitoterápicos pode ocasionar problemas à saúde, como qualquer outro medicamento. A Anvisa exemplifica alguns dos possíveis problemas: alterações na pressão arterial e problemas no sistema nervoso central, fígado e rins, que podem levar a internações no hospital e até morte, dependendo da forma de uso irregular. Por isso, é fundamental usar fitoterápicos seguindo orientações de um profissional da área de saúde capacitado.

5. Fitoterapia é o mesmo que medicina ortomolecular?
Não. "A fitoterapia é uma terapia usada com extratos vegetais que vem de uma prática mais antiga e tradicional", explica Marcelle Machado, professora do curso de Naturologia da Anhembi Morumbi, em São Paulo. Nessa técnica, todos os compostos ativos são de origem vegetal, mas não há uma substância ativa isolada.

Já a medicina ortomolecular possui como terapia a utilização de substâncias biológicas ou sintéticas, como vitaminas e minerais, de maneira isolada. "Esse uso é feito para corrigir alguma deficiência ou até mesmo para combater doenças, no caso da prescrição de antioxidantes", explica a nutricionista Alessandra.

6. Quem pode receitar fitoterápico?
A nutricionista Alessandra forneceu uma lista divulgada pela Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais com os profissionais que podem prescrever fitoterápicos, entre eles:
- Médico, desde que seja especializado na área de fitoterapia;
- Nutricionista e cirurgião dentista (apenas produtos com indicação relacionada ao seu campo de conhecimento);
- Farmacêutico (apenas medicamentos isentos de prescrição médica para doenças de baixa gravidade);
- Enfermeiro (desde que faça pós-graduação);
- Terapeutas (técnicos em acupuntura, podólogos, técnicos em quiropraxia e terapeutas holísticos) e naturólogos podem recomendar fitoterápicos de venda livre, que não sejam manipulados;
- Psicólogos e fisioterapeutas podem recomendar fitoterápicos de venda livre apenas quando forem especializados em acupuntura.

7. Quais cuidados é preciso ter com o uso de fitoterápico?
A Anvisa lista alguns cuidados que são os mesmos destinados aos outros medicamentos:
- Buscar informações com os profissionais de saúde;
- Informar ao seu médico sobre qualquer reação desagradável enquanto estiver usando plantas medicinais ou fitoterápicos;
- Observar cuidados especiais com gestantes, lactantes, crianças e idosos;
- Informar ao seu médico se está utilizando plantas medicinais ou fitoterápicos, principalmente antes de cirurgias;
- Adquirir fitoterápicos apenas em farmácias e drogarias autorizadas pela Vigilância Sanitária;
- Seguir as orientações da bula e rotulagem;
- Observar a data de validade e nunca usar medicamentos vencidos;
- Seguir corretamente os cuidados de armazenamento;
- Ter cuidado ao associar medicamentos, pois isso pode diminuir os efeitos ou provocar reações indesejadas;
- Desconfiar de produtos que prometem curas milagrosas.

Fitoterápicos que trazem benefícios à saúde
Há por volta de 66 fitoterápicos reconhecidos pela Anvisa. Conheça alguns deles e saiba qual é a indicação:

Chá de Mil Folhas

"Esse fitoterápico pode ser encontrado em forma de chá, feito de um a dois gramas em 160 miligramas de água e tomado três vezes ao dia, para adultos", explica a professora Marcelle Machado, do curso de Naturologia da Anhembi Morumbi. É indicado para pessoas com falta de apetite, cólicas, complicações digestivas, febre, inflamação, entre outros problemas. Já a contraindicação é para pessoas com úlcera gástrica. 

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