Perfil genético poderá ajudar fumante a largar o cigarro

Genética pode tornar métodos como pastilhas e adesivos mais eficientes

Por Minha Vida - publicado em 08/07/2010


Uma nova abordagem personalizada para ajudar fumantes a largarem o cigarro pode ajudar a impulsionar as taxas de sucesso no tratamento. Além das ferramentas disponíveis, o combate ao fumo ganha reforço da genética. Isso é o que descobriu um estudo britânico publicado na edição deste mês da revista inglesa Molecular Medicine. De acordo com a pesquisa, o perfil genético combinado com o nível de dependência de nicotina do paciente pode orientar as decisões do tratamento e maximizar as chances de alguém se livrar do hábito para sempre.

Como todo ex-fumante pode atestar, parar de fumar não é nada fácil. Dos 46 milhões de fumantes que vivem na União Europeia, 70% dizem querer largar ovício, mas menos de 5% são bem-sucedidos após um ano sem a utilização de tratamentos. Porém, quando um fumante utiliza ferramentas para cessação do tabagismo, como adesivos de nicotina, goma de mascar, inalador ou medicamentos, a taxa de sucesso pode aumentar para 25%.

De acordo com o pesquisador Jed Rose, do Centro de Duque de Nicotina e Cessação de Fumo, na Inglaterra, essas ferramentas de reposição de nicotina, como as pastilhas e adesivos, são eficientes, no entanto, existe pouca orientação sobre a melhor forma de usá-los, pois tratamentos funcionam de forma diferente para fumantes diferentes. Identificar essas diferenças é o primeiro passo para ser capaz de prever qual a eficácia de cada método no organismo dos fumantes.  

Marcadores genéticos

Para a realização do estudo, os pesquisadores rastrearam 520 mil marcadores genéticos do sangue de fumantes voluntários. Através dessa informação genética, chegaram a um número que, quando combinado ao nível de dependência em nicotina - avaliada por meio de questionários - de cada um, pode prever qual o melhor método para parar de fumar, bem como a concentração mais indicada.

Os testes iniciais foram feitos com 479 fumantes acostumados a fumar pelo menos meio pacote de cigarros por dia. Os participantes foram classificados como tendo uma dependência alta ou baixa em nicotina. Baseado no perfil genético, o tratamento dos mais dependentes funcionou melhor com doses mais altas.

Maiores pesquisas estão sendo feitas, mas os médicos já estão otimistas. Segundo os pesquisadores, o próximo passo é expandir o trabalho e ver como e quais medicamentos de prescrição médica podem ser mais eficientes para cada caso. Assim os médicos acreditam que no futuro todas as ajudas disponíveis poderão ser determinadas através das informações genéticas e de outras características do comportamento de fumar.

O co-pesquisador George Uhl afirmou que não se trata de um único gene que diz que determinado fumante vai para de fumar, e sim de um grupo de genes que, quando tomados em conjunto ajuda a tomar melhores decisões de tratamento manual.  

Números pedem medidas urgentes

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o fumo é uma das principais causas de morte evitável hoje no planeta. Cerca de cinco milhões de pessoas morrem por ano devido ao tabagismo e caso as estimativas de aumento do consumo de produtos como cigarros, charutos e cachimbos se confirmem, esse número aumentará para mais de 8 milhões de mortes anuais por volta de 2030.

 No Brasil, os dados do Ministério da Saúde mostram que 18,8% da população são fumantes, sendo que do total da população brasileira, 22,7% dos fumantes são homens e 16% são mulheres. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), 40% das mortes de mulheres com menos de 65 anos são causadas pelo consumo de tabaco.  


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