Ministério da Saúde lança cartilha para diagnóstico precoce do autismo

Nova política de saúde para portadores será distribuída em todo Sistema Único de Saúde

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 02/04/2013

O Ministério da Saúde lançou nesta terça-feira (2), data em que é celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, a Diretriz de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA). A diretriz trará pela primeira vez uma tabela com indicadores do desenvolvimento infantil e sinais de alerta para que médicos do Sistema Único de Saúde (SUS) possam fazer uma identificação precoce do autismo em crianças de até três anos. Os portadores de autismo chegam a representar 1% da população brasileira, de acordo com estimativas do Ministério.

A nova política será distribuída em todo o Sistema Único de Saúde, para que os profissionais possam ajudar a realizar o diagnóstico do autismo. A ideia é que no futuro esse material seja simplificado, para que as próprias famílias possam ajudar nesta identificação.

O autismo inclui um amplo espectro de sintomas. Portanto, uma avaliação única e rápida não pode indicar as reais habilidades da criança. O ideal é que uma equipe de diferentes especialistas a avalie. Eles podem avaliar características como:

- Comunicação
- Linguagem
- Habilidades motoras
- Fala
- Êxito escolar
- Habilidades de pensamento

Muitas vezes, as famílias relutam em fazer o diagnóstico porque se preocupam em rotular a criança. No entanto, sem o diagnóstico, a criança pode não receber os tratamentos e os serviços necessários e ser incluída no meio social.

Tratamento
Com a nova medida do Ministério da Saúde, as famílias de autistas poderão recorrer a rede do Sistema Único de Saúde (SUS) para buscar atendimento dos portadores do transtorno. Até então, não havia uma política de atendimento no governo para essas pessoas e as famílias eram obrigadas a recorrer a ONGs ou serviços de saúde mental em busca de ajuda.

Após o diagnóstico do paciente e a comunicação à família, inicia-se a fase do tratamento e da habilitação/reabilitação nos pontos de atenção da Rede de Cuidados à Saúde da Pessoa com Deficiência. O autismo implica em alterações de linguagem e de sociabilidade que afetam diretamente - com maior ou menor intensidade - grande parte dos casos. O paciente também pode sofrer limitação de suas capacidades funcionais e nas interações sociais, o que demanda cuidados específicos e singulares de acompanhamento médico, habilitação e reabilitação ao longo das diferentes fases da vida.

O tratamento começa logo após o diagnóstico na Rede de Cuidados à Saúde da Pessoa com Deficiência. Os casos com menor intensidade, inclusive, serão encaminhados para Centros Especializados de Reabilitação (CER) do SUS, enquanto os mais graves terão tratamento em centros específicos que serão habilitados pelo Ministério da Saúde. Hoje existem no País 22 CER em construção, 23 em habilitação e 11 convênios de qualificação para que entidades que já funcionam, passem a funcionar como CER.

Família pode estimular o convívio social do autista
O autismo não significa a ausência total de socialização da criança. Apesar de ser uma síndrome comportamental, com incentivos na medida certa e acompanhamento de especialistas, alguns dos padrões de comportamento podem ser revertidos. É importante lembrar, no entanto, que as habilidades de comunicação são prejudicadas em portadores dessa disfunção. Conheça atitudes que os pais podem tomar para ajudar no desenvolvimento das crianças:

Escolarização

Letícia Calmon explica que a inclusão é importante, mas o ideal é, inicialmente, fazer o treinamento dos professores e consultar profissionais capacitados para colaborar neste processo, como o psicólogo, o fonoaudiólogo, o terapeuta ocupacional e, em alguns casos, buscar também um acompanhamento pedagógico. "Cada criança deve ter um programa individualizado". A escolarização pode trazer benefícios, como a possibilidade de vivenciar situações sociais e ganhar independência.

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