7 sinais de que a dor abdominal não está relacionada a gases

Gases são a causa mais comum para dor na região do abdômen, mas existem outras

POR NATHALIE AYRES - ATUALIZADO EM 13/10/2016

A dor abdominal costuma ser muito ligada aos gases. "Algumas pessoas possuem uma hipersensibilidade a um pequeno aumento na quantidade de gases, o que causa mais dor", pondera a gastroenterologista Renata Madureita, do Centro Médico e Estético do Rio de Janeiro (CETERJ).

Homem com a mão na barriga sinalizando dores na região -
Dores que se estendem por muitos dias podem estar relacionadas a quadros mais graves

No entanto, essa não é a única causa do problema. Por isso, é importante relacionar os outros sintomas que aparecem junto a essa dor, já que isso ajuda a determinar melhor o diagnóstico.

Veja sinais de que sua dor abdominal pode ser mais do que apenas gases:


1. Sentir dor localizada

Normalmente, a dor abdominal por gases costuma ser menos específica. "De modo geral, ela parece mais difusa, abrangendo praticamente todo o abdômen", explica o cirurgião geral Rafael Lopes, chefe de equipe do Hospital Santa Paula (SP).

Dores em locais mais específicos costumam ter causas também específicas e pedem atenção especial. Por exemplo: dores do lado direito inferior do abdômen podem estar ligadas à apendicite, doença de Crohn ou hérnias, enquanto dores mais à esquerda podem ser gastrite, como exemplifica a gastroenterologista Renata.

2. Como a dor se manifesta

Normalmente as dores abdominais causadas por gases se manifestam como pontadas ou cólicas. "É uma dor súbita, ou seja, de início rápido, de intensidade mais branda e, normalmente, semelhante a uma cólica, com períodos de melhora e piora", descreve a cirurgiã geral e do aparelho digestivo Danielle Menezes Cesconetto, do Hospital Santa Paula (SP).

3. A duração da dor

Gases costumam ser problemas transitórios: eles são acumulados dentro do corpo ao comer e falar ou na metabolização dos alimentos. No entanto, depois o corpo costuma expeli-los, o que causa melhora do sintoma.

"Dores que se estendem por muitos dias podem estar relacionadas a quadros mais graves, como cálculos ou uma colecistite aguda", considera o cirurgião do aparelho digestivo Elesiário Marques Caetano Jr., do Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP).

4. Rigidez do abdômen

Os gases podem deixar o abdômen mais distendido, ou seja, estufado. "Isso ocorre devido ao movimento exacerbado das alças intestinais", explica o cirurgião Lopes.

No entanto, o abdômen muito rígido pode significar outros problemas, como uma diverticulite ou algum processo inflamatório. Na dúvida, se o abdômen ficar muito rígido e dolorido, procure um médico.

5. Sentir dor após exercícios

Raramente a dor abdominal após exercícios tem relação com gases. "A atividade física inclusive reduz a produção de gases e facilita sua eliminação", considera a gastroenterologista Renata. Portanto, o mais normal é que dores abdominais após os exercícios sejam musculares.

No entanto, pessoas que usam suplementos de carboidratos e aminoácidos podem ter mais flatulência, já que esses alimentos são muito fermentativos, ou seja, geram mais gases quando entram em contato com as bactérias do intestino.

6. Ter febre ou mal-estar

Outro ponto importante é que os gases não costumam trazer junto outros sintomas de alerta, como febre e mal-estar. "Geralmente esses são sinais presentes em quadros inflamatórios ou infecciosos tais como apendicite aguda, inflamação dos divertículos e inflamação da vesícula biliar", explica Danielle.

A febre, de modo geral, é a resposta do organismo a algum agente invasor, como vírus e bactérias, já que normalmente esses parasitas não conseguem se reproduzir em temperaturas mais altas. Por isso, o ideal é buscar um médico e entender se não é uma infecção mais grave.

7. Perder o apetite

Outro sinal de alerta importante é a perda de apetite. Realmente, sentir dores abdominais costuma reprimir a vontade de comer. No entanto, não conseguir comer por vários dias é sinal de que a causa da dor pode ser algo mais sério.

"É importante avaliar se há perda de apetite ou enjoo associado ao medo de se alimentar e sentir dor, que é comum para pacientes com câncer de estômago, úlcera gástrica e colecistite, por exemplo", considera Renata Madureira.

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